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“A vida na Amazónia está ameaçada pela destruição”
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O Vaticano denunciou a ameaça ao “pulmão do planeta”. Na semana em que visitou uma região afetada por um terramoto em 2016, o Papa falou numa “emergência climática”, pediu aos Núncios Apostólicos para defenderem a Igreja e publicou a Mensagem para o III Dia Mundial dos Pobres.

 

1. “A vida na Amazónia está ameaçada pela destruição e exploração ambiental, pela violação sistemática dos direitos humanos elementares da população amazónica. De modo especial a violação dos direitos dos povos originários, como o direito ao território, à autodeterminação, à demarcação dos territórios e à consulta e ao consentimento prévios”, assinala o documento de trabalho da assembleia especial do Sínodo dos Bispos sobre a Amazónia, que o Papa convocou para outubro. O texto, divulgado no passado dia 17 de junho, conta com o contributo das comunidades locais, que apontam o dedo a “interesses económicos e políticos dos setores dominantes”, em particular “empresas extrativistas, muitas vezes em conivência, ou com a permissividade dos governos locais, nacionais e das autoridades tradicionais”. Entre as ameaças elencadas estão “os grandes interesses económicos, ávidos de petróleo, gás, madeira, ouro, monoculturas agroindustriais”, bem como “megaprojetos de infraestruturas, como as hidroelétricas e estradas internacionais, e atividades ilegais vinculadas ao modelo de desenvolvimento extrativista” de minérios.

O documento orientador dos trabalhos do Sínodo – que decorre de 6 a 27 de outubro e vai refletir sobre o tema ‘Novos caminhos para a Igreja e para uma ecologia integral’ – admite ainda que, “para as áreas mais remotas da região seja estudada a possibilidade de ordenação sacerdotal para anciãos, preferencialmente indígenas, respeitados e aceites pela sua comunidade, mesmo que já tenham família constituída e estável, a fim de garantir os sacramentos que acompanham e sustentam a vida cristã”.

 

2. O Papa Francisco pediu, na cidade de Camerino, atingida por um sismo em 2016, que ninguém se esqueça das vítimas, passada a “comoção” e o aparato mediático em volta da tragédia. “Quase três anos se passaram e o risco é que, após o primeiro envolvimento emocional e dos media, a atenção caia e as promessas acabem em segundo plano, aumentando a frustração daqueles que veem o território cada vez mais deserto. O Senhor, pelo contrário, desafia a lembrar, reparar, reconstruir e fazer isso juntos, sem nunca esquecer aqueles que sofrem”, assinalou, na homilia da Missa a que presidiu, ao ar livre, no passado Domingo, 16 de junho, perante milhares de pessoas.

A passagem pela localidade da região central da Itália, muito danificada pelo sismo, começou com um encontro com famílias que ainda vivem em alojamentos provisórios, e pela visita à Catedral de Camerino, onde são visíveis os danos – Francisco teve de usar um capacete para poder entrar no templo. “Vim aqui hoje para estar perto de vós; estou aqui para rezar convosco a Deus, que se lembra de nós, para que ninguém se esqueça de quem está em apuros”, referiu, durante a Missa, evocando o “Deus da esperança”, para que suscite “gestos concretos de proximidade”. Antes, Francisco tinha elogiado a “paciência e coragem” das famílias que vivem nas estruturas provisórias, visitando as suas casas e desejando que, em breve, seja encontrada uma solução definitiva.

Neste dia, o Papa manifestou ainda a sua preocupação com as “tensões” no Golfo Pérsico, apelando à intervenção da comunidade internacional para promover o diálogo. “Sigo com preocupação o crescimento das tensões no Golfo Pérsico. Convido todos a recorrer aos instrumentos da diplomacia, para resolver os complexos problemas dos conflitos no Médio Oriente. Renovo também à comunidade internacional um forte apelo para que faça todos os esforços possíveis para favorecer o diálogo e a paz”, referiu, no final da Missa em Camerino.

 

3. O Papa apelou a uma “transição energética radical”, falando perante responsáveis de empresas petrolíferas convocados pelo Departamento para o Serviço de Desenvolvimento Humano Integral, da Santa Sé. “Hoje, é necessária uma transição energética radical para salvar a nossa casa comum. Ainda há esperança e tempo para evitar os piores impactos da mudança climática, desde que haja uma ação rápida e resoluta”, declarou Francisco, numa audiência que decorreu na Casina Pio IV, no passado dia 14 de junho. A intervenção abordou os riscos das mudanças climáticas e sublinhou que “o tempo está a esgotar-se”. “Não nos podemos dar ao luxo de esperar que os outros se adiantem, ou dar prioridade aos benefícios económicos de curto prazo. A crise climática exige ação específica de nós, aqui e agora, e a Igreja está totalmente comprometida em fazer a sua parte”, apontou Francisco.

 

4. O Papa Francisco pediu aos Núncios Apostólicos para defenderem a Igreja, recordando os deveres de “obediência” no desempenho das suas funções. “É, por isso, inconciliável ser representante pontifício e criticar o Papa, pelas costas, ter blogues ou mesmo unir-se a grupos hostis a ele, à Cúria e à Igreja de Roma”, advertiu, num texto entregue a estes responsáveis e divulgado pelo Vaticano, antes de um encontro de duas horas, à porta fechada, no passado dia 13. O documento desafia os embaixadores da Santa Sé a evitar qualquer situação de potencial “fraude” e a rejeitar as “calúnias”.

 

5. Na Mensagem para o III Dia Mundial dos Pobres (17 de novemnbro), o Papa sublinhou a urgência de dar voz aos marginalizados e excluídos. “A condição de marginalização, em que vivem acabrunhadas milhões de pessoas, não poderá durar por muito tempo. O seu clamor aumenta e abraça a terra inteira”, escreveu Francisco, a propósito de uma celebração instituída por si próprio. O texto denuncia “formas de novas escravidões” a que estão submetidos milhões de homens, mulheres, jovens e crianças, nos dias de hoje, e evoca, em particular, “os milhões de migrantes vítimas de tantos interesses ocultos”, as pessoas sem-abrigo e marginalizadas e os pobres que procuram, no lixo, algo com que se “alimentar ou vestir”.

A mensagem, com o título ‘A esperança dos pobres jamais se frustrará’, foi simbolicamente apresentada no dia da festa litúrgica de Santo António (13 de junho).

Aura Miguel, jornalista da Renascença, à conversa com Diogo Paiva Brandão
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