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DOMINGO III DA QUARESMA Ano C

“Vou cavar-lhe em volta e deitar-lhe adubo.

Talvez venha a dar frutos.”

Lc 13, 8-9

 

São constantes as notícias de sofrimento e mal. Das tragédias naturais, como a do ciclone no centro de Moçambique e o mar imenso de destruição e sofrimento, às violências e indiferenças que são fruto de actos humanos, ou melhor, desumanos, a lista é imensa. E como o longe faz-se perto sobressalta-se-nos o coração a cada instante. Entre a atenção e algum desejo de “desligar” não conseguimos ficar indiferentes à humanidade que sofre. Por isso, começamos a fazer diferença quando vencemos a indiferença e nos empenhamos na mudança. Não é isso que significa “conversão”?

 

Há sofrimento inevitável que convive com aquele que é evitável. E ainda que se passe do primeiro ao segundo com muita facilidade, é este que está nas nossas mãos transformar. Se não podemos mudar as causas do primeiro, podemos intervir naquelas que provocam o segundo. Podemos voltar-nos para Deus e interrogá-l’O pela sua aparente passividade. Mas não se revelou Ele a Moisés como aquele que “vê, escuta, desce, para levar o seu povo a uma terra boa e espaçosa” (cf. Ex. 3, 7-8)? A grande diferença é que Deus “não gosta” de fazer sozinho o que pode fazer connosco. Conhece-nos bem e sabe como aprendemos e apreciamos melhor aquilo em que trabalhamos. Por isso nos fez responsáveis pela criação e anda também connosco a “fazer novas todas as coisas” (cf. Ap 21, 5)!


Continuamos a considerar o mal que não entendemos como um castigo ou uma distracção de Deus? Gastamos mais tempo e energias a procurar as “culpas” ou a transformar os corações e as situações da vida? Jesus liberta de uma imagem de Deus a contabilizar pecados e méritos para distribuir castigos e recompensas. A nossa responsabilidade está ligada aos sofrimentos inúteis e destruidores, fruto de escolhas egoístas e atitudes violentas, que propagam o mal em todas as direcções. Sim, o amor de Deus abraça tudo e todos, e é esse amor que nos responsabiliza em tudo o fazemos.

 

A diferença da atitude do vinhateiro é a que nos é pedida. Perante a justa pretensão do dono da vinha que, ao longo de três anos, não encontra frutos na figueira, o vinhateiro joga tudo na esperança. Pede mais um ano. Oferece mais trabalho a cavar a terra em seu redor e a adubá-la. Mostra um carinho inesperado e uma atitude diferente. Se a figueira nos representa e o vinhateiro é Cristo, como havemos de não frutificar? Começando por não ficar indiferentes a tanto cuidado, mais atentos à dor dos outros, arriscando reparar injustiças e trabalhar para o bem de quem precisa, em vezes de ficar por discursos ou análises. A diferença que vence a indiferença é a surpresa de uma esperança activa. Se Deus a tem connosco, não a podemos ter com todos os que nos rodeiam?

P. Vítor Gonçalves (ilustração por Tomás Reis)
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