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DOMINGO XII COMUM Ano C

“Se alguém quiser vir comigo, renuncie a si mesmo,

tome a sua cruz todos os dias e siga-Me.”

Lc 9, 23

 

Este é um tempo de festas e de fins de etapas. Finais do ano escolar, com os exames a confirmar o trabalho de um ano e as notas a premiarem o esforço. Finais de ano pastoral com todas as festas da catequese, Baptismos e primeiras comunhões com sabor a tempo pascal. Há um cheirinho a férias (para os que as têm!), e o mar ou o campo a chamarem por nós. Descanso para uns, continuidade para outros, vivemos em ciclos, muitas vezes sem pensar mais fundo, nem questionar a engrenagem de tudo. É preciso ver para onde vamos e com quem vamos.


O ritmo da liturgia leva-nos a um momento fulcral da vida de Jesus com os discípulos. Para a etapa seguinte os amigos de Jesus precisam passar num exame. Saber se estão capazes do nível seguinte, de arriscar o jogo novo do “quem perde, ganha!”. Duas perguntas apenas, uma mais fácil e outra a valer maior cotação. A matéria para a primeira resposta estava na ponta da língua. Tinham ouvido os ditos de muitas pessoas, conheciam a esperança de Israel, sabiam bem o passado. A resposta à segunda pergunta é que foi mais difícil: Jesus era mais do que aquilo que se dizia, não tinham palavras para o descrever. Tinha traços do passado mas era mais futuro, e Pedro arrisca a resposta que compromete para algo novo. Jesus vai então revelar o seu “bilhete de identidade”, mesmo que eles não consigam ainda entendê-lo.


A teoria ficou gravada no coração deles: um messias sofredor, rejeitado, crucificado, morto e ressuscitado? Não estavam preparados para isto. Então Deus não é Todo-Poderoso, vencedor dos malvados, dominador do universo, sempre triunfador? E antes que despertassem do choque, Jesus fala a todos (os discípulos, outros que o ouviam, aos do seu tempo e de todos os tempos, nós inclusive), sobre o que implica “andar com Ele”, “segui-l’O”. S. Lucas é o único evangelista a dar importância ao “todos” a quem se dirige Jesus, e a sublinhar que a cruz é para levar “todos os dias”. Não há viver com Cristo de diferentes categorias. Ou seguimos ou não seguimos, ou vivemos ou não vivemos. Sem dúvida que a perfeição e o coração de cada um só Deus pode medir. Não é uma prova de velocidade para haver um vencedor, mas de resistência para nos auxiliarmos, e todos chegarmos.


O jogo do “quem perde, ganha” parece estúpido para as nossas contabilidades. Que ganho é esse que não vê imediatamente, que não se pode depositar num banco ou publicar numa rede social? O individualismo tem por prémio a solidão, a vida “selficada”; a vida feita dom multiplica-se, constrói comunhão. Ultrapassar o “salve-se quem puder” para viver a “salvar todos os que puder”, é a cruz de todos os dias. Cruz que é vida dada, e não roubada, nem acumulada, nem guardada. Se “todos” forem mais importantes do que “eu”, ou só “os meus”, ganhamos verdadeiramente a vida. E, então, não importará menos “para onde vamos”, pois sabemos “com Quem” vamos?

P. Vítor Gonçalves (ilustração por Tomás Reis)
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