Editorial |
P. Nuno Rosário Fernandes
O elogio da Rádio
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Desde muito cedo que comecei a ouvir rádio e recordo que me sentia fascinado, porque começava a imaginar, a partir da voz difundida pelas ondas hertzianas, como seria este ou aquele locutor. Mais alto ou mais baixo, gordo ou magro, onde estaria, e como seria o lugar onde se encontrava? Nas tardes de trabalho à máquina de costura, tantas vezes ali sozinha naquela sala de estar, a minha mãe tinha a rádio por companhia. Junto dela encontrava-se um pequeno bloco de papel onde ia assentando o valor acumulado de um prémio que poderia chegar a casa, se lhe viesse a tocar o telefone. Nunca tocou, mas eram tardes de conversa, música, entretenimento, e a rádio tornava-se, assim, uma presença. Entrava-nos casa a dentro, mas não perturbava. Pelo contrário, era desejada a sua companhia.

Por detrás da rádio havia um mistério que se transformava em magia, contando-nos estórias, levando-nos a lugares desconhecidos, mesmo sem lá estarmos fisicamente. Quantas vezes entrei em lugares, pela rádio, sem nunca lá ter estado! Mas sobretudo, esta presença foi deixando dentro o desejo e um ‘bichinho’ de querer ser, também, contador dessas estórias.

Recordo os noticiários que gravava em casa, e transcrevia para depois criar o meu próprio noticiário; os trabalhos escolares que tinham sempre uma versão áudio, e mais tarde o meu primeiro programa na “Rádio Antena Jovem”, no Bombarral, onde havia sempre uma história para contar.

O bichinho da rádio não desaparece, o gosto fica, e a rádio vai mudando para se adaptar aos novos tempos. Se antes desconhecíamos os rostos que estavam atrás dos microfones, hoje a rádio faz-se, também, com o recurso à imagem, com vista a gerar interatividade, proximidade e a aumentar o espectro do seu alcance, que já não é apenas o lugar onde chega pelas ondas hertzianas, mas, também, todos os lugares onde é possível chegar, de diversas formas, pela internet.

A rádio será um dos mais potentes meios de comunicação e é considerado instrumento de cooperação internacional, capaz de chegar a todo o lado, sobretudo onde a internet não entra. Esta semana, no dia 13 de fevereiro, foi celebrado em todo o mundo, na oitava edição, o Dia Mundial da Rádio, sob o tema ‘Diálogo, Tolerância e Paz’.  Esta é uma iniciativa da UNESCO, nascida em 2011, e acontece, sempre, no dia 13 de fevereiro, fazendo memória do dia em que, no ano 1946, se realizou a primeira emissão de rádio da ONU.

Não esqueçamos que a rádio é mais do que entretenimento, é meio de informação que une, e é capaz de atravessar as fronteiras e barreiras, tantas vezes criadas pelo homem. E no kit de emergência, que em algum dia seja necessário utilizar, o rádio deve lá estar.

 

Editorial, pelo P. Nuno Rosário Fernandes, diretor

p.nunorfernandes@patriarcado-lisboa.pt

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