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Na Bolívia, as Missionárias Cruzadas da Igreja apoiam os mais necessitados
Rostos de Deus
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Há sempre uma panela ao lume na casa das irmãs em Oruro. A congregação fundada pela primeira santa da Bolívia é ponto de encontro e de refúgio para os mais pobres dos pobres da região. A sociedade ignora-os, nem repara nos indigentes que se escondem nas sombras das esquinas das ruas. Mas, para as irmãs, para as Missionárias Cruzadas da Igreja, eles são preciosos. São rostos de Deus.

 

As malgas vêm ainda a fumegar. As panelas, enormes, continuam ao lume. Uma irmã, segurando uma comprida colher de alumínio, vai enchendo malgas de plástico. A comida cheira bem. É uma sopa densa, com massa, legumes e frango. As mesas do refeitório são compridas. Da cozinha chega um carrinho cheio de malgas, pão e canecas com leite. É a hora de almoço em Oruro. Para muitos, aquela é a única refeição quente a que conseguem aceder em todo o dia. O refeitório de Oruro é exemplo do trabalho das Missionárias Cruzadas da Igreja, uma congregação fundada por Nazaria Ignacia March, uma espanhola que a Bolívia adoptou como filha da terra e que, no ano passado, em Outubro, o Papa Francisco canonizou. A Madre Nazaria dedicou toda a sua vida, todas as suas energias, aos excluídos, aos marginalizados, aos que a sociedade sempre ignorou. A Igreja confirmou o ano passado o que o povo Boliviano já dizia há muito: a santidade de Nazaria, da Madre Nazaria.

 

Como fantasmas

As Missionárias Cruzadas da Igreja, congregação apoiada pela Fundação AIS, são responsáveis por alguns conventos e vários refeitórios sociais. O de Oruro é apenas um exemplo. As mesas de madeira são compridas. Junto a elas, bancos corridos vão acolhendo, à hora de almoço, homens e mulheres de toda a cidade. Todos eles têm uma coisa em comum: são pobres. São extremamente pobres. A cidade de Oruro já nem repara neles. Habituou-se às pessoas agachadas nos cantos das ruas, às vezes de mãos estendidas ou simplesmente com os olhos postos no chão. São como sombras. São os pobres. A sociedade não repara neles e, não os vendo, não se condói com a sua presença. A Irmã Nelly Soria, responsável pelo refeitório, conhece-os quase todos. Sabe mesmo o nome deles, às vezes até as suas histórias. Todos os pobres que almoçam no refeitório de Oruro vêm das periferias de que fala o Papa Francisco. Estão ali, mas são como fantasmas. Só as irmãs reparam neles. Só as irmãs fazem questão de os acolher. A Irmã Nelly recebe-os com carinho. Quase todos têm o rosto carregado de rugas. São cicatrizes da vida. São marcas do infortúnio.

 

Em nome do Pai

Há dias em que são quase duas centenas de homens e mulheres. “O compromisso pelos pobres é o compromisso de defender a imagem de Deus nos irmãos”, diz-nos a Irmã Nelly. A Madre Nazaria, quando fundou os refeitórios, decidiu que estariam sempre de porta aberta a todos os mais necessitados. E sempre foi assim. “Pode entrar qualquer pessoa”, explica a Irmã Nelly. “Não dizemos a ninguém ‘Você não é daqui’. Quando entram, rezamos juntos e depois fazemos todos os possíveis para que saiam contentes e satisfeitos.” As malgas já foram servidas, assim como o pão e as canecas de leite. Mas ninguém começa a comer até que se inicie a oração. Todos se benzem e acompanham as palavras da Irmã Nelly Soria. “Vamos dar graças ao Senhor porque morreu por nós, para nos livrar do pecado. Em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo. Ámen. Pai Nosso...”

 

Pão nosso…

A presença das irmãs é sinal da opção da Igreja pelos mais pobres. D. Cristóbal Bialasi, Bispo de Oruro, reconhece que tem havido um esforço de melhoria da vida da sociedade em geral. “Há melhores estradas e escolas”, diz. “Há muitas construções novas, mas ainda há muita pobreza.” Para D. Cristóbal, “o indicador desta realidade são os refeitórios populares”. O Bispo reconhece que, apesar dos sinais de modernidade, e às vezes até de algum luxo, “cada vez mais pessoas vêm para pedir o pão de cada dia”. É um contraste brutal. A Igreja acolhe todos os indigentes, os mais pobres, os desempregados, os que se escondem nas esquinas e se confundem com as sombras. Os refeitórios populares são uma das facetas mais conhecidas do trabalho destas mulheres consagradas a Deus em terras da Bolívia. Um trabalho que é possível também graças à generosidade dos benfeitores da Ajuda à Igreja que Sofre. “Agradecemos profundamente à Fundação AIS que está a apoiar-nos precisamente nestas obras para atender e diminuir o número de pobres, para estar junto deles”, afirma o Bispo de Oruro. 

 

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A Irmã Nelly Soria alimenta todos os dias centenas de pessoas, de sem-abrigo, de mendigos e de desempregados em Oruro, na Bolívia. Vamos ajudar o trabalho destas Irmãs?

texto por Paulo Aido, Fundação Ajuda à Igreja que Sofre
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