Missão |
Francisca Viveiros, do Projeto Sabi
“Trouxe para casa o desejo de voltar a partir”
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Francisca Viveiros nasceu a 15 de Dezembro de 1995, em Royal Oak, no Michigan (EUA), mas vive em Lisboa, no Parque das Nações, desde 1998. É membro do Projeto Sabi, já participou em várias missões em Portugal e, o ano passado, esteve em missão em São Tomé e Príncipe, por um mês.

 

Nascer numa família rodeada de amor

Francisca diz que foi confrontada, desde muito cedo, “com o facto de ter sido muito abençoada por ter nascido no meio da minha família rodeada de amor, com um teto, comida e acesso a água potável, e então, desde muito cedo que sonhava ser missionária para poder ir ao encontro do outro e pôr-me ao serviço.” No ano em que entrou para a catequese, a sua mãe começou a animar o grupo de jovens da paróquia. “Lembro-me de admirar estes jovens e o seu grupo que fazia tanta coisa na nossa paróquia e de dizer que quando fosse grande queria pertencer a um grupo de jovens. Alguns anos mais tarde a nossa paróquia foi geminada com a paróquia de Santana em São Tomé e lembro-me de ver estes jovens fazerem as malas e partirem rumo ao desconhecido para se porem ao serviço. Quando finalmente entrei para um grupo de jovens, o meu animador era o Zé, alguém que me ajudou a ‘ir mais fundo’ na minha relação com Deus e que, sem dúvida, marcou a minha adolescência. Ora, este Zé era um jovem da nossa paróquia que tinha sido animado pela minha mãe e que pertencia ao Projeto SABI. Ouvi-lo falar do SABI foi muito importante para decidir que era este o projeto em que queria participar”, partilha.

 

Dar + com o Projeto SABI

Assim, com “este desejo e este feedback”, embarcou “a aventura de Dar + com o Projeto SABI pela primeira vez em 2013” e conta-nos: “A verdade é que ao longo do ano de caminhada, dos retiros e dos campos de trabalho, não percebi tudo o que se passava, nem compreendi exatamente o que era esperado de nós, mas disse que sim, e, no verão de 2014, fiz a minha primeira missão de verão em Cachopo, no Algarve. Em Cachopo, comovi-me mais do que uma vez ao perceber que as mais pequenas conversas podiam fazer a diferença na vida de alguém, aprendi que existem desafios em viver em comunidade, mas que só faz sentido fazer missão assim. Aprendi da forma mais bonita que quem passa por nós fica connosco para sempre. Voltei de missão mais consciente do compromisso que queria fazer com o SABI, e cheia de vontade de me entregar por completo.”

No seu segundo ano, integrou a organização do Projeto com “mais desafios e mais responsabilidade” e diz que “foi uma experiência muito enriquecedora, mas que também exigiu muito” de si. “Por requerer tanta responsabilidade, nem sempre me senti muito segura do meu papel, mas trabalhar em grupo tornou tudo mais fácil. Nesse ano, comprometi-me com muita coisa, fui catequista, continuei a pertencer ao meu grupo de jovens, fui responsável da quermesse na paróquia e continuava a pertencer ao Projeto SABI. Tudo isso fez com que descobrisse os meus limites de uma forma dura. O meu corpo começou a acusar cansaço e a minha saúde ressentiu-se”.

 

“Mudar pequenos mundos todos os dias”

No seu terceiro ano decidiu “dar um passo atrás, caminhar com mais calma. Dedicar mais tempo ao crescimento e conhecimento pessoal. Nesse ano fiz missão na Casa Mãe do Gradil em Mafra. Nessa missão percebi que, por mais que tentemos, nunca vamos conseguir mudar o mundo, mas que isso não significa que não possamos tentar mudar pequenos mundos todos os dias. Finalmente, no ano que passou voltei a integrar a organização do Projeto SABI, já com outra tranquilidade e segurança. Senti-me sempre bastante à vontade por saber que estava exatamente onde Ele me queria. E o ano passado fui enviada em missão para São Tomé. Era uma missão que me despertava muita curiosidade, já vinha a ouvir falar dela há muito tempo, mas tentei despojar-me das expectativas e lá parti à descoberta. Em Santana, a nossa missão consistia num campo de férias, em que havia aulas pela manhã e pela tarde visitávamos roças onde dávamos algumas aulas ou fazíamos jogos. Este ano, pela primeira vez, o campo de férias começou antes da nossa chegada, monitores locais começaram a organizar as atividades quando nós ainda estávamos em Lisboa. Foi comovente ver que a presença do Projeto já é tão longa que nos vamos aproximando de uma situação de autonomia por parte dos monitores São Tomenses.  Assim, a nossa missão não foi só com as crianças do campo de férias, mas também com os monitores locais, responsabilizando-os cada vez mais e encorajando-os a confiarem neles próprios.”

 

“A saudade é o que fica do amor”

Sobre a missão, diz que “foi bastante exigente em termos de cansaço, entre aulas, jogos, preparar os jogos e as aulas, idas à cidade, viagens aos fins-de-semana para conhecer a ilha, não tivemos muito tempo para descansar. Às vezes tornava-se difícil parar e ver Deus no meio de tudo isto, mas depressa percebi que, se não o conseguia ver, era porque Ele estava em todo o lado, como se eu fosse um peixe no mar. Estava presente nos jogos de roda matinais, nos risos das crianças, na beleza natural da ilha, quando ouvia ao longe chamar Frrrancisca e nos dias em que ficávamos a cantar em grupo depois da oração da noite. Tenho muitas saudades desta e de todas as outras missões que fiz. Na minha primeira missão disseram-me que ‘a saudade é o que fica do amor’. Quando penso na saudade de missão sei que é o que fica do amor recebido, que é sempre, tão invariavelmente, maior que o amor dado. Assim sendo, e tal como das missões anteriores, trouxe para casa o desejo de voltar a partir.”

texto por Catarina António, FEC | Fundação Fé e Cooperação
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