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Papa: “O mal tem os dias contados”
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O Papa Francisco falou sobre o mal. Na semana em que foi publicada a Mensagem do Papa para a Quaresma, um cardeal foi preso, um carro desportivo ajudou os cristãos do Iraque e Francisco alertou para o “paradoxo dramático” que marca a relação do Homem com a tecnologia.

 

1. Na primeira audiência-geral após a cimeira sobre a proteção de menores na Igreja, o Papa assegurou que “o mal tem dias contados, não é eterno”. “O mal tem dias contados, o mal já não pode prejudicar-nos: o homem forte que toma posse de sua casa chegou. E este homem forte é Jesus”, declarou, na passada quarta-feira, 27 de fevereiro. Na Praça de São Pedro, Francisco prosseguiu a reflexão sobre o Pai-Nosso. “A oração afasta todo o medo. O Pai ama-nos; o Filho levanta os braços, lado a lado com o nosso; o Espírito trabalha em segredo para a redenção do mundo. Nós não vacilamos na incerteza”, observou. Perante esta certeza, sustentou o Papa, “o mal tem medo”. “Rezamos, dizendo: Santificado seja o teu nome! Neste pedido – o primeiro – pode sentir-se toda a admiração de Jesus pela beleza e grandeza do Pai, e o desejo de que todos o reconheçam e amem pelo que Ele realmente é”, salientou. “Ao mesmo tempo, há a súplica de que o seu nome seja santificado em nós, na nossa família, na nossa comunidade, em todo o mundo. É Deus que nos santifica, que nos transforma com o seu amor, mas também somos nós que, através do nosso testemunho, manifestamos a santidade de Deus no mundo, tornando o seu nome presente”, acrescentou.

O Papa realçou, por isso, que o mal dos cristãos “escandaliza” e se a sua vida “não é santa, há uma grande incoerência”. A reflexão aludiu à “confiança no Pai” que é manifestada nas súplicas da oração cristã. “Deus é como aquelas mães que precisam apenas de um olhar para perceber tudo sobre os filhos: se estão felizes ou tristes, se são sinceros ou escondem alguma coisa”, afirmou.

 

2. Na Mensagem para a Quaresma, o Papa apelou à “conversão” na relação da humanidade com a natureza, levando a estilos de vida mais solidários e ecológicos. “Quando não vivemos como filhos de Deus, muitas vezes adotamos comportamentos destruidores do próximo e das outras criaturas – mas também de nós próprios –, considerando, de forma mais ou menos consciente, que podemos usá-los como bem nos apraz”, escreveu Francisco, num texto divulgado pelo Vaticano, no passado dia 26 de fevereiro. A mensagem, que tem como tema ‘A criação encontra-se em expetativa ansiosa, aguardando a revelação dos filhos de Deus’, retirado da carta de São Paulo aos Romanos, alerta para as consequências do que é apresentado como a “intemperança”, uma atitude que “viola os limites que a nossa humana e a natureza pedem para respeitar”.

O Papa contrapõe a “lei de Deus, a lei do amor” à “lei do mais forte sobre o mais fraco”, considerando que esta é uma manifestação do mal, “como avidez, ambição desmedida de bem-estar, desinteresse pelo bem dos outros e muitas vezes também pelo próprio”. Esse mal leva à “exploração da criação (pessoas e meio ambiente)”, para alimentar uma “ganância insaciável que considera todo o desejo como um direito”.

O Papa propõe ainda a todos os católicos uma caminha de preparação para a Páscoa marcada pelo “arrependimento, a conversão e o perdão”, com manifestações na vida pessoal e social, “particularmente através do jejum, da oração e da esmola”. “Peçamos a Deus que nos ajude a realizar um caminho de verdadeira conversão. Abandonemos o egoísmo, o olhar fixo em nós mesmos, e voltemo-nos para a Páscoa de Jesus; façamo-nos próximo dos irmãos e irmãs em dificuldade, partilhando com eles os nossos bens espirituais e materiais”, conclui o texto.

 

3. O Tribunal de Melbourne ordenou a detenção do cardeal australiano George Pell, considerado culpado por cinco crimes de abuso sexual de menores. A fiança foi revogada e o antigo conselheiro do Papa fica preso até conhecer a sentença a 13 de março. Pell é o clérigo com o cargo mais elevado de sempre no Vaticano a ser condenado pelo abuso sexual de menores, tendo desempenhado funções de conselheiro económico do Papa Francisco. A justiça australiana condenou-o por cinco crimes de ofensa sexual contra dois rapazes de 13 anos, que pertenciam a um coro. Os atos aconteceram há 22 anos, na sacristia da Catedral de São Patrício, em Melbourne, onde George Pell era arcebispo.

 

4. A Fundação AIS ‘transformou’ o Lamborghini doado pelo Papa num jardim-de-infância e num centro polivalente para os cristãos da Planície de Nínive, no Iraque. Em 15 de Novembro de 2017, Francisco doou a esta fundação parte dos lucros do leilão de um automóvel de marca Lamborghini, que lhe foi oferecido pelo fabricante de carros desportivos, e que rendeu 200 mil euros. “Concluído este processo, a Fundação AIS vai agora concretizar o gesto solidário do Papa Francisco, financiando a reconstrução de dois edifícios da Igreja Católica destruídos durante os anos em que a região esteve subjugada pelos terroristas do auto-proclamado Estado islâmico. Os edifícios que vão voltar a ganhar vida graças à generosidade do Papa – um jardim-de-infância e um centro paroquial polivalente – têm em comum o facto de ambos ostentarem o nome “Virgem Maria” e de estarem situados em Bashiqa, a cerca de 30 quilómetros de Mossul”, revela um comunicado da fundação.

 

5. O Papa alertou para o “paradoxo dramático” que marca a relação atual entre o Homem e a Tecnologia e destacou a urgência de uma “aliança ética a favor da vida humana”. Se “por um lado a humanidade possui atualmente a capacidade científica e técnica para atingir uma era de bem-estar generalizado”, ela continua, no entanto, “espartilhada por conflitos e pelo crescimento desmesurado das desigualdades, que ameaça a unidade da família humana e o seu futuro”, apontou o Papa, durante a audiência aos membros da Pontifícia Academia para a Vida, reunidos em assembleia plenária em Roma, dedicada ao tema ‘Roboética: pessoas, máquinas e saúde’.

Francisco frisou ainda que “a evolução tecnológica tem gerado um encantamento perigoso”, que em vez de “fornecer mais-valias para a subsistência humana”, concorre para “consignar toda a vida à lógica dos dispositivos”, uma lógica destinada a ter “efeitos nefastos”. Quando “a máquina não se limita a andar sozinha, mas acaba por guiar o Homem”, isso “reduz a razão humana a uma racionalidade alienada dos seus efeitos”, algo que “não pode ser considerado digno do Homem”, alertou.

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