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Isilda Pegado
A Europa e a política. Eleições

1 – Se olharmos para um Mapa do Mundo reparamos que a Europa poderia ter sido considerada apenas uma península da Ásia. Os montes Urais não estabelecem uma divisão tão clara que possa justificar esta separação de continentes. Ou no máximo viveríamos na Euroásia. Mas efectivamente não o é, nunca foi este o entendimento na divisão dos Continentes.

E, a explicação está, mais do que na geografia física, na geografia humana. A Europa é um continente porque tem uma identidade que o distingue de todos os outros. A Cultura que se formou na Europa, dá-lhe identidade, dá-lhe chancela. Essa cultura está reconhecidamente fundada nas civilizações Grega e Romana e no Cristianismo. São os três alicerces da Europa.

2 – Da Europa se expandiu para todo o mundo, a partir do século XVI, esta cultura e identidade que foram sendo mais ou menos integradas noutras Civilizações e culturas. Valores há que nasceram na Europa e foram admitidos universalmente. A que chamamos Direitos Humanos.

3 – E hoje, por todo o mundo, muitos desejam fazer da sua terra “uma Europa”. Porque se reconhece que é neste continente que a Vida Humana ganhou maior dignidade e valia. Porque a Paz e o Progresso, a Fraternidade e a Liberdade são estruturantes das sociedades Europeias.

4 – A União Europeia que se forma no final da II Guerra Mundial é um passo decisivo no reconhecimento desta identidade, desta unidade que é por si só a Europa. A União Europeia nunca chegou a reconhecer, por escrito, estas suas raízes, embora muita tinta tenha corrido. Na elaboração do Tratado de Lisboa foi muito discutida esta matriz Greco-Romana-Judaico-Cristã, que esteve para ser incluída na redacção do Preâmbulo do Tratado.

Independentemente dessa referência escrita ou não, sabemos que a Europa só existe se respeitar esta matriz. É daqui que nascem os Direitos Humanos, a Democracia, a igual Dignidade de todos os Homens, o Estado de Direito, o valor do trabalho, a segurança e a Justiça como pilares da Sociedade.

5 – Caminhamos para um acto eleitoral que desafia estes princípios, que põe à prova a nossa intervenção cívica e a escolha que faremos por uma Europa do valor da Vida Humana, de todas as Vidas Humanas, do valor da Família, da Liberdade e Igualdade, da Fraternidade, da Liberdade Religiosa ou da opressão dos Cristãos.

Também assim, o Parlamento Europeu leva a todo o mundo programas e acções que podem, ou não, respeitar o que de melhor temos, aqueles valores a que já aludimos.

6 – A Conferência Episcopal Portuguesa, no passado dia 2 de Maio, emitiu uma excelente Carta de reflexão que a muitos irá ajudar neste discernimento (www.conferenciaepiscopal.pt/v1/um-olhar-sobre-portugal-e-a-europa-a-luz-da-doutrina-social-da-igreja).

São as questões estruturantes da Sociedade que estão em causa, não só em Portugal, como na Europa ou até em muitas outras partes do mundo.

O Deputado do Parlamento Europeu não está “vinculado” ao voto de bancada. Por isso conhecer em concreto, em quem votamos, é fundamental.

A Federação Portuguesa pela Vida também fez uma análise, que publica no site www.federacao-vida.com.pt, para ajuda neste civilizacional discernimento e voto.

O voto tem valor. Podemos e devemos usá-lo para defender o que temos de Bom.