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“A salvação não se compra, não se paga. É dom gratuito”
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O Papa Francisco assegurou que “o Senhor doa tudo gratuitamente”. Na semana em que vai visitar a Roménia, o Papa encontrou-se antes com um líder indígena no Vaticano, apelou a médicos para combaterem o aborto e falou de futebol.

 

1. O Papa iniciou um ciclo de catequeses sobre o Livro dos Atos dos Apóstolos, referindo que “não é preciso lutar para ganhar ou merecer o dom de Deus”. “Tudo é dado gratuitamente e no seu tempo. O Senhor doa tudo gratuitamente. A salvação não se compra, não se paga. É dom gratuito”, assegurou Francisco, na audiência-geral de quarta-feira, 29 de maio. Segundo referiu, na Praça de São Pedro, Cristo convida os seus discípulos “a não viverem o presente com ansiedade, mas a fazer uma aliança com o tempo, saber esperar o desenrolar de uma história sagrada que não foi interrompida, mas que avança, a saber esperar os ‘passos’ de Deus, Senhor do tempo e do espaço”. Francisco disse ainda que o Senhor “ressuscitado convida os seus a não ‘fabricar’ a missão por si mesmo, mas a esperar que o Pai dinamize os seus corações com o seu Espírito”, a fim de que possam dar um “testemunho missionário capaz de irradiar-se de Jerusalém à Samaria e ir além das fronteiras de Israel a fim de chegar às periferias do mundo”. O Papa concluiu a catequese pedindo a Deus para que conceda “a paciência de esperar os seus passos, de não ‘fabricar’ nós mesmos a sua obra e permanecer dóceis, rezando, invocando o Espírito e cultivando a arte da comunhão eclesial”.

No final da audiência-geral, o Papa Francisco encontrou-se, e tirou uma foto, com os capitães e reitores das equipas participantes na Clericus Cup de futebol. Entre os sacerdotes futebolistas estava o padre David Palatino, do Patriarcado de Lisboa, que está a estudar em Roma e que, segundo partilhou nas redes sociais, quase conseguiu um autógrafo do Papa na sua camisola.

 

2. O Papa Francisco viaja esta sexta-feira, 31 de maio, para a Roménia, onde fica até Domingo, numa viagem que acontece 20 anos depois da visita de João Paulo II. Numa mensagem-vídeo, divulgada na segunda-feira, dia 28, o Papa saúda o povo romeno, um “país belo e acolhedor”, e afirma que fará a visita “como peregrino e irmão”. “Aguardo com grande expectativa e alegria de poder encontrar o Patriarca e o Sínodo Permanente da Igreja Ortodoxa Romena, como também os pastores e os fiéis católicos. Os laços de fé que nos unem remontam aos Apóstolos, em especial, o vínculo que uniu Pedro e André, que, segundo a tradição, levou a fé às terras de vocês. Irmãos de sangue, eles também derramaram o sangue pelo Senhor. E, entre vocês, foram tantos os mártires, mesmo nos últimos tempos, como os sete bispos greco-católicos que terei a alegria de proclamar Beatos. Tudo o que sofreram, a ponto de oferecer a vida, é uma herança muito preciosa para ser esquecida. E é uma herança comum, que nos chama a não nos distanciarmos do irmão que a compartilha”, referiu o Papa Francisco. “Vou até vocês para caminharmos juntos. Caminhamos juntos quando aprendemos a preservar as raízes e a família, quando cuidamos do futuro dos filhos e do irmão que está ao lado, quando vamos além dos medos e das suspeitas, quando derrubamos as barreiras que nos separam dos outros”, acrescentou.

 

3. O Papa Francisco recebeu, com um abraço, o líder indígena brasileiro Raoni Metuktire, da etnia caiapó, para uma audiência privada na Casa Santa Marta, no Vaticano. O encontro realizou-se a 28 de maio, no contexto da preparação da Assembleia Especial do Sínodo dos Bispos para a região Pan-Amazónica, que Francisco convocou a 15 de outubro de 2017. Com o tema ‘Amazónia: Novo Caminhos para a Igreja e por uma Ecologia Integral’, o Sínodo vai ter lugar entre 6 e 27 de outubro próximo, no Vaticano.

Raoni Metuktire é o líder do povo Caiapó que está a ser “ameaçado por madeireiros e pelo agronegócio”, assinala o site Vatican News. “O Papa reitera a sua atenção pela população e pelo ambiente da área amazónica, e o seu compromisso pela preservação da Casa Comum”, antecipou o diretor interino da Sala de Imprensa da Santa Sé, Alessandro Gisotti, sobre o encontro do Papa com o líder do povo Caiapó. O líder indígena brasileiro está na Europa para alertar para as crescentes ameaças à Amazónia, com diversos encontros com chefes de Estado e opinião pública, num périplo de três semanas.

 

4. O Papa Francisco recebeu os participantes do Encontro Internacional ‘Sim à vida: cuidado com o precioso dom da vida na fragilidade’ e apontou que o “aborto nunca é a resposta ideal que as mulheres e famílias procuram”. “A vida humana é sagrada e inviolável e o uso do diagnóstico pré-natal, para propósitos seletivos, deve ser fortemente desencorajado. O aborto nunca é a resposta ideal que as mulheres e as famílias procuram. Neste sentido, as ações pastorais são sempre urgentes e necessárias para criar espaços, lugares e ‘redes de amor’, aos quais os casais se podem dirigir, além de dedicar tempo para acompanhar as famílias”, disse Francisco, no passado dia 25, ao receber os 300 participantes do encontro internacional. “Nenhum ser humano jamais pode ser incompatível com a vida, seja pela sua idade, pela sua saúde e pela qualidade da sua existência. Toda a criança, desde o seio da sua mãe, é um dom, que muda a história de uma família. Ela deve ser sempre bem-vinda, amada e cuidada”, sublinhou.

Francisco deixou ainda palavras de alento aos médicos, sublinhando que esta profissão é uma missão. “A profissão do médico é uma missão, uma vocação para a vida. Eles devem estar conscientes de que são um dom para as famílias. Por isso, devem assumir a vida dos outros, enfrentar a sua dor; serem capazes de tranquilizar e encontrar soluções sempre no respeito da dignidade da vida humana”, concluiu.

 

5. O Papa Francisco entender ser necessário manter a dimensão lúdica do futebol, que considerou o “jogo mais bonito do mundo”. “Infelizmente, assistimos a fenómenos que afetam a sua beleza, mesmo no futebol juvenil, em campo ou fora do campo. Por exemplo, vemos certos pais se transformando em ‘ultras’, em dirigentes, treinadores”, advertiu, falando perante cinco mil jovens, num encontro promovido pelo jornal italiano ‘Gazzetta dello Sport’, que decorreu na Ala Paulo VI. Francisco falou ainda do futebol, enquanto “jogo”, como um momento de encontro com “pessoas reais” e de “amizade”, contrariando a tendência de uma sociedade cada vez mais centrada no “próprio eu, quase como um princípio absoluto”.

Aura Miguel, jornalista da Renascença, à conversa com Diogo Paiva Brandão
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