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“Servir a esperança significa construir pontes entre as civilizações”
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O Papa Francisco destacou a viagem a Marrocos. Na semana em que considerou que “quem constrói muros torna-se prisioneiro”, o Papa agradeceu “o testemunho do Evangelho da misericórdia” da minoria cristã marroquina, confessou onze fiéis e aprovou novas regras contra abusos sexuais na Igreja.

 

1. O Papa Francisco recordou a visita apostólica a Marrocos, nos dias 30 e 31 de maio, que foi “mais um passo” na “estrada do diálogo e do encontro” com os muçulmanos. “A recente Viagem Apostólica a Marrocos, sob o lema ‘servidor da esperança’, foi mais um passo na estrada do diálogo e do encontro com os irmãos e irmãs muçulmanos. Servir a esperança significa construir pontes entre as civilizações. Nisto as religiões têm um papel fundamental, defendendo a dignidade humana, promovendo a paz, a justiça e o cuidado da criação. Durante um encontro com migrantes, ouviu-se o testemunho de como a vida muda quando quem emigra encontra uma comunidade que o acolhe como pessoa, mostrando assim como é importante estar abertos à diferença, sem deixar de conservar a identidade cultural e religiosa, sabendo valorizar a fraternidade humana. Durante o encontro com sacerdotes, consagrados e membros do Conselho Ecumênico das Igrejas, lembrou-se que a comunidade cristã nessas terras, mesmo sendo um pequeno rebanho, está chamada a ser sal, luz e fermento, dando testemunho do amor fraterno. Por fim, a missa celebrada no domingo, com fiéis de mais de 60 nacionalidades, foi uma singular epifania do Povo de Deus no coração de um país islâmico: uma festa dos filhos que se sabem abraçados pelo Pai celestial e por isso podem ser servidores da esperança”, recordou o Papa, no final da audiência-geral de quarta-feira, 3 de abril.

 

2. Na viagem de regresso ao Vaticano, após dois dias em Marrocos, o Papa Francisco confessou a sua emoção perante os sofrimentos de migrantes e refugiados, questionando quem apresenta como solução para estas pessoas a construção de muros ou deixar que se “afoguem” no Mediterrâneo. “Os construtores de muros, sejam de arame farpado ou de tijolos, serão prisioneiros dos muros que erguem, essa será a sua história”, disse às sete dezenas de jornalistas que o acompanharam no regresso ao Vaticano.

O Papa foi questionado sobre uma entrevista que concedeu ao canal televisivo espanhol laSexta, emitida Domingo, dia 31, e explicou que o repórter Jordi Évole, com quem falou, lhe mostrou um bocado de arame farpado como o que existe na vala que divide Melilla (enclave espanhol) do território marroquino, fazendo-o chorar, perante algo em que “não conseguia acreditar”. “Chorei porque não me cabe na cabeça, no coração, que haja tanta crueldade, ou ver as pessoas afogarem-se no Mediterrâneo, em vez de transformar os portos em pontes”, acrescentou.

Francisco defendeu uma ação concertada dos governos da União Europeia para responder à crise migratória, para defender os migrantes dos “traficantes” ou da morte no Mediterrâneo, começando por criar condições para que permaneçam no seu país de origem, com uma ajuda “coerente”, o que exclui, por exemplo, a venda de armas usadas contra países que enfrentam crises humanas, como o Iémen. O Papa admitiu ainda que muitos católicos e pessoas de “boa vontade” têm opiniões contrárias, no que diz respeito às políticas migratórias, mas considerou que estão “tomadas pelo medo” e por discursos populistas. “O medo é o início das ditaduras”, alertou.

Questionado sobre a relação entre cristãos e muçulmanos, Francisco mostrou-se satisfeito com os avanços realizados nas suas viagens a Abu Dhabi, em fevereiro, e a Marrocos, registando que em qualquer religião haverá sempre grupos que vivem “das lutas do passado”. Como exemplo, Francisco evocou o apelo conjunto sobre Jerusalém, que assinou sábado com o rei de Marrocos, enquanto “irmãos crentes que sofrem” perante a situação atual.

 

3. O Papa Francisco encorajou os cristãos marroquinos a rejeitar o ódio, a divisão e a vingança, que “matam a alma da nossa gente”, e a “fazer crescer a cultura da misericórdia, uma cultura na qual ninguém olhe para o outro com indiferença nem desvie o olhar ao ver o seu sofrimento”. Francisco celebrou Missa, no passado Domingo, 31 de março, no complexo desportivo Príncipe Moulay Abdellah, em Rabat, capital de Marrocos. Com 99% de muçulmanos, o país tem uma pequena comunidade católica, de cerca de 25 mil pessoas (0,07% da população). O Papa agradeceu a forma como a minoria católica dá “testemunho do Evangelho da misericórdia nestas terras”. “Obrigado pelos esforços feitos para tornardes as vossas comunidades oásis de misericórdia”, agradeceu Francisco. “Continuai ao lado dos humildes e dos pobres, daqueles que são rejeitados, abandonados e ignorados; continuai a ser sinal do abraço e do coração do Pai”, acrescentou.

 

4. “Também hoje vivemos, na Confissão, este encontro de salvação: nós, com as nossas misérias e o nosso pecado; o Senhor, que nos conhece, ama e liberta do mal. Avancemos para este encontro, pedindo a graça de o redescobrir”, salientou o Papa, na homilia da celebração penitencial, por ocasião das ‘24 horas para o Senhor’, que decorreu na Basílica de São Pedro, no Vaticano, a 29 de março. Francisco confessou-se e confessou depois onze fiéis de diferentes países, como Itália, Polónia, Vietname e Colômbia. “O perdão de Deus não é uma fotocópia que se reproduz idêntica em cada passagem pelo confessionário. Receber o perdão dos pecados, através do sacerdote, é uma experiência sempre nova, original e inimitável. Da situação de estar sozinhos com as nossas misérias e os nossos acusadores, como a mulher do Evangelho, faz-nos passar ao estado de erguidos e encorajados pelo Senhor, que nos faz recomeçar”, salientou.

 

5. O Papa aprovou a primeira nova lei sobre a proteção de menores e pessoas vulneráveis no Estado do Vaticano, com normas que sublinham a obrigatoriedade da denúncia e afastamento de pessoas envolvidas em casos de abusos. “Que amadureça em todos a consciência do dever de denunciar os abusos às autoridades competentes e de cooperar com eles em atividades de prevenção e combate”, apela Francisco. O ordenamento jurídico, acompanhado por um conjunto de diretrizes, surge na sequência da cimeira mundial convocada pelo pontífice, entre 21 e 24 de fevereiro, com responsáveis de conferências episcopais e institutos religiosos. As novas orientações, que entram em vigor a 1 de junho, determinam que “qualquer abuso ou maus-tratos” contra menores ou contra pessoas vulneráveis sejam “eficazmente” investigado, respeitando o direito da vítima e suas famílias a ser “acolhido, ouvido e acompanhado”.

Aura Miguel, jornalista da Renascença, à conversa com Diogo Paiva Brandão
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