Liturgia |
Os Padres da Igreja ao ritmo da Liturgia
«Senhor, sois o meu Deus: desde a aurora Vos procuro»
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«Todos vós sois filhos de Deus pela fé em Jesus Cristo, porque todos vós, que fostes baptizados em Cristo, fostes revestidos de Cristo. Não há judeu nem grego, não há escravo nem livre, não há homem nem mulher; todos vós sois um só em Cristo Jesus. Mas, se pertenceis a Cristo, sois então descendência de Abraão, herdeiros segundo a promessa» (Gal 3, 26-29).


Santo Agostinho, bispo de Hipona e doutor da Igreja no séc. V. O coração, para Santo Agostinho, é simultaneamente a sede do pensamento e dos sentimentos. Nos seus escritos, raramente se refere ao coração como órgão anatómico, mas tem habitualmente um sentido metafórico e identifica-se com o ser espiritual do homem. Assim escreveu Santo Agostinho:

Sois grande, Senhor, e infinitamente digno de ser louvado. É grande o vosso poder, e sem limites a vossa sabedoria. O homem, pequena parcela da vossa criação, quer louvar-Vos… Vós o incitais a que se deleite nos vossos louvores, porque nos criastes para Vós e o nosso coração não descansa enquanto não repousar em Vós. (Confissões I, 1).

Onde te escuta o Senhor? Interiormente. Onde Se dá o Senhor? Interiormente. Ali oras, ali és ouvido, ali te tornas feliz. Rezaste, foste ouvido, ficaste feliz. E quem está perto de ti não se apercebe de nada. Tudo se passa ocultamente, como o Senhor diz no Evangelho: Entra no teu quarto mais secreto e, fechada a porta, reza em segredo a teu Pai, pois Ele, que vê o oculto, há-de recompensar-te. Entrar no quarto é entrar no seu coração. Felizes aqueles que entram com alegria no seu coração e nada de mal ali encontram (Comentário ao Salmo 33, Sermão 2, 8).

Quando Cristo fala, umas vezes fala somente na pessoa da Cabeça, que é o próprio Salvador, nascido da Virgem Maria; outras vezes fala na pessoa do seu Corpo, que é a santa Igreja, difundida por toda a terra. Nós somos o seu Corpo, se é que a nossa fé sincera, a nossa esperança segura e a nossa caridade ardente estão fixas n’Ele. … Há gemidos ocultos da alma, que não podem ser ouvidos por ninguém… Não estão diante dos homens, que não podem ver o coração, mas diante de Vós, Senhor, estão os meus desejos. Esteja o teu desejo na sua presença; e o Pai, que vê os segredos mais íntimos da alma, te atenderá. O teu desejo é a tua oração. Se o teu desejo for contínuo, contínua será também a tua oração. Não foi em vão que disse o Apóstolo: Orai sem cessar. Será preciso, então, estar continuamente de joelhos, prostrados, de mãos erguidas, para obedecer a este preceito: Orai sem cessar? Se é isto que entendemos por orar, julgo que não podemos orar sem cessar… Existe, porém, outra oração interior e contínua, que é o desejo. Ainda que faças qualquer outra coisa, se desejas aquele repouso sabático em Deus, não interrompes a oração. Se não queres interromper a oração, não interrompas o desejo.  Se o teu desejo é contínuo, é contínua a tua voz. Calar-te-ás se deixares de amar. Quem é que se cala? A frieza na caridade é a mudez do coração; o fervor da caridade é o clamor do coração. (Comentário ao Salmo 37, 6.13-14).

(Antologia Litúrgica 2979.3111.3116-3118)


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