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“Jesus veio, mas o mundo está ainda marcado pelo pecado”
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O Papa sublinhou que “a vitória de Cristo ainda não se realizou completamente”. Na semana em que foi publicado um novo ‘O Vídeo do Papa’, Francisco decidiu abrir os arquivos do Papa Pio XII, visitou uma paróquia de Roma e alertou que “pela língua começam as guerras”.

 

1. O Papa Francisco lamentou os “muitos homens e mulheres” que “vivem ainda com o coração fechado”. Foi durante a audiência-geral de quarta-feira, 6 de março, ao prosseguir a catequese sobre a oração do Pai-Nosso. “«Venha a nós o vosso reino!»: rezamos no Pai-Nosso. Jesus começou a sua pregação na Galileia proclamando: «O Reino de Deus está próximo»; e, como sinais da sua chegada, «os cegos veem e os coxos andam, os leprosos ficam limpos e os surdos ouvem, os mortos ressuscitam e a Boa Nova é anunciada aos pobres». Entretanto, ainda hoje há tanta gente que sofre, tantas pessoas que não perdoam nem se reconciliam, há guerras e tantas formas de exploração: tudo isto prova que a vitória de Cristo ainda não se realizou completamente. Jesus veio, mas o mundo está ainda marcado pelo pecado: muitos homens e mulheres vivem ainda com o coração fechado. Daí a nossa súplica insistente: «Venha a nós o vosso Reino», que equivale a dizer: «Temos necessidade de Vós, Jesus; precisamos que sejais Senhor no meio de nós, sempre e em toda a parte». Por vezes surge a pergunta: Mas, porque é que este Reino se realiza tão lentamente? O Reino de Deus é certamente uma grande força, a maior força que existe, mas não segundo os critérios do mundo; parece que nunca tem a maioria absoluta. É como o fermento na massa: aparentemente desaparece, quando na verdade é ele que leveda a massa. Ou como o grão de trigo semeado no campo: morre na terra, mas só assim pode dar fruto. São as surpresas de Deus! Na verdade, recorrendo à imagem do gão de trigo que precisa de morrer para dar fruto, Jesus explicou o seu destino de morte e ressurreição. Graças a Ele, depois da noite de Sexta-feira Santa, há uma madrugada de Ressurreição, capaz de iluminar e encher de esperança o mundo inteiro”, referiu o Papa, na audiência-geral de quarta-feira, na Praça de São Pedro, no Vaticano.

 

2. O Papa convidou os católicos a rezarem pelos “mártires” da atualidade. “Talvez seja difícil de acreditar, mas hoje há mais mártires do que nos primeiros séculos”, refere Francisco, na edição mensal de ‘O Vídeo do Papa’, divulgado no passado dia 5, com a sua intenção de oração para o mês de março. Segundo o Papa, estes fiéis são perseguidos porque “dizem a verdade e anunciam Jesus Cristo para esta sociedade”. “Isso acontece especialmente onde a liberdade religiosa ainda não está garantida, mas também em países onde, em teoria e nas leis, se tutela a liberdade e os direitos humanos”, adverte. “Rezemos para que as comunidades cristãs, em particular as que são perseguidas, sintam a proximidade de Cristo e vejam os seus direitos reconhecidos”, convidou.

 

3. O Papa decidiu abrir toda a documentação do pontificado de Pio XII à consulta dos investigadores. Estes documentos têm sido mantidos sob reserva. Os arquivos serão abertos a partir de março de 2020, anunciou Francisco esta segunda-feira, 4 de março, numa audiência aos responsáveis e trabalhadores dos arquivos secretos do Vaticano, chefiados pelo arcebispo português Tolentino de Mendonça. Na comunicação, o Papa afirmou que toma a decisão “de ânimo sereno e confiante”, na certeza de que “uma investigação histórica e objetiva saberá trazer à luz e avaliar de modo crítico” aquele pontificado que, “no meio das trevas e de tanta crueldade”, tentou “manter a chama das iniciativas humanitárias” e “ativa a diplomacia da esperança”.

Recorde-se que o pontificado de Pio XII atravessou o período da II Guerra Mundial (1939-1958). Os judeus alegam que o Papa foi pouco brando com a Alemanha de Hitler, mas o Vaticano diz que Pio XII trabalhou nos bastidores com vista a salvar aquele povo do Holocausto. Francisco sublinhou que “a Igreja não tem medo da História” e que, por isso, à semelhança dos Papas anteriores, abre e confia aos investigadores este património documental.

Entretanto, o Comité Judaico Americano já reagiu, considerando que a medida irá permitir uma avaliação objetiva do papel da Igreja durante o Holocausto.

 

4. O Papa realizou uma Visita Pastoral à paróquia romana de São Crispim de Viterbo, em Labaro, tendo-se encontrado com crianças e adolescentes da catequese, pobres e sem-abrigo, doentes e pessoas com deficiência, antes da celebração da Missa. Com as crianças, explicou-lhes que o diabo é um mentiroso. “No Evangelho, ele é chamado de o pai da mentira”. E acrescentou: “Como se defender? Com a oração”, referiu, sublinhando que o diabo “faz o oposto do que dizem os Mandamentos” e que Jesus é “bom, verdadeiro e diz sempre a verdade”. O Papa convidou ainda a dirigirem-se a Maria, “a Mãe de Deus”. “Foi Ela quem nos trouxe Jesus. Para nos defender do mentiroso, do diabo, devemos procurar Maria e dizer-lhe: ‘Mãe, ajuda-me como ajudou o seu Filho, Jesus’. Portanto, a oração. Depois, falar com os catequistas, falar em casa”, convidou. “Quando estou com as crianças, com os jovens, sinto alegria porque vejo que Jesus está entre vocês, que vocês abriram o coração a Jesus e Jesus vem até vocês. O coração é sempre aberto a Jesus: se nós temos o coração fechado, Jesus não pode entrar. Sinto também a alegria de ver que vocês têm vontade de se abrir a Jesus”, manifestou.

 

5. O Papa Francisco alertou para as consequências da maledicência e da “hipocrisia” de quem é muito duro no julgamento dos outros, sem se preocupar em corrigir os próprios defeitos. “Pela língua começam as guerras”, assinalou o Papa, antes da oração do Angelus.

Perante milhares de peregrinos reunidos na Praça de São Pedro, no passado Domingo, 3 de março, Francisco recordou os ensinamentos apresentados por Jesus Cristo, nas passagens do Evangelho que são lidas hoje nas igrejas de todo o mundo, criticando, em particular, a “bisbilhotice”. “Falar mal dos outros… Isto destrói: a família, a escola, o local de trabalho, o bairro”, advertiu. “Perguntemo-nos: eu falo mal dos outros? Procuro sempre denegrir os outros? É mais fácil ver os defeitos dos outros do que os meus? Procuremos corrigir-nos, pelo menos um pouco, vai fazer-nos bem a todos”, assegurou.

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