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“Tenho o desejo de ir no próximo ano ao Iraque”
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O Papa Francisco anunciou a intenção de visitar o Iraque, em 2020. Na semana em que destacou a importância do Espírito Santo para a Igreja, o Papa encontrou-se com 400 crianças e lembrou que “o crescimento da Igreja faz-se por atração”. ‘O Vídeo do Papa’ deste mês pede benevolência para com os sacerdotes.

 

1. Num encontro com representantes das comunidades católicas orientais, o Papa anunciou a intenção de visitar o Iraque, em 2020. “Uma ideia insistente acompanha-me, pensando no Iraque, onde tenho o desejo de ir no próximo ano, para que possa seguir em frente, através da participação pacífica e partilhada na construção do bem comum de todos as componentes religiosas da sociedade, e não caia novamente em tensões que vêm dos conflitos intermináveis de potências regionais”, revelou Francisco, no passado dia 10 de junho, na Sala do Consistório, perante os participantes na 92.ª Assembleia Plenária da Reunião das Obras de Ajuda às Igrejas Orientais. A visita do Papa ao Iraque é um desejo antigo, que ainda não se concretizou devido a problemas de segurança.

 

2. O Papa destacou a importância do Espírito para a Igreja e para os fiéis, e a forma como garante a unidade no meio da diversidade. “Há sempre a tentação de construir ‘ninhos’: reunir-se à volta do próprio grupo, das próprias preferências, o semelhante com o semelhante, alérgicos a toda a contaminação. Do ninho à seita, o passo é curto: quantas vezes se define a própria identidade contra alguém ou contra alguma coisa! Pelo contrário, o Espírito Santo junta os distantes, une os afastados, reconduz os dispersos”, lembrou Francisco, na homilia da Missa de Pentecostes, em Roma, no passado dia 9 de junho. “Dos ‘ninhos’ às seitas é um pequeno passo, mesmo dentro da Igreja”, disse ainda o Papa, improvisando em relação ao texto preparado.

O Espírito Santo, explicou Francisco, é o que dá verdadeira harmonia e paz à Igreja e aos homens, permitindo ultrapassar o mal com o bem. “Retribuindo o mal com mal, passando de vítimas a verdugos, não se vive bem. Pelo contrário, quem vive segundo o Espírito leva paz onde há discórdia, concórdia onde há conflito. Os homens espirituais retribuem o mal com bem, respondem à arrogância com a mansidão, à maldade com a bondade, à barafunda com o silêncio, às maledicências com a oração, ao derrotismo com o sorriso”, apontou. Como exemplo, o Papa falou dos próprios apóstolos, que antes de receberem o Espírito estavam recolhidos e com medo das autoridades. “O Espírito não lhes tornou as coisas mais fáceis, não fez milagres espetaculares, não eliminou problemas nem opositores. O Espírito trouxe para a vida dos discípulos uma harmonia que faltava: a Sua, porque Ele é harmonia.” A história do Pentecostes comprova, segundo o Papa Francisco, que “a própria visão do Ressuscitado não basta; é preciso acolhê-l’O no coração”.

 

3. O Papa encontrou-se, no Vaticano, com 400 crianças das cidades de Génova (atingidas pela queda da Ponte Morandi) e da Sardenha (que sofreram com as inundações), numa iniciativa com o lema ‘Uma ponte de ouro num mar de luz’, promovida anualmente pelo Conselho Pontifício para a Cultura, que tem como intervenientes “crianças que enfrentaram situações de dificuldade e fragilidade social”, explica a Santa Sé. De acordo com o portal Vatican News, os mais novos chegaram ao encontro, no passado sábado, dia 8 de junho, através de comboio (Génova) e de barco (Sardenha). As crianças dialogaram depois com o Papa sobre o impacto e as consequências vividas com as diferentes tragédias. A iniciativa “não é só um evento”, realça a Santa Sé, mas um “percurso pedagógico e educativo”.

Ainda neste dia, o Papa Francisco encontrou-se com cerca de seis mil membros do Renovamento Carismático Católico, que participavam numa conferência internacional de líderes do movimento, sublinhando a urgência de “partilhar a graça recebida no Batismo, pelo Espírito Santo, com todos os crentes”. “Que sirvam a unidade do Corpo de Cristo, que é a Igreja, uma comunidade de fiéis em Cristo; e que sirvam os pobres e os que têm mais necessidades, físicas e espirituais”, apontou o Papa, apelando ainda a uma “evangelização” sem “proselitismo”, mas marcada pelo “testemunho de amor a todos os seres humanos”. “Tudo é possível através do amor cristão. Que a Renovação Carismática, corrente de graça do Espírito Santo, seja testemunha deste amor”, terminou.

 

4. “O crescimento da Igreja faz-se por atração, não por proselitismo”, lembrou o Papa, durante um encontro, no Vaticano, com os participantes no Congresso de Centros Nacionais para as Vocações das Igrejas da Europa, em que Portugal esteve representado por D. António Augusto Azevedo, presidente da Comissão Episcopal Vocações e Ministérios. Para Francisco, buscar novas vocações não é o mesmo que “procurar novos membros para um clube”. “Para chegarmos ao coração deles é preciso, antes de mais nada, falar uma língua que eles compreendam”, referiu. “É um trabalho que tem de ser feito passo a passo. Quem trabalha com os jovens, portanto, não deve impor, mas sim acompanhar, guiar e ajudar para que o encontro com o Senhor os faça ver qual é o caminho da vida”, acrescentou.

O Papa admitiu ainda que a pastoral com os jovens implica dar às estruturas da Igreja uma maior dinâmica porque, quanto se trata dos mais novos, não é possível pensar em soluções cómodas ou instaladas. “Hoje, os jovens estão em movimento e devemos trabalhar com eles em movimento e tentar ajudá-los a encontrar a sua vocação de vida. Isto cansa… Temos de nos mexer! Não podemos trabalhar as vocações sem nos cansarmos”, realçou, sublinhando que “a pastoral vocacional não pode ser tarefa somente de alguns líderes, mas da comunidade”.

 

5. O Papa pediu aos católicos para olharem com benevolência para os sacerdotes que trabalham em cada uma das suas comunidades, lembrando que “a santidade faz sempre menos barulho que o pecado e o escândalo”. Na edição de junho de ‘O Vídeo do Papa’, Francisco afirma que “o trabalho duro dos sacerdotes, longe de ser perfeito, demonstra o esforço humilde e alegre de quem procura fazer comunidade e aproximar-se cada vez mais do povo de Deus”. O Papa dá ainda graças pelo exemplo dos sacerdotes que, com a sua disponibilidade e proximidade, dão testemunho do amor de Cristo, e convida os católicos a rezar por eles, “para que com a sobriedade e humildade da sua vida, se empenhem numa solidariedade ativa para com os mais pobres”.

Aura Miguel, jornalista da Renascença, à conversa com Diogo Paiva Brandão
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