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“O nosso amor é frágil e intermitente, mas existe outro amor: o amor do Pai”
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O Papa Francisco falou do amor do Deus. Na semana em que, no Vaticano, está a decorrer a cimeira sobre ‘A proteção dos menores na Igreja’, o Papa reduziu ao estado laical o antigo cardeal McCarrick e pediu a líderes mundiais para que a fome não tenha futuro.

 

1. O Papa lembrou que “nada na vida” pode apagar “o amor de Deus” pela humanidade. “Quando chamamos «Pai» a Deus, temos em mente a figura do nosso pai terreno; mas este – o nosso pai terreno – não era perfeito, como nós próprios, aliás, também não seremos pais ou pastores perfeitos. As nossas relações de amor estão sempre marcadas pelos nossos limites e o nosso egoísmo, inquinadas por desejos de domínio ou de manipulação do outro. Somos mendigos que corremos o risco de nunca encontrar, na própria estrada, aquele tesouro que procuramos desde o primeiro dia da vida: o amor. Por isso, ao aplicar a Deus a imagem que temos do nosso pai, precisamos de a afinar, purificar. O amor de Deus é o do Pai «que está nos céus», como Jesus nos convida a rezar: «Pai Nosso, que estais nos céus». O nosso amor é frágil e intermitente, mas existe outro amor: o amor do Pai, que está nos céus; é o amor total, que nesta vida saboreamos apenas de forma imperfeita. A sede de amor, que todos sentimos, é o convite a conhecer Deus que é Pai. Por exemplo, a conversão de Santo Agostinho passou por aqui: aquele jovem e brilhante orador procurava simplesmente entre as criaturas algo que nenhuma criatura lhe podia dar, até ao dia em que teve a coragem de levantar o olhar; nesse dia, conheceu Deus. A expressão «que estais nos céus» não significa distância, mas uma diversidade radical, outra dimensão. Por isso, meus irmãos e minhas irmãs, não temais! Nenhum de nós está sozinho! Se, por infeliz sorte, teu pai terreno se tivesse esquecido de ti e, por isso, estivesses zangado com ele, quero que saibas que não te é negada a experiência fundamental da fé cristã: a de saber que és filho muito amado de Deus e que nada na vida pode apagar este amor d’Ele por ti”, referiu o Papa, na audiência-geral de quarta-feira, 20 de fevereiro, na Sala Paulo VI, no Vaticano.

 

2. A Santa Sé apresentou, esta segunda-feira, dia 18, a cimeira sobre os abusos sexuais sobre menores que decorre desde dia 21 até este Domingo, 24 de fevereiro, em Roma. Numa longa conferência de imprensa, alguns dos protagonistas, incluindo dos maiores especialistas da Igreja sobre esta questão, explicaram como vai funcionar a cimeira que junta os presidentes das Conferências Episcopais de todo o mundo e que temas serão abordados em cada dia. Os primeiros três dias do encontro serão dedicados respetivamente aos temas da responsabilidade, responsabilização e transparência. Contarão com várias intervenções, incluindo dos cardeais Tagle, Gracias, Cupich e Marx e do arcebispo Scicluna. Falarão ainda duas mulheres ligadas mais diretamente a estruturas da Igreja e, no final, Valentina Alazraki, uma veterana vaticanista mexicana, que falará da importância da comunicação social em toda esta problemática. Em cada dia, no final das apresentações, os bispos reúnem-se em grupos de trabalho, divididos por línguas, para discutir os temas e uma síntese dessas reuniões será apresentada no final. Haverá ainda uma liturgia penitencial no sábado e testemunhos de vítimas de abusos que serão feitas ao longo dos quatro dias do encontro. A cimeira inicia com uma breve introdução do Papa Francisco e termina com um discurso, também do Papa, neste Domingo de manhã. Nesse dia, Francisco celebra Missa com todos os participantes.

Ao todo, participam na cimeira 190 pessoas, incluindo 114 presidentes de Conferências Episcopais, 14 bispos em representação das Igreja Católicas de rito oriental e 15 bispos de zonas onde não existem conferências episcopais. Haverá ainda 12 religiosos e 10 religiosas e mais 10 cardeais da Cúria romana.

 

3. O Papa Francisco pediu orações para a cimeira sobre ‘A proteção dos menores na Igreja’, que decorre de 21 a 24 de fevereiro. “Convido-os a rezar nestes dias pelo encontro sobre a proteção de menores na Igreja”, pediu o Papa, na sua conta no Twitter, no dia 18, referindo-se ao encontro com os presidentes de todas as Conferências Episcopais, nesta semana. Francisco reafirmou a proteção dos menores como um “ato de forte responsabilidade pastoral” e um “desafio urgente do nosso tempo”.

Refira-se que a Santa Sé criou um site (www.pbc2019.org) para a cimeira, que tem já publicados vários dados e onde serão divulgados também os discursos dos intervenientes, entre outro material.

 

4. O Vaticano anunciou, na manhã do passado sábado, 16 de fevereiro, a redução ao estado laical do ex-cardeal Theodore Edgar McCarrick. É a primeira vez que tal pena é aplicada a um membro do Colégio dos Cardeais. O comunicado agora emitido vem confirmar o decreto do Congresso da Congregação para a Doutrina da Fé, de 11 de janeiro, que considerava aquele cardeal culpado de vários crimes de abuso sexual. McCarrick é considerado culpado de solicitação de natureza sexual durante o sacramento da confissão e de atos de natureza sexual com menores e adultos – o que o comunicado refere como “pecados contra o Sexto Mandamento” – com “a agravante de abuso de poder”.

Theodore McCarrick tinha recorrido da decisão, os argumentos apresentados no recurso foram analisados no dia 13 de fevereiro, em sessão ordinária da Congregação para a Doutrina da Fé, mas não tiveram deferimento. Ficou, assim, confirmado o decreto do Congresso da mesma Congregação. No dia 16 de fevereiro, “o Papa reconheceu a natureza definitiva da decisão, tornando-a ‘res iudicata’ (qualidade conferida a uma sentença judicial contra a qual não cabem mais recursos).

 

5. O Papa Francisco pediu a todos os governos do mundo que criem condições para que as populações rurais mais pobres possam vencer a batalha contra a fome e a miséria. “Estar empenhado nesta luta é essencial para que possamos escutar não como um slogan, mas sim de verdade. A fome não tem presente nem futuro, só passado”, referiu o Papa, no Vaticano, na inauguração da reunião do Conselho de Governadores do Fundo Internacional de Desenvolvimento Agrícola (FIDA), convidando a “fomentar uma ‘ciência com consciência’, para que a tecnologia seja realmente usada ao serviço dos pobres” e para que “as novas tecnologias não se contraponham às culturas locais nem aos conhecimentos tradicionais, mas sim que sejam complementares”.

Aura Miguel, jornalista da Renascença, à conversa com Diogo Paiva Brandão
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