Missão |
Fátima Lourenço, Fundação João XXIII/Casa Oeste
“Ficará para sempre no meu ADN”
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Fátima Lourenço nasceu a 11 de maio de 1975, em Torres Vedras. É “mãe, doméstica, amiga do seu amigo, voluntária e família de acolhimento de crianças da Guiné”. Participou em missões humanitárias com a Fundação João XXIII/Casa Oeste.

 

Fátima tem o 12º ano de escolaridade. Destaca dois marcos importantes na sua vida: “O nascimento dos meus dois filhos (um rapaz de 18 anos e uma menina de 12) e também a minha primeira viagem à Guiné Bissau em missão humanitária através da Fundação João XXIII/Casa Oeste.” É cristã, mas diz que “acima de tudo a minha religião é o AMOR, fazer o bem sem olhar a quem é um dos meus lemas, independentemente da cor, raça, religião ou condição social.” Teve sempre o sonho de “de fazer uma missão humanitária em África, mas por diversas razões nunca tinha acontecido, até que uns grandes amigos (Gustavo e Sofia), que sabiam deste meu sonho, me ofereceram a viagem à Guiné. Começava assim a minha primeira aventura em terras africanas.”

 

“São verdadeiros milagres!”

Teve a sua primeira missão humanitária de 27 de fevereiro a 7 de março de 2018 e partilha na primeira pessoa: “O nervoso miudinho percorria-me nas veias, o meu coração palpitava, o meu sonho estava a concretizar-se. Na chegada à Guiné… meu Deus! Que emoção. Nesta primeira missão foram várias as instituições que visitamos: Orfanato Bambaram, Orfanato Casa Emanuel, Clínica Bom Samaritano (Ondame), Clínica Materno Infantil da Irmã Valéria (Nhoma), Hospital Simão Mendes, Hospital da Cúmura, AIDA (organização espanhola com sede em Bissau, com quem a Fundação tem parceria em projeto saúde). Nas malas levava materiais escolares, bolas de futebol, rebuçados, balões, mas o que mais tinha para oferecer era AMOR. Foi uma missão que me deixou muitas vezes de lágrimas a escorrer pela cara, porque sou muito emotiva e a realidade da Guiné é muito diferente da Portuguesa. Pude ver e perceber, no entanto, que são felizes com o pouco que têm. Foram oito dias onde dei muito, mas recebi muito mais. Depois de regressar a Portugal tive a oportunidade de conhecer melhor os projetos da Fundação João XXIII/ Casa Oeste, sobretudo o das Famílias de Acolhimento. Este projeto tem como principal objetivo o acolhimento de crianças guineenses que são evacuadas para Portugal para avaliação e tratamento médico/ cirúrgico nas áreas de Cardiologia e Oncologia Pediátricas nos Hospitais de Coimbra e IPO Lisboa. A Fundação trabalha em parceria com a AIDA no processo de evacuação destas crianças para Portugal. Foi então que me perguntaram se queria ser uma das Famílias de Acolhimento, Famílias do Coração, aceitei claro! Passadas três semanas, a 21 março chegaria a primeira criança que acolhi, um menino de nome Lamine, com 15 meses e que tinha um problema cardíaco. Foi operado ao coração e a cirurgia correu muito bem. Esteve cá em casa quatro meses e uma semana, regressou á Guiné para junto dos pais a 31 julho. Depois, a 24 outubro, acolhi outra criança, desta vez uma menina a Claudine de treze meses, também cardíaca. Esta menina esteve menos tempo, apenas 44 dias, foi submetida a cateterismo que correu com sucesso não sendo necessária mais nenhuma intervenção. Regressou à Guiné comigo, onde a entreguei aos pais. Estes meus filhos do coração vieram trazer uma grande alegria á minha família, que foram os meus pilares. Ficámos com o sentimento de missão cumprida porque estas crianças vieram doentes e voltaram curadas, os médicos (e nós com o amor que lhes damos) são verdadeiros milagres. Com e em Amor tudo dá certo. A despedida não é fácil, mas amar é saber deixar partir e elas pertencem a Guiné e às suas famílias que sofreram com a vinda de seus filhos, mas entre virem para cá e se curarem ou ficarem lá e acontecer o pior, o amor que lhes têm prevaleceu, amor incondicional. Aguardo a terceira criança que chegará em breve. Sou grata a Deus, à vida, à Fundação João XXIII/Casa Oeste, ao Sr. Padre Batalha (presidente da Fundação), à Filomena Almeida (coordenadora do projeto das famílias de Acolhimento/ Famílias do Coração) e à AIDA por me terem dado a oportunidade de ajudar estas crianças. Recentemente eu e uma amiga (também ela Família de Acolhimento, a Paula Sequeira) integramo-nos no projeto a fim de podermos auxiliar a Fundação e a coordenadora do projeto em diversas tarefas, ir buscar e levar as crianças ao aeroporto, papeladas, auxiliar as outras famílias quando assim é necessário.”

 

Um sentimento de Paz por mais uma missão cumprida

Considera que a sua segunda missão humanitária (entre 6 e 14 dezembro de 2018) foi também muito marcante. Foi uma “missão de cardiologia onde eu e Filomena Almeida auxiliamos a Dr.ª Joana Marinho, médica de Cardiologia Pediátrica do Hospital Pediátrico de Coimbra, um médico guineense Dr. Fernando e um enfermeiro também guineense (o Upa) nas consultas que foram efetuadas na Clínica ‘Céu e Terra’. Foi maravilhoso ajudar com as crianças, umas sorriem, outras têm medo e dizem “é branco”, mas ao verem chupetas (chupas) e balões esquecem a nossa cor. Ainda houve tempo para visitarmos algumas instituições, dias muito intensos, mas que me deixam realizada.”

Sempre que regressa a Portugal sente “nostalgia, mas com o sentimento de Paz por mais uma missão cumprida, e com a certeza que voltarei em breve. É como diz a coordenadora, "primeiro estranha-se, depois entranha-se, depois fica no ADN. No meu ficará para sempre”.

texto por Catarina António, FEC | Fundação Fé e Cooperação
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