Lisboa |
Visita Pastoral à Vigararia Lisboa II
Apelo ao “protagonismo juvenil” na vida das comunidades
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No encontro de abertura da Visita Pastoral à Vigararia Lisboa II, o Cardeal-Patriarca de Lisboa traçou como objetivo de “médio prazo” a “responsabilização dos jovens” na vida das comunidades, impulsionado pela preparação da Jornada Mundial da Juventude, em 2022. Aos membros dos conselhos pastorais e económicos da Vigararia, D. Manuel Clemente pediu “abertura à ação de Cristo” em toda a atividade pastoral.

 

A preparação da Jornada Mundial da Juventude (JMJ) é o novo objetivo diocesano para o “médio prazo” na programação da diocese de Lisboa. Na abertura da Visita Pastoral à Vigararia Lisboa II, que decorreu no passado Domingo, 10 de fevereiro, o Cardeal-Patriarca de Lisboa afirmou que, juntamente com a recepção ativa da Constituição Sinodal de Lisboa no curto prazo, o novo objetivo requer, desde já, o “protagonismo juvenil” na vida das comunidades. “A responsabilização dos jovens na vida das nossas comunidades é uma indicação precisa do último Sínodo dos Bispos. Temos que a levar muito a sério e com a certeza de que será ativada, e cada vez mais, por este objetivo que o Papa nos deu, de organizarmos e realizarmos a JMJ de 2022”, afirmou D. Manuel Clemente, no auditório da igreja de Cristo Rei, na Portela.

Com a previsão de utilização dos terrenos junto ao Rio Trancão, na Vigararia Lisboa II, para acolher “entre 1 e 2 milhões de peregrinos” durante o encontro, em 2022, o Cardeal-Patriarca de Lisboa pediu “particular” disponibilidade às paróquias ali representadas. “É bom que estejamos atentos, particularmente aqui nesta vigararia. Isto significa muita disponibilidade para alojar e acolher”, referiu D. Manuel Clemente, anunciando que já se encontra a trabalhar um núcleo de coordenação formado, para a área logística, pelo padre Américo Aguiar, sacerdote da diocese de Porto e presidente do Conselho de Gerência da Renascença e, para a área pastoral, pelo Bispo Auxiliar de Lisboa D. Joaquim Mendes.

 

Em caminho sinodal

No auditório da paróquia da Portela estiveram presentes os sacerdotes e representantes dos conselhos pastorais e económicos das 11 paróquias da Vigararia Lisboa II num encontro com o Cardeal-Patriarca de Lisboa e com os Bispos Auxiliares D. Joaquim Mendes e D. Daniel Henriques que, até 14 de abril, vão visitar as diferentes comunidades, procurando conhecer a realidade administrativa e pastoral de cada uma. Para este ano pastoral, dedicado à Liturgia (‘Viver a liturgia como lugar de encontro’, CSL nº 47), D. Manuel Clemente referiu que são “milhares” os diocesanos que estão a participar nas conferências sobre Liturgia, preparadas pelo Departamento da Liturgia e a decorrer em toda a diocese. “Com esses encontros, as pessoas ganham mais consciência daquilo que é a liturgia”, sublinhou, perspetivando, desde já, o ano pastoral seguinte, dedicado à caridade. “Para o ano, sempre na receção da Constituição Sinodal de Lisboa, teremos uma insistência maior na função caritativa, ou seja, de fazer deste mundo aquilo que Deus quer: um mundo de irmãos, fraterno, onde as necessidades das pessoas sejam mais atendidas. Nós não encontramos Deus, não encontramos Jesus Cristo, como se quer encontrar connosco, se não pela caridade”, observou o Cardeal-Patriarca de Lisboa lembrando o “objetivo transversal” do programa pastoral que foi proposto após o Sínodo Diocesano 2016: ‘Fazer da Igreja uma rede de relações fraternas’ (CSL, nº 60). “Que as nossas comunidades sejam um exercício de fraternidade ativa, em que nos preocupamos positivamente uns com uns outros e em que nos servimos uns aos outros”, desejou.

 

Um só corpo

Perante os agentes pastorais da Vigararia Lisboa II, o Cardeal-Patriarca enunciou aquele que gostaria que fosse o fruto desta Visita Pastoral: “Que todos os que colaboram mais diretamente na missão sacerdotal, profética e régia [de Jesus], tenham consciência do que isso significa”. “Nós somos o Corpo de Cristo em atuação. É muito bom tomarmos consciência disto porque, se não, o que fazemos pode ser um serviço religioso mas não é a Igreja de Cristo”, apontou D. Manuel Clemente.

Nessa missão, proposta a cada um dos representantes paroquiais, o Cardeal-Patriarca falou das três dimensões que devem ser a razão do apostolado. Sobre o significado do sacerdócio de Jesus Cristo, D. Manuel Clemente lembrou que “todos nós participamos do sacerdócio de Jesus Cristo nesta atitude essencial de, com Ele, nos oferecermos ao Pai”. É também uma missão de todos fazer ecoar no mundo a Palavra de Deus. Esse é o “oficio profético” a que todos os cristão são chamados: “os que são casados nas suas casas, os profissionais nos seus empregos, cada um onde anda”, apontou o Cardeal-Patriarca dando como exemplo o trabalho dos mais de 7000 catequistas diocesanos.

Quanto à dimensão régia de Jesus que está ligada à sociedade, em particular na sua dimensão mais social, D. Manuel Clemente, desafiou os presentes à disponibilidade para o serviço aos outros, quer numa visita aos doentes ou a ajudar os que mais precisam. “Todos estamos empenhados nesta missão”, referiu.

 

Abertura aos planos de Deus

Na Missa que concluiu o primeiro encontro da Visita Pastoral à Vigararia Lisboa II, o Cardeal-Patriarca de Lisboa exortou as comunidades cristãs a abrirem-se à vontade de Deus. “Não há ação pastoral que seja verdadeiramente ação de Cristo Pastor que não seja a partir d’Ele. Oração e escuta é fundamental. Não queiramos prender Deus aos nossos planos pré estabelecidos”, alertou D. Manuel Clemente aos membros dos conselhos pastorais e económicos das paróquias da vigararia.

Na celebração onde foi proclamado o Evangelho que relata o episódio da barca de Pedro, D. Manuel Clemente, afirmou que as comunidades cristãs são hoje “o único lugar onde, de uma maneira habitual, se reúnem as pessoas das mais diversas proveniências, idades, estatutos sociais, raças”. “Sabemos que esta é a barca onde o Senhor está e se dirige a cada um de nós”. “Cada uma das comunidades cristãs é uma rede e reúne as pessoas. Se não houvesse esta rede, estaríamos mais só do que hoje estamos porque a nossa cidade é um mundo de solidões... tanta gente que está só e que precisa entrar na rede...”, observou, na homilia, o Cardeal-Patriarca de Lisboa.

 

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Visita Pastoral é um “desafio” para as comunidades

A Visita Pastoral é um “desafio para as comunidades se redescobrirem, encontrarem-se, recentrarem-se naquilo que é o essencial e perceberem que não caminhamos sozinhos, num trilho inventado”, apontou o vigário de Lisboa II, cónego Paulo Franco, em declarações ao Jornal VOZ DA VERDADE. No início da visita pastoral, o sacerdote falou das duas dimensões da visita dos bispos às paróquias. “Por um lado, a oportunidade que o Bispo Diocesano tem de conhecer a realidade concreta de cada paróquia e perceber como é que as estão a caminhar. Por outro lado, a visita tem uma dimensão pastoral muito forte, pelo facto de uma comunidade se vir abençoada com a presença do sucessor dos apóstolos na sua paróquia, figura real de Cristo Bom Pastor no meio do seu povo”, observa.

Até 14 de abril as paróquias vão contar com a visita dos Bispos Auxiliares e com a presença do Cardeal-Patriarca em encontros vicariais. Sobre o que os prelados irão encontrar, o cónego Paulo Franco assegura que irão ficar “agradados com alguns sinais positivos da ação do Espírito e de fidelidade à vontade Deus”, mas também espera um novo impulso para melhorar alguns aspetos que “são ainda terreno de missão e desafios para a igreja concreta”.

Atualmente, o cónego Paulo Franco é também pároco de Nossa Senhora dos Navegantes, no Parque das Nações que, em 2022, prevê receber uma enchente de peregrinos para participar nas celebrações com o Papa, nos terrenos na margem norte do Rio Tejo. Para já, o sacerdote afirma que a paróquia está ainda a viver a “alegria e júbilo pela notícia” e espera que esta visita pastoral possa ser um fator maior de “motivação e compromisso da comunidade nesta aventura e missão” que é a JMJ. “Mais do que um evento é um caminho, um percurso que se faz em Igreja e é também um compromisso na ação evangelizadora e no apostolado da Igreja. Isso é muito importante”, afirma.

 

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Vigararia Lisboa II

A Vigararia Lisboa II é composta por 11 paróquias (Beato, Chelas [apenas administrativa], Marvila, Moscavide, Olivais, Olivais Sul, Parque das Nações, Portela, Santa Beatriz da Silva, Santo Eugénio, Vale de Chelas). De acordo com uma apresentação feita pelo Vigário, cónego Paulo Franco, existem aproximadamente 150 mil habitantes, com maior predominância da classe média. 70 a 75 % da população da Vigararia considera-se católica mas só 7 a 10% afirma ir pontualmente ou regularmente à Igreja, sobretudo para os sacramentos.

A vida pastoral das 11 paróquias da Vigararia Lisboa II revela “alguma vitalidade”. Segundo o sacerdote, nos últimos 10 anos houve 6000 batismos, 2000 crismas, 600 casamentos e 4000 primeiras comunhões. A catequese, do 1º ao 10º ano, conta com cerca de 2500 crianças e adolescentes e estão presentes, na Vigararia, cerca de 30 movimentos. A resposta social, prestada sobretudo pelas realidades sócio caritativas atinge cerca de 2000 pessoas.

 

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Veja as fotos do Encontro e Missa que assinalaram a abertura da Visita Pastoral à Vigararia Lisboa II em https://flic.kr/s/aHskRMxHFJ

texto e fotos por Filipe Teixeira
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