Liturgia |
Os Padres da Igreja ao ritmo da Liturgia
«Filho, tu estás sempre comigo e tudo o que é meu é teu»
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Se alguém está em Cristo, é uma nova criatura. As coisas antigas passaram; tudo foi renovado. Tudo isto vem de Deus, que por Cristo nos reconciliou consigo e nos confiou o ministério da reconciliação. Na verdade, é Deus que em Cristo reconcilia o mundo consigo, não levando em conta as faltas dos homens e confiando-nos a palavra da reconciliação. Nós somos, portanto, embaixadores de Cristo. (II Cor. 5,17-20)

 

Eusébio, bispo de Cesareia Marítima, no séc. IV, é considerado como o primeiro historiador da Igreja. Numa das suas obras, anterior a 337 e dedicada ao imperador Constantino, intitulada Sobre a Solenidade da Páscoa, 1-4.7, escreveu:

Foi nesta época (da Primavera) que o Salvador de todo o mundo realizou o mistério da sua própria festa (como outrora, nesta época, fora celebrada a sua imagem). Tudo isso tem lugar na festa da salvação ... Ele próprio era o cordeiro, pelo corpo que tinha tomado. Era igualmente o sol de justiça, dado que uma Primavera divina e uma mudança salvadora faziam passar a vida humana do mal para o bem. Uma colheita de frutos novos adorna a Igreja de Deus com variados dons do Espírito Santo ... Quanto a nós, celebramos de novo, em cada ano, o início do jejum segundo o seu regresso cíclico, e empenhamo-nos, em ordem à preparação, num exercício de quarenta dias que precedem a festa ... Recomeçamos a celebração da própria festa, cada vez que o tempo se renova ... Pondo-nos a caminho em direcção a Deus, cingimos os rins com a cintura da pureza, asseguramos a caminhada da nossa alma como que calçando-a e preparamo-nos, desta forma, para responder ao apelo celeste. Utilizamos o cajado do Verbo de Deus na força das orações, para vencer os inimigos, e dispomo-nos, com toda a prontidão, para a passagem que leva ao Céu, passando rapidamente das coisas inferiores para as superiores, e da vida mortal para a imortalidade. Se realizarmos esta passagem de forma conveniente, uma outra festa, muito maior, nos espera. Os Hebreus chamam-lhe o Pentecostes. Essa festa é uma imagem do Reino dos Céus ... É por isso que, desde esse tempo, a verdadeira festa dos mistérios prevaleceu entre os gentios [cristãos], ao passo que entre os Judeus nem sequer se conservou a memória dos símbolos. Enquanto (os Judeus), segundo a lei mosaica, sacrificavam o cordeiro pascal só uma vez em cada ano, no décimo quarto dia do primeiro mês, ao cair da tarde, nós, os fiéis da nova aliança, celebrando a nossa Páscoa em cada dia do Senhor, saciamo-nos sempre com o Corpo do Salvador, tomamos sempre parte no Sangue do Cordeiro ... , sempre em viagem para Deus, celebrando sempre a festa da Passagem. A palavra evangélica manda-nos, de facto, fazer essas coisas não só uma vez ao ano, mas todos os dias. Por isso, todas as semanas, no dia salvador do domingo, celebramos a festa da nossa Páscoa, cumprindo os mistérios do verdadeiro Cordeiro, pelo qual fomos redimidos. Não circuncidamos o corpo com facas de ferro, mas arrancamos toda a malícia da alma com a palavra penetrante do Evangelho. E também não usamos ázimos corporais, mas apenas os da sinceridade e da verdade. Pois a graça que nos libertou dos antigos costumes deu-nos o homem novo, criado à imagem de Deus, a lei nova, a nova circuncisão, a nova Páscoa ... , libertando-nos, assim, dos tempos antigos.

(PG 24, 693-706; Antologia Litúrgica 1290-1295).


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