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“A unidade não exclui a diversidade”
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O Papa Francisco recordou a viagem à Roménia. Na semana em que falou da fome, o Papa apelou à unidade da Europa, ao regressar da Roménia, onde beatificou sete bispos greco-católicos e se encontrou com ortodoxos, mas também com famílias, e visitou um santuário.

 

1. O Papa Francisco lembrou a visita à Roménia, que decorreu de 31 de maio a 2 de junho. “A minha recente Viagem Apostólica a Romênia, sob o lema ‘caminhar juntos’, que é uma experiência e um valor quer entre cristãos, no plano da fé e da caridade, quer entre cidadãos, no plano do compromisso civil. Como cristãos, tanto católicos como ortodoxos, reconhecemos que a nossa unidade está fundada no único Batismo e marcada pelo sangue e o sofrimento que ambas Igrejas experimentaram juntas durante os tempos escuros da perseguição do regime ateu. Nesse sentido, foi muito significativo o encontro com o Patriarca e o Santo Sínodo da Igreja Ortodoxa romena que culminou na oração do Pai-Nosso, oração cristã por excelência, património comum dos batizados. Assim, mostramos que a unidade não exclui a diversidade. Já com a comunidade católica, foi possível encontrar-se tanto com os fiéis de rito latino como os de rito greco-católico. A última etapa da viagem foi a visita à uma comunidade Rom, onde renovei o apelo contra todo o tipo de discriminação e ao respeito pelas pessoas de qualquer etnia, língua e religião”, resumiu o Papa, durante a audiência-geral de quarta-feira, 5 de junho.

No final do encontro público semanal, Francisco convidou crentes e não-crentes a associarem-se a uma iniciativa pela paz, este sábado, dia 8, no 5.º aniversário do encontro de oração com os presidentes de Israel e da Palestina, que decorreu no Vaticano. “Às 13h00, somos convidados a dedicar ‘um minuto pela paz’ – de oração, para os crentes; de reflexão, para quem não acredita –, todos juntos por um mundo mais fraterno”, declarou Francisco.

 

2. O Papa saiu em defesa dos direitos sociais, em particular dos mais pobres e excluídos, ao falar perante os participantes numa cimeira pan-americana de juízes, que decorreu no Vaticano. “Não há democracia com fome, nem desenvolvimento com pobreza, nem justiça na desigualdade”, sustentou, durante a cimeira patrocinada pela Academia Pontifícia das Ciências Sociais, com o tema ‘Direitos Sociais e Doutrina Franciscana’. “Estou preocupado por notar que surgem vozes, especialmente de alguns doutrinários, que tentam explicar que os direitos sociais são velhos, estão desatualizados e não têm nada com que contribuir para as nossas sociedades. Desta forma, confirmam políticas económicas e sociais que levam os nossos povos à aceitação e justificação da desigualdade e da indignidade”, advertiu.

 

3. O Papa Francisco lançou um apelo à Europa, para que mantenha e reavive os ideais dos seus fundadores. “As ideologias e os políticos que fazem a apologia do medo estão a ameaçar a existência da União Europeia”, declarou o Papa, durante a viagem de regresso a Roma, após uma visita de três dias à Roménia. “Devemos ajudar os políticos a serem honestos. Um político não deve nunca semear o ódio e o medo, nunca. Apenas a esperança, com retidão e exigência, mas a esperança”, afirmou o Papa, acrescentando: “Se a Europa não olhar com atenção para os desafios do futuro, a Europa vai secar. A Europa está a deixar de ser a ‘Mãe Europa’ e está a tornar-se na ‘Avó Europa’. Envelheceu. Perdeu o objetivo de trabalhar em conjunto”.

 

4. O Papa presidiu, no dia 2 de junho, à celebração de beatificação de sete bispos romenos, considerados mártires pela Igreja Católica, que enfrentaram o regime comunista no século XX, recordando que, “perante a feroz opressão do regime, demonstraram uma fé e um amor exemplares pelo seu povo”. “Com grande coragem e fortaleza interior, aceitaram ser sujeitos a dura prisão e a todo o tipo de maus-tratos, para não renegar a pertença à sua amada Igreja. Estes pastores, mártires da fé, recuperaram e deixaram ao povo romeno uma preciosa herança que podemos resumir em duas palavras: liberdade e misericórdia”, declarou, na homilia da Divina Liturgia que reuniu dezenas de milhares de pessoas na localidade de Blaj. Francisco destacou ainda que “também hoje voltam a surgir novas ideologias que procuram, de maneira subtil, impor-se e desenraizar o nosso povo das suas mais ricas tradições culturais e religiosas. Colonizações ideológicas, que desprezam o valor da pessoa, da vida, do matrimónio e da família e, com propostas alienantes e não menos ateias do que no passado, lesam de modo particular os nossos jovens e crianças deixando-os privados de raízes que lhes permitam crescer”.

Ainda neste último dia da visita à Roménia, o Papa pediu “perdão” à comunidade Rom (etnia cigana), “em nome da Igreja Católica”, pelas “discriminações, segregações, maus tratos” sofridos por esta comunidade. “No coração, porém, trago um peso. É o peso das discriminações, segregações e maus-tratos sofridos pelas vossas comunidades. A história diz-nos que os próprios cristãos, os próprios católicos não são alheios a tanto mal. Quero pedir perdão por isso. Em nome da Igreja, peço perdão, ao Senhor e a vós, por todas as vezes que, ao longo da história, vos discriminamos, maltratamos ou consideramos de forma errada, com o olhar de Caim em vez do de Abel, e não fomos capazes de vos reconhecer, apreciar e defender na vossa peculiaridade”, sublinhou Francisco, num encontro com representantes desta etnia.

 

5. O Papa chegou a Bucareste a 31 de maio, sexta-feira, garantindo que os católicos, apesar de poucos, estão ao serviço da construção de um estado moderno. Ainda neste dia, num encontro com a Igreja Ortodoxa romena, Francisco evocou a “fraternidade de sangue” que existe entre católicos e ortodoxos e recordou os laços entre crentes de diferentes confissões que foram forjados nos tempos da perseguição comunista. No sábado, 1 de junho, o Papa manifestou gratidão por visitar um santuário rico em história e fé. “Os santuários, lugares quase ‘sacramentais’ duma Igreja-hospital-de-campo, guardam a memória do povo fiel, que, no meio das suas tribulações, não se cansa de procurar a fonte de água viva onde avivar a esperança”, afirmou, durante a Missa que celebrou no Santuário de Sumuleu-Ciuc, na Transilvânia. “São lugares de festa e celebração, de lágrimas e súplicas”, reforçou o Papa que, nessa tarde, num encontro com jovens e famílias na cidade de Iasi, sublinhou que a fé não se transmite “apenas com palavras, mas com gestos, olhares, carícias como as das nossas mães e avós”.

Aura Miguel, jornalista da Renascença, à conversa com Diogo Paiva Brandão
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