Liturgia |
Os Padres da Igreja ao ritmo da Liturgia
«Os que semeiam em lágrimas recolhem com alegria»
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Olhai: vou realizar uma coisa nova, que já começa a aparecer; não a vedes? Vou abrir um caminho no deserto, fazer brotar rios na terra árida. Os animais selvagens – chacais e avestruzes – proclamarão a minha glória, porque farei brotar água no deserto, rios na terra árida, para matar a sede ao meu povo escolhido, o povo que formei para Mim e que proclamará os meus louvores. (Is. 43, 19-21)

 

Santo Ambrósio, bispo de Milão no séc. IV, e doutor da Igreja, no seu Tratado sobre a Penitência I, 15, 80 e II, 9, 80 - 10, 97, escrito entre 384 e 394, afirmou:

Aquele que é redimido do pecado e purificado no homem interior pelas orações e gemidos do povo, é purificado e lavado pelas obras e pelas lágrimas de todo o povo. Cristo concedeu à sua Igreja o poder de resgatar um só homem pela intervenção de todos, tal como obtivera, quando veio o Senhor Jesus, que todos fossem remidos por um.

Examinemos agora como se deve fazer penitência ... É preciso acreditar, ao mesmo tempo, que devemos fazer penitência e que nos será concedido o perdão, e que o perdão que esperamos obter nos será dado graças à nossa fé, e não por nos ser devido. Uma coisa é merecer, outra coisa é esperar ... Há muitos pecadores, conscientes do suplício futuro que os ameaça por causa dos seus pecados, que pedem a penitência, mas que, depois de a receberem, se afastam dela por terem vergonha do seu processo público ... Outros pedem a penitência, para serem imediatamente readmitidos à comunhão. Agindo desta maneira, esses pecadores pretendem menos ser reconciliados do que amargurar o seu bispo … Outros pensam que a penitência consiste apenas em abster-se dos sagrados mistérios. Esses são juízes bem cruéis para si próprios. Impõem-se uma penitência, mas recusam o remédio. O que convinha era que se afligissem por se verem obrigados a afastar-se dos sagrados mistérios, por causa dos pecados cometidos. Assim, são eles que se privam da graça celeste. Outros, depois de tomarem a resolução de um dia fazerem penitência, imaginam, por causa disso, que podem prorrogar os prazos para continuar a pecar. Ora, a penitência é o remédio do pecado, e não um estímulo para continuar a pecar ... Contar com o tempo é um cálculo muito frágil; os prazos são incertos, e a esperança corre o risco de ser cortada antes da hora ... Poder-se-á admitir que tenhas vergonha, pecador, de pedir perdão a Deus, quando não tens nenhuma vergonha de fazer pedidos aos homens? Poderás tu ter vergonha de dirigir as tuas súplicas a Deus, diante do qual não podes esconder-te, quando mostras os teus pecados diante dos homens, aos quais seria fácil enganar? ... A Igreja nossa mãe orará por ti, lavará as tuas faltas pelas suas lágrimas... Cristo deseja que muitos orem por um só… Ajoelhas-te diante dos teus semelhantes, abraças os seus pés, mostras os teus filhos ainda inocentes, para que eles intercedam em teu favor, tu que és seu pai, e tens vergonha de agir do mesmo modo com a Igreja, para suplicares a Deus e procurares patrocínio do povo santo, a fim de que ele interceda em teu favor? ...

Nada pois, te afaste da penitência…  Para fazer verdadeira penitência, é preciso renunciar ao mundo, dormir menos do que a natureza exige, é preciso soltar gemidos. lamentar-se procurar lugares isolados para orar, numa palavra, é preciso viver apenas para morrer para esta vida. É preciso renunciar completamente a si mesmo. e mudar radicalmente... É por isso que o Senhor disse muito bem: Se alguém quiser seguir-Me, renuncie a si mesmo, tome a sua cruz e siga-Me.

(PL 16, 465-524; CSEL 73; SCh 179; SAEMO 3; Antologia Litúrgica 2054-2056).


Foto:

Cristo e a mulher adúltera.

Iluminura de Evangeliário, conhecido como Códice Egberti, séc. X.

 

Encomenda do Arcebispo de Tréveris à Abadia de Richenau, Alemanha

Departamento de Liturgia do Patriarcado de Lisboa
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