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“Jesus ensina-nos que o cristão pode rezar em qualquer situação”
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O Papa Francisco terminou o ciclo de catequeses sobre o Pai Nosso. Na semana em que escreveu aos católicos chineses, o Papa falou da “força que transforma” o mundo, realçou que “desperdiçar a comida é descartar as pessoas” e lembrou que o trabalho dos jornalistas é precioso porque contribui para a busca da verdade.

 

1. Ao encerrar o ciclo de catequeses sobre o Pai Nosso, o Papa lembrou que os cristãos podem “rezar em qualquer situação”. “Ao encerrar hoje o ciclo de catequeses sobre a oração do Pai Nosso, podemos chegar à conclusão de que a oração cristã nasce da audácia de poder chamar Pai a Deus. Trata-se de um ato de intimidade filial, fruto da graça de Jesus que nos introduz na familiaridade com Deus. Em diversas passagens do Novo Testamento, podemos ver como Jesus, com o seu exemplo e palavras, nos ensina o sentido da oração do Pai-Nosso. Pensemos nos discípulos que, vendo Jesus passar longos momentos em oração, pedem que Ele lhes ensine como rezar. Ou no Getsemani, onde, ao invocar a Deus chamando-o de Abbá, Jesus demonstra a confiança num momento de angústia. Ou quando Jesus fala da necessidade de rezar de modo insistente e lembrando-se sempre dos irmãos, sobretudo com a disponibilidade de perdoar as ofensas recebidas. Em suma, Jesus nos ensina que o cristão pode rezar em qualquer situação, seja com expressões retiradas da Bíblia, como os salmos, seja com expressões que brotaram dos corações de tantos homens e mulheres que se sabiam amados pelo Pai”, observou o Papa Francisco, na catequese durante a audiência-geral de quarta-feira, 22 de maio.

O Papa saudou ainda os peregrinos de língua portuguesa, incluindo o grupo da Rádio Renascença. “Neste mês dedicado à Virgem Maria, procurai contemplar mais intensamente a face do Senhor Jesus com a oração do Terço, para que Ele seja o centro dos vossos pensamentos, das vossas ações, da vossa vida”, convidou.

 

2. O Papa enviou uma mensagem de “proximidade e afeto” aos católicos da China, que dois dias depois iriam celebrar a festa de Maria Auxiliadora, particularmente venerada no Santuário de Nossa Senhora de Sheshan, perto de Xangai. “Esta feliz ocasião permite-me expressar especial proximidade e afeto a todos os católicos da China que, entre dificuldades e provas diárias, continuam a acreditar, a amar e a amar”, referiu, no final da audiência pública semanal que decorreu no Vaticano, enviando a sua bênção aos católicos chineses: “Caros fiéis na China, a nossa Mãe Celestial ajudar-vos-á a serdes testemunhas da caridade e da fraternidade, mantendo-vos sempre unidos na comunhão da Igreja universal”.

 

3. O Papa Francisco considera o amor a Deus e aos próximos a “força que transforma” a sociedade, superando as limitações pessoais e os preconceitos. “Podemos difundir em todo o mundo a semente do amor que renova as relações entre as pessoas e abre sementes de esperança: este amor torna-nos homens novos, irmãos e irmãs no Senhor, e faz de nós o novo Povo de Deus, a Igreja, na qual todos são chamados a amar Cristo e, nele, a amar os outros”, salientou o Papa, durante a oração do Regina Coeli, na manhã do passado Domingo, 19 de maio.

Francisco refletiu sobre o “mandamento” de amar a Deus e os irmãos, sublinhando que o mesmo se inscreve numa longa tradição bíblica. “Toda a novidade está no amor de Jesus Cristo, aquele com que deu a vida por nós. Trata-se do amor de Deus, universal, sem condições e sem limites”, afirmou, pedindo aos católicos que imitem esta atitude de doação completa, com humildade e reconhecendo as próprias falhas. “Jesus, que nos amou em primeiro lugar, amou-nos apesar das nossas fragilidades, os nossos limites e as nossas fraquezas humanas. Foi Ele que fez com que nos tornássemos dignos do seu amor que não conhece limites e nunca acaba. O amor de Jesus abre horizontes de esperança”, acrescentou.

O Papa recordou ainda a beatificação, na véspera, de Maria Guadalupe Ortiz de Landázuri, leiga do Opus Dei, que “serviu com alegria os irmãos, conjugando o ensino e o anúncio do Evangelho”. “O seu testemunho é um exemplo para as mulheres cristãs comprometidas socialmente e na investigação científica”, declarou.

 

4. O Papa Francisco agradeceu o trabalho dos membros e voluntários da Federação Europeia dos Bancos Alimentares e alertou que “desperdiçar a comida é descartar as pessoas”. No discurso aos cerca de 200 membros que reuniram em Roma, no dia 18 de maio, o Papa expressou a sua gratidão pelo seu trabalho de “dar de comer a quem tem fome” porque “não se trata de assistencialismo, mas um gesto concreto e silencioso de solidariedade e caridade com os mais necessitados”. Francisco referiu mesmo que estes leigos trabalham em prol dos mais necessitados, “combatendo o desperdício de comida e recolhendo as sobras para serem distribuídas aos mais pobres”. No mundo complexo de hoje, é importante que “o bem seja bem feito” e “não deve ser fruto de um mero assistencialismo, que não contribui para o desenvolvimento”, frisou.

Ao referir-se à “economia frenética”, o Papa Francisco expressou a sua preocupação e apelou a uma “economia mais humana, que tenha alma e não espezinhe os mais frágeis, desprovidos de trabalho, de dignidade e de esperança”. “A economia, que nasceu para cuidar da Casa Comum, perdeu a sua personalidade e ao invés de servir o homem, escraviza-o por meio de mecanismos financeiros. Como podemos viver bem se as pessoas são reduzidas a números?”, recordou. “É preciso empreender caminhos saudáveis e solidários, mediante modelos de vida baseados na equidade social, na dignidade das pessoas, das famílias, do futuro dos jovens, do respeito pelo meio ambiente”, concluiu.

 

5. O Papa Francisco considera que o trabalho jornalístico tem um “papel indispensável”, mas requer “grande responsabilidade”. Ao receber, no Vaticano, no dia 18 de maio, os membros da Associação da Imprensa Estrangeira na Itália, o Papa manifestou a sua estima pessoal pela missão. “Quero dizer-vos que estimo o vosso trabalho, a Igreja estima-vos também quando põem o dedo na ferida, mesmo quando a ferida está na comunidade eclesial. O vosso trabalho é precioso porque contribui para a busca da verdade e só a verdade nos faz livres”, referiu. “Num tempo com demasiadas palavras hostis, em que dizer mal dos outros e rotular as pessoas se tornou, para muitos, um hábito, há que recordar sempre que a dignidade de cada pessoa é intangível e nunca lhe pode ser tirada”, lembrou o Papa.

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