Missão |
Ana Emanuel Nunes, do Voluntariado Teresa de Saldanha
“É vivendo em Deus e por Deus que seremos felizes”
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Ana Emanuel Nunes nasceu a 6 de julho de 1996, em Coimbra. É licenciada em Música, pela Universidade de Aveiro, e está a terminar o Mestrado em Ensino da Música. Em janeiro de 2016, integrou o Voluntariado Teresa de Saldanha com quem, em 2018, partiu em missão para Timor Leste.

 

Ana fez todos os seus estudos pré-universitários em Coimbra. “Desde os 8 anos, frequentei o Conservatório de Música de Coimbra onde conclui o curso secundário de Música. Prossegui para a licenciatura em Música da Universidade de Aveiro em 2014, uma escolha que não era a esperada, mas que se tornou uma escolha muito, muito acertada e por cá continuo, a terminar o Mestrado em Ensino da Música, sempre com o meu clarinete a acompanhar-me”, partilha. Diz-nos que viveu “num mundo encantado, bem cor-de-rosa, cheio de flores e purpurinas.” É a irmã mais nova de três irmãos e é também a prima mais nova de ambos os lados da família. “Inevitavelmente, tornei-me a pequenina que todos protegem e mimam. A minha família foi sempre um ninho de amor que moldou a pessoa que hoje sou”, refere. Diz-nos que aos 11 anos teve um marco muito positivo na sua vida: “A entrada na minha turma da escola da Carolina de uma menina com Síndrome de Down. Em retrospetiva, sei que tudo o que partilhámos desde então foi essencial para me tornar uma rapariga ainda mais sensível aos outros, deixando-me inspirar pela alegria e pela vida que ela transmite a todos”. Sobre o seu percurso de fé diz-nos que a sua família “sempre teve uma vivência católica, recordando com carinho as idas à Missa ao Domingo”. “A minha mãe é enfermeira e trabalha por turnos então escolhíamos o horário da Missa que mais nos convinha (felizmente, Missas em Coimbra não faltam!) para podermos ir todos juntos”. Entrou para os escuteiros aos 6 anos e lá permaneceu até aos 14. “Eu adorava os escuteiros, as atividades, a vida no campo. Os meus irmãos já lá andavam, o meu pai era dirigente e lembro-me muito bem de querer ter os 6 anos para finalmente poder entrar. Com a vida musical que levava, uma vez que para além do Conservatório, a partir dos 11 anos, já começara a integrar orquestras onde passava grande parte dos meus fins-de-semana, entre ensaios e/ou concertos, com muita pena minha tive que deixar os escuteiros. Todas essas orquestras se tornaram também experiências muito ricas, não só de desenvolvimento musical como de oportunidades de visitar novos lugares e, sobretudo, de fazer ainda mais amigos”, diz. No 12º ano começou a ser catequista, mas com a ida para Aveiro teve de deixar essa responsabilidade. No dia da sua matrícula em Aveiro, foi com a sua mãe ao Centro Universitário Fé e Cultura (CUFC) e, algum tempo mais tarde, depois de um retiro e de um convite para integrar a equipa do CUFC Estuda, é que diz que “essa casa se tornou de facto minha casa, sendo agora lá, já pelo segundo ano, catequista do grupo de preparação para os sacramentos”.

Em janeiro de 2016, integrou o Voluntariado Teresa de Saldanha (VTS) “assumindo em março de 2018 a coordenação nacional”. “Foi como VTS que parti em missão durante 3 meses, de junho a setembro de 2018, para Timor-Leste. E em janeiro de 2019, voltei a partir como peregrina para as Jornadas Mundiais da Juventude no Panamá”, lembra.

 

“Revisitar Timor é redobrar forças para continuar”

Ao longo do seu percurso foi “fazendo algumas experiências fortes da presença de Deus”. “Fui descobrindo as histórias de Jesus. Mas não era algo plenamente assumido, era um porque sempre foi assim. Deus era mais uma coisa na minha vida”. Considera que o dia em que aceitou ir ao retiro do CUFC “foi o início de uma caminhada pessoal de fé, de um ir deixando que Deus me acompanhasse cada vez mais para onde quer que eu fosse. No CUFC, participava das orações semanais, ia-me deixando tocar. Começava a dizer aos meus colegas de curso que ia para o CUFC já sem vergonhas, com uma sensação libertadora muito boa, foram começando a perceber que ser católica era algo que fazia parte da minha identidade, iam-me apanhando em pleno recinto das festas académicas a convidar para entrar na capela do CUFC”.

Em janeiro de 2016, diz que se fez “de convidada para o VTS, depois de participar no Jubileu das Irmãs Dominicanas de Santa Catarina de Sena (IDSCS), dos 150 anos da fundação e dos 100 anos da morte da sua fundadora, Teresa de Saldanha” e conta-nos o seu percurso: “Deixei-me contagiar pela alegria desse fim-de-semana, era essa alegria que fazia sentido viver e viver em grupo, enquanto católica. Envolvi-me no grupo, no nosso projeto da loja social no Bairro de Santiago (Aveiro), fui-me descobrindo à luz de uma espiritualidade dominicana assente no estudo, na oração, na vida comunitária e na pregação. Nesta pregação muito mais por gestos do que por palavras, nesta pregação muito mais do dia-a-dia do que de acontecimentos. No verão de 2016, fiz a peregrinação a pé a Santiago de Compostela e participei do ‘Dominismissio (semana missionária organizada pela Pastoral Juvenil das IDSCS) em Castro Daire. Já sabia que ser católico era estar ao serviço do Amor que Deus é, deixei-me surpreender pelas Suas pequenas grandes revelações em cada rosto, em cada um. Em 2017, em Estremoz, voltei a participar da experiência missionária, Deus pediu-me aquilo que me sabia capaz de dar, deu-me tudo o que precisava para cumprir essa missão, percebi que se estivesse cheia do Seu amor, nada mais seria necessário. E assim me dispus, perante as Irmãs, a partir por mais tempo em missão e Deus quis-me em Timor este verão. Assim acreditei, assim confiei e soube-o de verdade por tudo quanto vivi. Em Timor, estive em duas comunidades das Irmãs, Remexio e Hola-Rua, trabalhando nos seus CATL, que complementam as aprendizagens da escola, que proporcionam aos meninos outro tipo de experiências artísticas, que são espaço de acolhimento, carinho e paz. Num dos CATL, através de atividades lúdicas e de dinâmicas de grupo, propus-me a auxiliar no reforço da Língua Portuguesa; no outro, fui um mês e meio intensivo a dar as bases da teoria musical e sobretudo a fazê-los criar, tocar e cantar sem fim. A fazê-los descobrir o seu potencial, a vê-los surpreenderem-se consigo próprios, a desejar que se atrevam a sonhar com mais e que se deixem surpreender por tudo quanto podem fazer e ser. A vê-los brilhar. Há situações que nos chocam, desde condições de saúde, higiene e habitação, mas sobrepõe-se uma generosidade e uma capacidade de acolher que não é para todos, dando o melhor do pouco que têm, distribuindo sorrisos e nunca abdicando do “Bom dia, Mana Ana!”. Nunca foi por terem dificuldades no português nem eu por saber tão pouco de Tétum que deixamos de comunicar e criar relações que trouxe comigo… e os abraços dados com sinceridade ligam o coração de qualquer um. Foram três meses vividos com muita serenidade, sabendo-me instrumento de Deus junto dos timorenses para que eles se sentissem especiais. Houve alguém que atravessou o mundo para estar ali com eles porque eles são especiais, porque eles são importantes, porque eles são filhos de Deus, porque eles são nossos irmãos. E em cada carinho, brincadeira, canção, uma Ana Emanuel tão grata, a sentir-se tão especial pela graça que era estar ali com aquelas pessoas únicas. Revisitar Timor é revisitar cada rosto que me soube tocar com o Seu amor, revisitar Timor é redobrar forças para continuar a missão por cá, sabendo que é dando que se recebe, que é vivendo em Deus e por Deus que seremos felizes”.

texto por Catarina António, FEC | Fundação Fé e Cooperação
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