Lisboa |
Paróquia de Santo Condestável celebra 10.º aniversário da canonização de São Nuno de Santa Maria
“Reconhecer a presença do Ressuscitado no meio de nós”
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O Cardeal-Patriarca convidou a Paróquia de Santo Condestável, e todos os que visitam a igreja paroquial em Campo de Ourique, a fazerem como o padroeiro e a “lançarem diariamente as redes”. Na celebração que assinalou o 10.º aniversário da canonização de São Nuno de Santa Maria, D. Manuel Clemente destacou ainda a confiança que o santo português tinha em Deus.

 

“O 10.º aniversário da canonização de São Nuno de Santa Maria é uma motivação reforçada, para que, nesta paróquia – que tem o seu nome, frei Nuno de Santa Maria, portuguesmente conhecido como o Santo Contestável –, nos seus paroquianos e em todos nós, que por aqui passamos e vemos a sua imagem, nos faça reconhecer a presença do Ressuscitado no meio de nós e, a partir desta presença e do seu Evangelho, prosseguirmos e lançarmos diariamente as redes, mesmo quando, até agora, não pescássemos coisa alguma. Com Ele é possível. Frei Nuno, São Nuno, acreditou e agora nós com ele, acreditamos também”, manifestou o Cardeal-Patriarca, na celebração dos 10 anos da canonização de Nuno Álvares Pereira.

Na Paróquia de Santo Condestável, em Lisboa, na manhã do passado dia 5 de maio, D. Manuel Clemente deu “graças a Deus” pela canonização de frei Nuno de Santa Maria e desejou que os cristãos sejam “não só agradecidos, mas também coincidentes com o que esta canonização de Nuno Álvares significa”. “Houve alturas do seu percurso, nas diversas fases da vida, em que São Nuno praticamente só tinha a sua determinação, que o levou até essa determinação final de uma conversão perfeita a Deus e à caridade divina. Nalgumas situações, esta determinação que ele tem – e que ele acredita que é o seu dever cumprir, também religiosamente falando – é a única coisa praticamente que São Nuno tem e que arrasta muita gente atrás de si. É uma enorme missão, exatamente por ser tão próximo de Cristo”, apontou.

 

Centralidade de Deus

D. Manuel Clemente destacou também o “grau heróico” de Nuno Álvares Pereira, sublinhando que o santo português “viu longe”. “Esta centralidade de Deus e de Jesus Cristo começa a fazer caminho muito cedo na vida de Nuno Álvares”, observou, frisando igualmente “a caridade do Santo Condestável, sobretudo nestas circunstâncias e de uma maneira que não era nada habitual”. “É conhecida, mesmo na história militar, o que com ele aconteceu de se preocupar com a subsistência dos seus opositores, mandando-lhes mantimentos. Aos opositores, com quem ia entrar em luta logo de seguida, queria que tivessem que comer e não desfalecessem. Pelo contrário, o que era mais natural era deixar que eles ficassem muito fraquinhos. Era de tal ordem que, a certa altura, e já em território Castelhano, houve um grupo de opositores que tinham passado para o acampamento de Nuno Álvares com uma única intenção: vê-lo. Queriam vê-lo. Nuno Álvares recebe-os e eles ficam ainda mais espantados do que já vinham”, contou.

 

Caridade

Nesta paróquia da cidade, situada em Campo de Ourique e que está confiada à Sociedade Salesiana de São João Bosco (Salesianos), o Cardeal-Patriarca assinalou igualmente a caridade do santo português. “Tudo isto vai no sentido em que as coisas se transformam quando são tocadas pela caridade de Deus. A última batalha que ele travou foi a mais difícil de travar e essa toca-nos a nós todos. Diz uma crónica setecentista que os últimos anos da sua vida foram para dominar aquela terra mais difícil de conquistar, que é o coração de cada um de nós, no seu próprio coração”, referiu D. Manuel Clemente, que terminou lembrando “o tempo na Ordem do Carmo” do Santo Condestável: “Ele próprio aderiu, da maneira mais simples, numa vida de conversão profunda, autêntica, a Deus e aos outros. Sempre interessado para que a comida chegasse a quem fosse preciso e que não houvesse pobreza que não fosse correspondida”.

 

“Modelo para cada um”

Na celebração do 10.º aniversário da canonização de São Nuno de Santa Maria, o pároco de Santo Condestável deu também “graças a Deus” pelo padroeiro. “São Nuno de Santa Maria, no seu tempo e hoje, continua a resplandecer como um modelo para cada um de nós. Hoje, temos a alegria de celebrar o 10º aniversário do reconhecimento público daquela santidade que o povo já a tinha reconhecido desde sempre e que a Igreja publicamente declarou em 2009, a 26 de abril”, recordou o padre Luís Almeida, sublinhando a presença do Cardeal-Patriarca – “estamos em comunhão, vivemos em comunhão com esta Igreja local que é o Patriarcado” – e deixando “um agradecimento muito especial pela presença do representante do Chefe de Estado Maior do Exército”. “São Nuno continua a ser modelo para os militares, mas também para toda a Igreja e para todo mundo. Rezamos também para que no exército, na vida pública, se continuem a viver as virtudes que ele tanto elevou e tanto exaltou”, desejou o sacerdote, de 32 anos.

Para o padre Luís, celebrar o aniversário da canonização “não é somente fazer festa”, mas exige “compromisso”. “Compromisso de que queremos ser mais santos, de que teremos de ser, também nós, a exemplo do nosso padroeiro, mais santos, vivendo estas virtudes grandes da fé, da esperança e da caridade, de tudo isto que nos vai unindo como Igreja e como povo de Deus. Por isso, esta comunidade aceita o desafio de viver a santidade, com todas as limitações que tem, pois vamos caminhando rumo a esta meta, grande e única, que é a santidade”, assegurou o sacerdote salesiano.

 

Novo ciclo

Presente em Santo Condestável há cerca de um ano e meio, desde outubro de 2017, o padre Luís Almeida salienta, ao Jornal VOZ DA VERDADE, o significado que teve, para a paróquia, a celebração do 10.º aniversário da canonização de São Nuno de Santa Maria. “Celebrar a santidade do padroeiro, para a paróquia, é sempre o renovar de um compromisso de ser uma comunidade mais santa, uma comunidade mais ao estilo do padroeiro. Celebrar a canonização convoca-nos a sermos fiéis a esta mesma santidade. Para a comunidade, também é muito importante, porque estamos numa fase de começarmos as coisas, num novo ciclo da paróquia, com a chegada do novo prior, em que novas coisas estão a aparecer e esta ocasião é também uma forma de a comunidade se sentir viva, de sentir que está feliz”, aponta.

Esta é uma paróquia “muito ao estilo das paróquias da cidade”. “O território de Campo de Ourique está envelhecido, mas, ao mesmo tempo, numa fase de rejuvenescimento. Há muitas famílias jovens a chegar a Campo de Ourique, por isso, é um desafio grande também nesta dimensão da Pastoral Familiar e da proximidade às famílias”, considera, garantindo também ser “uma comunidade muito identificada”, em que “as pessoas sentem a paróquia como sua e são muito apegadas”.

O sacerdote salesiano, que está a ter a sua primeira experiência como pároco – anteriormente, tinha sido, durante um ano, coadjutor em Mirandela –, recorda a presença do padre José Filipe Agostinho, que foi pároco entre 1997 e 2015, e lembra que “a realidade paroquial precisa também de renovação”. “O senhor padre José esteve cá muitos e bons anos, mas há necessidade de encontrar caminhos novos, coisas novas para fazer, de rejuvenescer o conselho pastoral, os responsáveis dos grupos. São coisas que estão em andamento e que as pessoas estão a aceitar muito bem, estão abertas à novidade e à mudança. É uma comunidade boa, também neste sentido”, garante.

 

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“Pedimos por todas as mães deste mundo”

A celebração em Santo Condestável decorreu no passado Domingo, 5 de maio, Dia da Mãe, com o Cardeal-Patriarca de Lisboa a recordar, no início da sua homilia, todas as mães. “É o Dia da Mãe! Todos agradecemos a Deus as mães que tivemos e pedimos por todas as mães deste mundo, que são um sinal tão bonito da providência divina, para que nós nasçamos e cresçamos, e para que tenhamos este sinal de candura e proximidade, que é também um sinal de Deus criador, através das nossas mães. Sufragamos as que partiram e estamos com as atuais e as futuras mães”, afirmou D. Manuel Clemente.

 

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“A vida dele é uma provocação contra a mediocridade”

D. Nuno Álvares Pereira, o Santo Condestável, foi canonizado pelo então Papa Bento XVI, no dia 26 de abril de 2009. Há dez anos, milhares de portugueses marcaram presença na celebração de canonização, na Praça de São Pedro, em Roma, com os fiéis lusos a distinguirem-se pelos mais de 700 lenços e 2500 bonés que a Ordem do Carmo encomendou para a ocasião.

O Papa falou em português quando se referiu a São Nuno, tendo sido interrompido diversas vezes pelos aplausos dos portugueses. Bento XVI sublinhou que “a vida de Nuno Álvares é a prova de que não há nenhum aspeto da vida onde não se possa ser santo, até em contexto militar e bélico”. No final da Missa, durante a oração do Regina Coeli, o antecessor do Papa Francisco lembrou a forma como o novo santo português soube exercer a caridade. “É o modelo de como uma sociedade moderna deve também partilhar os seus bens”, sublinhou.

Na véspera da canonização do Santo Condestável, o então Cardeal-Patriarca de Lisboa presidiu a uma vigília, na Igreja de Santo António do Portugueses, em Roma. Antes, D. José Policarpo tinha dado uma conferência de imprensa para valorizar “a grandeza de vida cristã” de Nuno Álvares Pereira. “A vida dele é uma provocação contra a mediocridade”, referiu.

Do novo santo português, a breve biografia esboçada no livro distribuído aos participantes na celebração de canonização destaca o espírito contemplativo, a pobreza, a humildade e a caridade, a devoção à Eucaristia e a Nossa Senhora, citando Bento XV, que o beatificou em 1918. São Nuno de Santa Maria tornou-se, há dez anos, no primeiro português a ser canonizado desde que Paulo VI, a 3 de outubro de 1976, declarou santa a religiosa Beatriz da Silva.

texto e fotos por Diogo Paiva Brandão
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