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Celebrações de Páscoa na Sé de Lisboa
“A ressurreição de Cristo é um mundo novo a acontecer entre nós”
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O Cardeal-Patriarca lembrou o recente atentado no Sri Lanka e as profanações de igrejas, em França, para sublinhar que o cristianismo é “uma religião tão perseguida no mundo atual”. No Domingo de Páscoa, na Sé de Lisboa, D. Manuel Clemente apontou ainda que “a ressurreição de Cristo não é um espetáculo para ver de fora”.

 

Lembrando que na ressurreição de Cristo “um lugar de morte tornou-se sinal de vida”, o Cardeal-Patriarca enalteceu os cristãos que “continuam a entrever” a presença de Cristo. “Neste mesmo momento, em muitos lugares por esse mundo, como esta madrugada no Sri Lanka, outros cristãos celebram igualmente a Páscoa, escondidos ou entre escombros, maltratados e mal curados de feridas e desastres graves. Quando não faltam atentados e ofensas que os vitimam, sendo o cristianismo uma religião tão perseguida no mundo atual; quando, mesmo na nossa Europa, se sucedem profanações de igrejas – centenas em França no ano passado; quando estas e outras tristíssimas realidades os poderiam desanimar e tolher: os cristãos continuam a entrever por entre os sinais de morte a presença de Cristo que a venceu e a celebrá-la como podem – tudo podendo n’Aquele que lhes dá força, como São Paulo dizia de si próprio”, apontou D. Manuel Clemente, na celebração de Domingo de Páscoa, na Sé de Lisboa, no passado dia 21 de abril.

 

Visão clara

Na sua homilia, o Cardeal-Patriarca lembrou ainda que “a morte está vencida”. “A presença de Cristo ressuscitado, esta mesma que aqui nos chama e reúne, para daqui nos enviar em anúncio jubiloso: A morte está vencida, sabemos Quem a venceu e como a venceu. Este é também o Evangelho todo. Somos cristãos porque nos transfiguramos nesta luz. Fixemo-nos no que entrevemos, como ao Ressuscitado ainda. O que já cremos antecipa-nos a visão clara”, manifestou, sublinhando que “a ressurreição de Cristo não é um espetáculo para ver de fora, é um mundo novo a acontecer entre nós”. “Como transbordou do túmulo vazio, preencherá também os vazios existenciais que aí estão agora, que aí estão urgentes”, terminou D. Manuel Clemente.

 

“Surpreende-nos uma vida triunfante”

Na noite de Sábado Santo, na Vigília Pascal, D. Manuel Clemente sublinhou a “vida triunfante” de Cristo. “É connosco agora: Acompanhamos o Senhor no Sagrado Tríduo, não esquecemos a sua sepultura, voltámos esta noite e ouvimos o Evangelho da ressurreição. Fidelidade, persistência e reencontro, ultrapassando este as expetativas. Já não velamos um morto, surpreende-nos uma vida triunfante”, apontou.

Na celebração na noite de 20 abril, em que denunciou “algum constrangimento social” que pretende “inibir o protagonismo cristão” nos dias de hoje, o Cardeal-Patriarca convidou os cristãos a percorrerem “os passos” das mulheres que acorreram ao sepulcro para procurarem Jesus. “Seguir Jesus até ao fim, como tão poucos fizeram, é o que importa e o caminho certo para o que aconteceu depois”, frisou, na homilia da celebração, na Sé de Lisboa. “Seguindo este caminho, tão estreito como vitorioso, teremos a resposta sobre o estarmos aqui, nesta santa noite que se fará claro dia. Saberemos dum ‘saber de experiência feito’. Experiência nossa e anúncio para todos. A vós, que a seguir celebrareis o início sacramental das vossas vidas, dirige-se o apelo e garante-se a certeza. O apelo angélico a reconhecer Cristo vivo, como o sentis agora; a testemunhá-lo sempre, seja aonde for. E a garantia do seu Espírito, que fará de vós um Evangelho vivo”, manifestou.

 

“Deixemo-nos surpreender pela Paixão de Cristo”

Em Sexta-Feira Santa, o Cardeal-Patriarca convidou os cristãos a deixarem-se surpreender pela Paixão de Cristo. “Deixemo-nos surpreender uma vez mais pelo que acabámos de ouvir. Retenhamos as palavras que nos narraram a paixão de Cristo. Deixemos que a sua figura nos ressalte delas, com a espessura que dois milénios de meditação nunca esgotam”, expressou D. Manuel Clemente, na homilia da celebração da Paixão do Senhor, no dia 19 de abril.

Na Sé de Lisboa, o Cardeal-Patriarca pediu para não reduzir a “ornamento” ou a “símbolo religioso” a Cruz de Jesus Cristo. “Nela se revela a glória de Deus, ou seja, a vida divina como oferta. E nela se revela a nossa glória, a nossa vida como graça. Por isso São Paulo disse que toda a sua glória estava na Cruz de Nosso Senhor Jesus Cristo, e o dizemos e cantamos nós também. Não a reduzamos a ornamento ou a símbolo religioso entre os demais. É o nosso sinal de cristãos, como o recebemos no batismo, para que toda a vida ganhe também a sua forma: continuamente para o alto e para o Pai e igualmente para todo o lado em que os outros nos esperam”, lembrou, acentuando: “Se fazemos tanta vez o sinal da Cruz, sejamo-lo nós próprios para os outros, nos gestos e atitudes de cada dia e situação”.

 

“Vivamos eucaristicamente o tempo inteiro”

Em Quinta-Feira Santa, durante a Missa da Ceia do Senhor, o Cardeal-Patriarca convidou os cristãos a não ficarem “só pelo cerimonial” – próprio das celebrações pascais – e a transportarem para a vida o “serviço”. “Não faltam locais, ocasiões e urgências para transportarmos para a vida a caridade eucarística, traduzindo o sacramento em serviço. Não faltam nas famílias, não faltam nas comunidades, não faltam nas mil e uma articulações da sociedade que integramos. Não faltam nas famílias que, sendo cristãs, viverão da caridade de Cristo na atenção permanente a cada um dos seus membros, dos mais novos aos mais idosos, dos saudáveis aos enfermos, dos presentes aos ausentes. Quando o dia-a-dia não parta tanto da agenda de cada um, ainda que importe, como do que mais requeira ajuda, previsível ou não. Não faltam nas comunidades, que tendo a fonte e o cume na Eucaristia a que se ordenam, dela haurem a vida e a missão. Comunga cada um o Pão de todos, mesmo para quem não o possa por alguma razão receber, e sem privatização possível. – Como tudo seria melhor e mais perfeito se cada Missa redundasse em missão, juntando plenamente a Santa Ceia ao não menos Santo Lava Pés! Não faltam expetativas eucarísticas na própria sociedade que integramos. Saibam ou não saibam do que se trata, todos aguardam aquela salvação que só o serviço mútuo traduz e opera. Sabendo-o nós, devemo-lo aos outros”, apontou, na celebração no final da tarde do dia 18 de abril.

Para D. Manuel Clemente, os “gestos eucarísticos de Cristo, como hoje os evocamos e celebramos”, devem ser “o modelo e o estímulo”. “Para que tudo se ofereça e partilhe, como em Cristo se assume a criação inteira para a restaurar em Deus, comunhão absoluta. Vivamos eucaristicamente o tempo inteiro!”, desafiou o Cardeal-Patriarca, na celebração na Sé Patriarcal.

 

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“Cristianismo é a religião mais perseguida no mundo”

O Cardeal-Patriarca de Lisboa “rejeita radicalmente” atentados como o de Domingo de Páscoa no Sri Lanka, que fez mais de 250 mortos, e lembra que o “cristianismo é a religião mais perseguida no mundo”. Em declarações aos jornalistas, no final da Missa de Domingo de Páscoa, na Sé, D. Manuel Clemente sublinhou que, “nos vários continentes, temos assistido a situações destas e isto não é nada para a humanidade e para a sociedade de paz e fraternidade que queremos construir”. O Cardeal-Patriarca disse ainda acreditar que “há, na humanidade e nas religiões, uma enorme boa vontade de se encontrarem no serviço das pessoas”.

 

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“Mais santos e mais missionários”

O Cardeal-Patriarca apelou aos sacerdotes, durante a Missa Crismal, para reproduzirem os “gestos de proximidade” de Cristo. “Mais santos e mais missionários é o que havemos de ser, para seguirmos Jesus Cristo e reproduzirmos os seus gestos de proximidade e acompanhamento concreto de pessoas e situações que pedem resposta capaz. Quando olhamos à nossa volta, não faltam dramas e tragédias iniludíveis”, assumiu D. Manuel Clemente, na celebração que decorreu em Quinta-Feira Santa, dia 18 de abril. Na Sé de Lisboa, o Cardeal-Patriarca elencou depois as situações a que a Igreja tem de estar atenta: “Tanto há para redimir, de facto, com a redenção que Cristo anunciou naquele dia e é programa para a Igreja de sempre. Para redimir a própria vida, da conceção à morte natural de cada ser humano, ameaçada por muitas ações e omissões. Vítimas de inadmissíveis violências, sejam menores ou frágeis, mulheres ou idosos; vidas por realizar, carentes de formação, atividade e habitação condignas; migrantes à procura de condições de subsistência pessoal e familiar; reclusos e ex-reclusos por reintegrar socialmente; pessoas sós e doentes necessitados de cuidados continuados; vítimas de vários tráficos que persistem, degradando-nos a todos como humanidade…” Neste sentido, D. Manuel Clemente expressou o agradecimento “a todos” os que se “entregam à resolução destes problemas”. “A lista poderia continuar e cada ponto há de ser um encargo para a sociedade que integramos, como para nós, discípulos de Cristo. Aproveito a ocasião para saudar e agradecer muito reconhecidamente a todos quantos, no âmbito religioso e na sociedade inteira, se entregam à resolução destes problemas. As suas pequenas ou grandes vitórias em qualquer das frentes, essas sim, deveriam encabeçar as notícias que se difundem, para nos motivar ainda mais. O olhar de Jesus foi sempre atento, a sua palavra esclarecedora e o seu gesto preciso. Viu e fez ver aos seguidores o que realmente acontecia e o que era preciso fazer. Não deixou ninguém indiferente, exceto quem não tivesse olhos para ver e ouvidos para ouvir”, salientou.   

Na sua homilia, o Cardeal-Patriarca destacou ainda a importância da Missa Crismal. “É um momento feliz e verdadeiro da Igreja que somos para o mundo que servimos. Verdadeiro, porque nos exprime e qualifica, como Povo de Deus, Corpo de Cristo e Templo do Espírito. Feliz, porque nos reencontramos assim, ganhando ânimo para correspondermos cada vez mais e melhor ao que Deus nos pede e o mundo precisa”, referiu D. Manuel Clemente.

textos por Diogo Paiva Brandão; fotos por Arlindo Homem e Filipe Teixeira
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