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“Quando rezamos, abrimo-nos ao grito de tanta gente, próxima ou distante?”
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No ciclo de catequeses sobre o Pai-Nosso, o Papa afirmou que no diálogo com Deus são lembrados “todos os pobres do mundo”. Nesta semana, a Santa Sé anunciou a aprovação de um milagre que vai permitir a canonização do Cardeal John Henry Newman e a criação de uma autoridade anticorrupção.

 

1. Na audiência geral, o Papa referiu que a oração cristã é comunitária e recorda “todos os pobres do mundo”. “As necessidades mais elementares do homem – como a de ter comida para matar a fome – estão todas no plural. Na oração cristã ninguém pede o pão para si: pede-se para todos os pobres do mundo”, assinalou Francisco na quarta-feira, 13 de fevereiro, perante cerca de 7 mil pessoas, no auditório Paulo VI.

No ciclo de catequeses sobre o Pai-Nosso, o Papa destacou que o diálogo com Deus “não é individualista”, mas é feito “desde e com a comunidade de irmãos e irmãs”.

“Quando reza, o cristão leva consigo as pessoas e as situações que vive, fazendo seus os sentimentos de Jesus, que sente compaixão por quantos se encontram no seu caminho. Também nós, quando rezamos, temos presentes as pessoas que não procuram Deus, porque Jesus não veio para salvar só os justos, mas todos”, declarou. A vida do mundo, realçou o Papa, não fica “fora da porta” quando um cristão se fecha no seu quarto, a rezar, num momento de silêncio e introspeção. “A verdadeira oração realiza-se no segredo da consciência, no fundo do coração: com Deus é impossível fingir, é como o olhar de duas pessoas, o homem e Deus, quando se cruzam”, precisou.

Francisco aludiu à ausência da palavra “eu” na oração do Pai Nosso. “Quando rezamos, abrimo-nos ao grito de tanta gente, próxima ou distante? Ou pensamos na oração como uma espécie de anestesia, para ficar mais tranquilo? Isto seria um erro terrível”, alertou.

No final do encontro, o Papa recebeu uma capa de honras mirandesa, confecionada por artesãs de Miranda do Douro. Francisco vestiu a capa e disse que os portugueses são muito fortes por carregarem uma capa com “tanto peso”, conta o presidente da Câmara de Miranda do Douro, Artur Nunes, que pediu ao Papa a “bênção para o povo mirandês”.

 

2. A Santa Sé anunciou, nesta quarta-feira, a aprovação de um milagre atribuído à intervenção do Cardeal John Henry Newman, permitindo que avance a sua canonização. O ex-anglicano inglês foi um grande líder intelectual na Igreja Católica do seu tempo e chegou a cardeal apesar de não ser bispo. Poderá ser canonizado formalmente ainda este ano. Nascido em 1801, o cardeal Newman é um dos mais famosos clérigos católicos ingleses dos últimos séculos. Ordenado inicialmente na Igreja Anglicana, iniciou um importante movimento intelectual de reaproximação à tradição católica, acabando por se tornar católico em 1854. Como Roma não reconhece a validade das ordens anglicanas, Newman teve de ser novamente ordenado para poder exercer o ministério na Igreja Católica. Rapidamente o sacerdote tornou-se uma das figuras mais influentes numa Igreja que ainda enfrentava discriminação num país oficialmente protestante. Uma das suas grandes causas era a denúncia do liberalismo na religião, que Newman argumentava que levaria necessariamente ao relativismo. Em 2010, o Papa Bento XVI visitou o Reino Unido e declarou Newman beato.  O decreto publicado esta quarta-feira não indica uma data para a canonização, mas o postulador da causa, o padre Ignatius Harrison, disse à revista inglesa “Catholic Herald” que espera que seja ainda este ano de 2019.

 

3.  O Papa Francisco criou uma autoridade anticorrupção para a Santa Sé, anunciou o Vaticano. A entidade é apresentada no parágrafo 3 do Artigo I do novo estatuto do gabinete do auditor geral, ligado ao Conselho para a Economia, que é agora apresentado como “autoridade anticorrupção” segundo a Convenção de Mérida (Convenção das Nações Unidas contra a Corrupção, adotada pela Assembleia Geral em 31 de outubro de 2003), em vigor para a Santa Sé desde 19 de outubro de 2016. Andrea Tornielli, diretor editorial da Secretaria para a Comunicação do Vaticano, destaca, em nota explicativa, o reforço das funções do auditor, cargo exercido de forma interina por Alessandro Cassinis Righini. O auditor geral passa a ter autoridade para aceder, sem qualquer impedimento, a “informações e documentos de natureza económica ou administrativa necessários para a realização da auditoria”. Este responsável deve informar o Conselho para a Economia, a Autoridade de Informação Financeira e a Autoridade Judiciária do Estado da Cidade do Vaticano competente em caso de identificar algum crime, no decurso da própria atividade.

 

4. Na habitual oração do Ângelus, no último Domingo, o Papa apelou à defesa das pessoas que são vítimas do tráfico de pessoas e de exploração sexual, dois dias depois da jornada mundial que a Igreja Católica dedicou a este tema. “Peço especialmente aos Governos que enfrentem com decisão as causas de tais chagas e que protejam as vítimas. Todos nós, no entanto, podemos e devemos colaborar, denunciando os casos de exploração e escravatura de homens, mulheres e crianças”, disse, desde a janela do apartamento pontifício, após a recitação da oração do Ângelus. Francisco convidou a “unir forças para vencer este desafio”, agradecendo a todos os que lutam por esta causa, em particular muitas religiosas católicas. Os peregrinos reunidos na Praça de São Pedro receberam uma oração a Santa Josefina Bakhita, religiosa sudanesa que foi vendida como escrava, como criança, enfrentando “dificuldades e sofrimentos indescritíveis”. O Papa recitou a oração, em conjunto com os participantes no encontro dominical, evocando todos os que vivem na escravidão ou são vítimas do tráfico de pessoas. “Suplicamos-te que rezes e intercedas por todos nós, para que não caiamos na indiferença, que abramos os olhos e possamos olhar para as misérias e as feridas de tantos irmãos e irmãs privados da sua dignidade e da sua liberdade, ouvindo o seu grito de ajuda”, pediu o Papa.

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