Juventude |
Exortação Apostólica
Cristo vive – tanto a mudar nas nossas vidas
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Há uma riqueza da Exortação Apostólica “Cristo vive” que não conseguiremos abarcar já de uma vez. Mas para não perseguirmos um óptimo que nos leve a perder o bom, há vantagem em revisitar o documento de quando em vez, para dele colhermos algumas interpelações. Proponho algumas de entre tantas possíveis.

 

O estilo é conteúdo: directo aos jovens

Não é propriamente uma novidade, mas não deixa de ser relevante: o Papa dirige-se directamente aos jovens em jeito de Carta, para que cada um se sinta amado como único, mas também com a responsabilidade e missão que daí advêm. Este tratamento por “tu” acontece logo no princípio e repete-se várias vezes ao longo do documento.

1. CRISTO VIVE: é Ele a nossa esperança e a mais bela juventude deste mundo! Tudo o que toca torna-se jovem, fica novo, enche-se de vida. Por isso as primeiras palavras, que quero dirigir a cada jovem cristão, são estas: Ele vive e quer-te vivo!

129. Se conseguires apreciar com o coração a beleza deste anúncio e te deixares encontrar pelo Senhor; se te deixares amar e salvar por Ele; se entrares na sua intimidade e começares a conversar com Cristo vivo sobre as coisas concretas da tua vida, esta será a grande experiência, será a experiência fundamental que sustentará a tua vida cristã.

 

A verdadeira juventude dos ressuscitados (n.32)

Aparece em quase todo o texto um confronto entre o que é ser jovem verdadeiramente e o que não é. Não caindo no clichê de que em qualquer idade se é jovem, só porque se enuncia esse desejo (quantas vezes para inconscientemente se tentar roubar a juventude aos verdadeiros jovens em idade), ou porque se tem um ar muito moderno e descontraído, o Papa sublinha: uma vida tocada pelo Espírito e com Jesus, vai com certeza ganhando uma alegria, leveza e juventude próprias de Deus e da sua acção entre nós.

2. Quando te sentires envelhecido pela tristeza, os rancores, os medos, as dúvidas ou os fracassos, Jesus estará a teu lado para te devolver a força e a esperança.

13. E, quando quer explicar o que é revestir-se desta juventude que «não cessa de se renovar» (3, 10), [Jesus] diz que significa ter «sentimentos de misericórdia, de bondade, de humildade, de mansidão, de paciência, suportando-vos uns aos outros e perdoando-vos mutuamente, se alguém tiver razão de queixa contra outro» (3, 12-13). Isto significa que a verdadeira juventude é ter um coração capaz de amar. Pelo contrário, aquilo que envelhece a alma é tudo o que nos separa dos outros.

16 (…) Não é bom cair no culto da juventude, nem numa postura juvenil que despreze os outros pelos seus anos ou porque são doutro tempo. (…) Um jovem sábio abre-se ao futuro, mas permanece capaz de valorizar algo da experiência dos outros.

35. Peçamos ao Senhor que liberte a Igreja daqueles que querem envelhecê-la (…) Peçamos também que a livre doutra tentação: acreditar que é jovem porque cede a tudo o que o mundo lhe oferece, acreditar que se renova porque esconde a sua mensagem e mimetiza-se com os outros. Não! É jovem quando é ela mesma, quando recebe a força sempre nova da Palavra de Deus, da Eucaristia, da presença de Cristo e da força do seu Espírito em cada dia.

 

A esperança

Será com certeza algo que não surpreende num texto de Francisco. Com o andar dos anos, muitas pessoas passam dos sonhos para um cinismo de quem se resigna a uma realidade que lhe é imposta e, por isso, de quem quer levar os outros a olhar para a esperança como algo ingénuo a ultrapassar. Há que mudar isso também.

107. Não deixes que te roubem a esperança e a alegria, que te narcotizem para te usar como escravo dos seus interesses. Ousa ser mais, porque o teu ser é mais importante do que qualquer outra coisa; não precisas de ter nem de parecer. Podes chegar a ser aquilo que Deus, teu Criador, sabe que tu és, se reconheceres o muito a que estás chamado. Invoca o Espírito Santo e caminha, confiante, para a grande meta: a santidade. Assim, não serás uma fotocópia; serás plenamente tu mesmo.

 

A Igreja deve aprender a escutar a sério

A sociedade e a Igreja têm mesmo de escutar mais os jovens, e os mais novos em geral. Há uma dimensão de interpelação de Deus, mesmo que com expressões ainda atabalhoadas, nas suas intervenções e contributos. Não podemos continuar na Igreja a fingir que escutamos os jovens nas paróquias, ou os leigos, ou os padres mais novos, etc. Há um tipo de “acolhimento e simpatia” que por uns momentos pode ser eficaz para a imagem. Mas escutar não pode ser marketing. Há uma atitude radicalmente cristã a ganhar: aquela que reconhece no contributo do outro (especialmente do jovem) uma interpelação do Espírito.

41 (…) Para ser credível aos olhos dos jovens, [a Igreja] precisa às vezes de recuperar a humildade e simplesmente ouvir, reconhecer, no que os outros dizem, alguma luz que a pode ajudar a descobrir melhor o Evangelho. Uma Igreja na defensiva, que perde a humildade, que deixa de escutar, que não permite ser questionada, perde a juventude e transforma-se num museu.

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