Roma |
Roma
“Jesus ensinou-nos a invocar o Pai em todas as ocasiões da vida”
<<
1/
>>
Imagem

O Papa Francisco deu ‘boleia’ a oito crianças refugiadas. Na semana em que ordenou 19 padres, o Papa autorizou peregrinações a Medjugorje, convocou jovens empresários e estudantes de Economia e manifestou o desejo de haver, em cada diocese, uma comissão para tratar das denúncias de abusos.

 

1. O Papa Francisco levou, no seu papamóvel, oito crianças refugiadas. Durante o tradicional passeio, pela Praça de São Pedro, na audiência-geral de quarta-feira, para saudar os fiéis, o Papa convidou um grupo de crianças da Síria, Nigéria e Congo, que chegou a Itália a 29 de abril, vindo da Líbia, e também crianças que chegaram de barco há alguns meses. Na catequese, durante o encontro público semanal, a 15 de maio, Francisco refletiu sobre a última invocação do Pai-Nosso, ‘Livrai-nos do mal’. “Jesus ensinou-nos a invocar o Pai em todas as ocasiões da vida, incluindo aquelas em que se faz sentir a presença ameaçadora do maligno”, começou por referir, acrescentando: “Se não houvesse esta súplica no Pai-Nosso, como poderiam rezar os pecadores, os perseguidos, os desesperados, os moribundos? A imploração – «livrai-nos do mal» – recorda a todos a presença do Filho de Deus que nos libertou do mal e restituiu a paz com a sua ressurreição. Nisto está a nossa esperança”.

Na saudação aos polacos, o Papa lembrou Nossa Senhora de Fátima: “Anteontem, celebrámos a memória da Bem-aventurada Virgem Maria de Fátima. O dia 13 de maio é o dia que recorda a sua primeira aparição, que coincide com a do atentado à vida de São João Paulo II. Recordemos a sua afirmação: ‘Em tudo o que aconteceu, vi uma particular proteção maternal de Maria’. Recordemos também as palavras de Nossa Senhora: ‘Vim alertar a humanidade para que mude de vida e não entristeça Deus com graves pecados. Que rezem o terço e façam penitência pelos pecados’. Escutemos esta recomendação, pedindo a Maria a sua proteção, o dom da conversão, o espírito de penitência e a paz para o mundo inteiro. Coração Imaculado de Maria, rezai por nós”. Já no Domingo, na oração pascal do ‘Regina Coeli’, o Papa associou-se à celebração do 13 de maio em Fátima. “Os nossos pensamentos vão para a nossa Mãe celestial, que celebraremos amanhã com o nome de Nossa Senhora de Fátima. Confiamo-nos a Ela, para continuar a nossa jornada com alegria e generosidade”, afirmou, a partir da janela do apartamento pontifício, perante milhares de peregrinos.

 

2. Assinalando o Domingo do Bom Pastor, o Papa presidiu, no dia 12 de maio, no Vaticano, à ordenação de 19 sacerdotes, a quem disse que a Igreja “não é uma associação cultural” nem “um sindicato”. “Nunca vos canseis de ser misericordiosos”, apelou, na homilia da celebração, na Basílica de São Pedro, destacando a importância de os padres serem “homens de oração, homens de sacrifício”. Francisco pediu ainda aos novos sacerdotes para serem próximos de Deus, do bispo, dos outros padres e do povo. “O Senhor quis salvar-nos gratuitamente”, acrescentou, deixando a todos uma exigência sobre a celebração da Eucaristia: “Não a conspurqueis com interesses mesquinhos”.

 

3. O Papa decidiu autorizar peregrinações a Medjugorje, na Bósnia-Herzegovina, permitindo que as mesmas sejam organizadas pelas dioceses e paróquias, em vez da atual forma privada. O diretor da Sala de Imprensa da Santa Sé, Alessandro Gisotti, disse aos jornalistas que esta autorização papal deve ser acompanhada de “cuidado para evitar que essas peregrinações sejam interpretadas como autenticação dos eventos conhecidos, que ainda requerem um exame pela Igreja” –  ainda se esperam as conclusões do inquérito sobre fenómenos de aparições marianas no local. “Dado o fluxo considerável de pessoas que vão a Medjugorje e os abundantes frutos de graça que se seguiram, esta determinação é parte da atenção pastoral particular que o Santo Padre pretendia dar a essa realidade, visando favorecer e promover os frutos do bem”, acrescentou o porta-voz do Vaticano.

A decisão do Papa foi anunciada no santuário pelo Núncio Apostólico na Bósnia e Herzegovina, D. Luigi Pezzuto, e pelo arcebispo Henryk Hoser, visitador apostólico especial para a paróquia de Medjugorje, que foi designado por Francisco, em maio de 2018. Esta paróquia é um ponto de peregrinação para muitos católicos, desde a divulgação dos relatos de aparições da Virgem Maria a seis crianças de uma aldeia da Bósnia-Herzegovina, em 1981.

 

4. Os jovens empresários e estudantes de Economia de todo o mundo foram convocados pelo Papa para um encontro em Assis, no centro de Itália, entre 26 e 28 de março de 2020, para idealizarem juntos uma mudança do modelo socioeconómico. Francisco publicou, no dia 11 de maio, uma carta destinada aos “jovens economistas, empresários e empresárias de todo o mundo” para convidá-los para este evento, que será denominado ‘Economia de Francisco’, em homenagem ao santo pobre de Assis, que fundou a Ordem dos Franciscanos. O objetivo é criar um modelo económico “diferente, que permita às pessoas viver e não matar, incluir e não excluir, humanizar e não desumanizar, cuidar da Criação e não depredar”, num evento que gere “um pacto” para mudar a economia atual.

 

5. O Papa quer que, até junho de 2020, todas as dioceses tenham criado um ‘gabinete’ ou ‘comissão’ especifica para receber e tratar eventuais denúncias de abusos sexuais no Igreja Católica. A orientação consta do Motu proprio ‘Vos estis lux mundi’, divulgado dia 9 de maio e que foi elaborado na sequência do encontro sobre a proteção de menores na Igreja, que decorreu em fevereiro, no Vaticano. O documento, com indicações obrigatórias e universais para toda a Igreja, deixa, no entanto, à liberdade das dioceses o tipo de estrutura a criar, mas sublinha que a ideia é que com essas ‘comissões’, todas estejam preparadas para receber eventuais queixas de quem tenha sofrido abusos, e essas queixas posam ser devidamente tratadas.

No texto, o Papa considera que “muito já foi feito” nesta matéria, mas que é necessário “continuar a aprender das lições amargas do passado a fim de olhar com esperança para o futuro”. Francisco lembra que os crimes de abuso sexual “causam danos físicos, psicológicos e espirituais às vítimas e lesam a comunidade dos fiéis”. O documento deixa claro que a denúncia dos casos de abuso é “obrigatória” para todos os padres, religiosos e religiosas. Passa a ser um “procedimento legal universal” comunicar “de imediato” às autoridades eclesiásticas todas as acusações de abusos e todas as situações de encobrimento dos casos. Esta obrigação não substitui a de comunicar esses casos às autoridades civis, quando a lei do país assim o preveja.

Aura Miguel, jornalista da Renascença, à conversa com Diogo Paiva Brandão
A OPINIÃO DE
António Bagão Félix
A mais recente Encíclica do Papa Francisco, Fratelli Tutti é um documento notável, que “não pretende...
ver [+]

P. Manuel Barbosa, scj
Redigo estas notas em Dia Mundial das Missões, após ter participado na Tarde Missionária em Alfragide com o Dr.
ver [+]

Visite a página online
do Patriarcado de Lisboa
Galeria de Vídeos
Voz da Verdade
EDIÇÕES ANTERIORES