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Papa manifesta “dor e proximidade” a Moçambique
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O Papa Francisco lamentou a “devastação” provocada pela passagem do ciclone Idai em Moçambique. Na semana em que apelou ao combate contra o “cancro da corrupção”, o Papa enviou uma mensagem às vítimas do “horrível atentado” na Nova Zelândia, convidou à promoção do bem-estar de todos e manifestou o desejo de visitar o Sudão do Sul.

 

1. O Papa Francisco lamentou a “devastação” provocada pela passagem do ciclone Idai em Moçambique, Maláui e Zimbabué, que já provocou mais de 300 mortos, segundo balanços provisórios divulgados pelos respetivos governos. “Nestes dias, grandes inundações semearam luto e devastação em diversas regiões de Moçambique, Zimbabué e Malawi. Manifesto a estas populações a minha dor e a minha proximidade”, referiu o Papa, no final da audiência-geral de quarta-feira, 20 de março. “Confio as muitas vítimas e suas famílias à misericórdia de Deus e imploro conforto e apoio para os que foram atingidos por esta calamidade”, acrescentou.

Durante o encontro público semanal, na Praça de São Pedro, no Vaticano, o Papa prosseguiu a catequese sobre o Pai Nosso. “A terceira invocação do Pai-Nosso, ‘seja feita a Vossa vontade’, lembra-nos que a vontade de Deus é que “todos os homens se salvem e cheguem ao conhecimento da verdade”. De facto, quando rezamos pedindo que se realize em nós e no mundo a vontade de Deus, longe de nos predispormos a uma humilhante submissão servil, nós fazemos um ato de confiança de que, apesar de todas as dificuldades, obstáculos e sofrimentos, o nosso Pai do céu nunca nos abandonará. Desse modo, nos associamos à oração de Jesus no Getsémani, que quando experimentou a angústia orou: “Não seja feita a minha, mas a vossa vontade”! Fazer a vontade de Deus significa também estar dispostos a contribuir para evitar tudo aquilo que Deus não quer para o homem e para o mundo, como o ódio e a guerra, e a promover tudo o que seja o bem, a vida e a salvação”, manifestou Francisco.

 

2. O Papa apelou ao combate contra o “cancro da corrupção”, numa audiência concedida aos funcionários do Tribunal de Contas Italiano. “O controlo rigoroso das despesas trava a tentação, comum naqueles que ocupam cargos políticos ou administrativos, de gerir os recursos não de modo cauteloso, mas para fins de clientelismo e de mero consenso eleitoral”, assinalou, durante a audiência que decorreu na Sala Paulo VI, no passado dia 18 de março.

Francisco sustentou que os recursos públicos “devem ser tutelados para o bem de todos, especialmente dos mais pobres”, destacando a importância de uma função de vigilância, que identifique “comportamentos ilícitos” e evite uma “utilização irresponsável”. “A sociedade, no seu conjunto, é chamada a esforçar-se concretamente para contrariar o cancro da corrupção nas suas várias formas”, salientou. O Papa destacou as consequências da corrupção “tanto no plano ético quanto no plano económico” e ressaltou que o Tribunal de Contas realiza um serviço “indispensável”, orientado para o bem comum. “Os administradores públicos devem sentir cada vez mais a responsabilidade de atuar com transparência e honestidade, favorecendo assim a relação de confiança entre o cidadão e as instituições, cujo distanciamento é uma das manifestações mais graves da crise da democracia”, concluiu o Papa.

 

3. O Papa Francisco deixou, no Domingo, 17 de março, uma mensagem às vítimas do “horrível atentado” de sexta-feira, contra duas mesquitas na Nova Zelândia, que provocou 50 mortos. “Rezo pelos mortos e seus familiares. Estou próximo dos nossos irmãos muçulmanos e de toda aquela comunidade e renovo o convite à união, com a oração e gestos de paz, para combater o ódio e a violência”, garantiu, na janela do apartamento pontifício, após a recitação da oração do Angelus. Perante milhares de peregrinos reunidos na Praça de São Pedro, Francisco evocou “a dor das guerras e conflitos que não param de afligir a humanidade”, a que se somou a dar pelas “vítimas do horrível atentado contra duas mesquitas em Christchurch”, uma das principais cidades neozelandesas. “Rezemos juntos, em silêncio, pelos nossos irmãos muçulmanos que foram mortos”, pediu.

Na tradicional catequese de Domingo, o Papa convidou os peregrinos e visitantes reunidos no Vaticano a refletir sobre a “perspetiva cristã do sofrimento”, que não é um “sadomasoquismo”, mas uma “passagem necessária, transitória”. “O ponto de chegada a que somos chamados é luminoso como o rosto de Cristo transfigurado: nele está a salvação, a bem-aventurança, a luz, o amor de Deus sem limites. Mostrando a sua glória, Jesus assegura-nos que a cruz, as provações, as dificuldades com que nos debatemos têm a sua solução e a sua superação na Páscoa”, observou.

 

4. Ao receber os membros da Confederação das Cooperativas Italianas, por ocasião do centenário da instituição, o Papa destacou o “milagre da cooperação”. “O milagre da cooperação é uma estratégia de equipa que abre uma brecha no muro de uma multidão indiferente, que exclui os mais fracos. As Cooperativas Italianas devem opor-se, como fizeram nestes cem anos de atividades, ao individualismo e promover o bem-estar de todos e não os interesses de poucos. Estou ciente de que a cooperação cristã é o caminho certo, embora possa parecer economicamente lento, mas é o mais eficaz e seguro”, apontou Francisco, recordando a origem das Cooperativas, que remontam à inspiração do “grande apelo da encíclica ‘Rerum novarum’ de Leão XIII”. “A Doutrina Social da Igreja é um sinal de esperança porque não permaneceu uma palavra morta ou um discurso abstrato, mas se tornou vida, graças a homens e mulheres que a transformaram em gestos pessoais e sociais concretos, visíveis e úteis”, referiu o Papa.

 

5. O Papa recebeu o presidente da República do Sudão do Sul, Salva Kiir Mayardit, e manifestou o desejo de visitar o país, “como sinal de proximidade à população e de encorajamento ao processo de paz”, informou a Santa Sé, no dia 16 de março. Segundo o comunicado, durante o encontro foram evidenciadas as boas relações bilaterais, além da contribuição da Igreja Católica no âmbito da saúde e da educação e no processo de reconciliação e de reconstrução do país. A conversa prosseguiu sobre a aplicação do acordo alcançado recentemente pelos políticos locais, tendo em vista uma solução definitiva dos conflitos, do regresso dos deslocados e refugiados e do desenvolvimento integral da nação.

Aura Miguel, jornalista da Renascença, à conversa com Diogo Paiva Brandão
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