Missão |
João Raposo
“Uma missão que me é confiada”
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João Raposo nasceu em Lisboa a 27 de dezembro de 1980. É o mais novo de sete filhos. Estudou Gestão de Empresas, é licenciado em Filosofia e esteve cinco anos na Companhia de Jesus (Jesuítas). Foi membro do Movimento ao Serviço da Vida (MSV).

 

João conta que a data do seu nascimento está “intrinsecamente associada ao meu nome, pois os meus pais, que são ambos pessoas de prática de Igreja, quiseram que me chamasse João Maria por ter nascido no dia de S. João Evangelista e por ter sido num sábado.” É o mais novo de sete filhos o que o “obrigou a ser um sobrevivente para ganhar o meu lugar no meio da algazarra própria de uma casa em que, felizmente, jantávamos todos os dias à mesa e todos queríamos contar as nossas aventuras diárias! Uma casa com muito barulho, mas onde sempre se soube fazer silêncio para rezar. Guardo de forma agradecida o bom hábito de rezarmos o terço todas as noites do mês de maio”, partilha. Estudou no Colégio Planalto entre os 3 e os 17 anos. Antes de completar 18 anos foi para a faculdade estudar Gestão de Empresas: “Creio que me motivou o desejo de aprender as boas práticas de gestão para poder criar valor à minha volta. Tenho presente a frase de Baden-Powell, na sua última carta, que nos apela a ‘deixar o mundo um pouco melhor do que aquilo que encontrámos’. Espero que a minha atual vida de gestor cumpra com esse propósito”.

 A sua vida cristã iniciou-se “20 dias depois de nascer, data que a minha mãe faz questão de lembrar com uns chocolatinhos todos os anos”. Recebeu todos os sacramentos de iniciação “nas idades habituais e sem grandes questões”. “Só na universidade é que as dúvidas começaram a surgir com mais frequência e isso foi essencial para fortalecer a fé, ou pelo menos para ganhar mais humildade. Perceber que não se sabe tudo e que a pergunta pode ser mais libertadora do que a resposta é um passo muito importante em qualquer percurso cristão. Sempre bem acompanhado espiritualmente, sobretudo através das irmãs Escravas do Sagrado Coração de Jesus, pude ir fazendo perguntas e mais perguntas que me ajudaram a criar a relação de filho e de amigo que hoje tenho com Deus. Trato-O como um Pai que me ama. Mesmo quando não me dá as respostas que procuro, dá-me mais perguntas que me levam a ir mais profundo. Confesso que me custa quando Deus parece estar mais calado na minha oração, mas aí tento agarrar-me à relação que é construída em cada momento e rezo para lhe ser fiel”, deseja.

 

“Ser um instrumento para tornar os outros mais felizes”

Diz-nos que não há nada que o deixe “mais feliz do que as relações humanas”. “Por isso, os principais marcos da minha vida pessoal estão sempre associados a terceiros. Em primeiro lugar, a entrega à minha mulher Inês no dia do nosso casamento. Nesse dia 8 de novembro, em Tomar, pude experimentar a maior alegria da complementaridade. Perceber que naquele momento começámos uma família, que graças a Deus já conta com duas filhas, é uma transformação de identidade sem igual. Sem perdermos a individualidade, passamos a ser uma nova pessoa! Como marido e como pai de duas filhas tenho uma vida cheia de Graça! No entanto, para aqui chegar, Deus e eu fizemos um caminho um bocado original. Depois de algumas boas experiências de namoro, confesso que não estava seguro que a minha vocação passasse pelo casamento. Assim, após uma peregrinação à Terra Santa (com a ACEGE), já com 27 anos, iniciei um discernimento vocacional que me levou a entrar no noviciado da Companhia de Jesus (em Cernache – Coimbra). Creio que este passo foi motivado pelo que disse no início: o desejo de dedicar a minha vida aos outros. As maiores alegrias da minha vida estavam sempre associadas ao serviço aos outros. Sempre que podia estava dedicado a experiências de voluntariado, mas as que tiveram mais impacto foram aquelas que fiz no tempo universitário. Durante esse tempo (e mesmo depois disso) estive ligado ao MSV – Movimento ao Serviço da Vida, que me proporcionou as primeiras experiências de missão fora do país. Durante cinco verões da minha vida fui para o interior de Minas Gerais, no Brasil, onde, juntamente com outros amigos, estávamos ao serviço de tudo o que as comunidades locais precisassem: desde dar apoio aos estudos, visitar as famílias até visitar os presos. Era uma sensação muito boa. Claro que procurávamos melhorar a vida das pessoas com quem estávamos, mas seguramente que a minha vida ganhou muito mais. Ali percebe-se bem que há mesmo mais alegria em dar do que em receber. Ainda hoje é muito importante para a minha vida perceber que a vida pode (e deve!) ser um instrumento para tornar os outros mais felizes. Quando chegávamos ao Brasil não íamos com bens materiais para dar, mas “apenas” com as nossas vidas disponíveis para o que fosse mais necessário. E isso fez a diferença em muitas vidas. O projeto do MSV não era apenas no verão e por isso, ao longo do ano letivo também tive a oportunidade de dedicar o meu tempo de fim-de-semana às pessoas mais velhinhas da serra algarvia de Alcoutim, ou aos miúdos do bairro do Pragal, em Almada. A juntar ao MSV, também na faculdade fiz as missões universitárias, em Coruche. Tenho muitas experiências de serviço e acho que fruto disso comecei a pensei que Deus poderia estar a chamar-me a uma vocação religiosa, sendo os jesuítas o lugar de realização dessa vocação. No entanto, este chamamento à universalidade não é um exclusivo da vida religiosa e só passados alguns anos fui realizando que estava mais motivado pelo desejo de ser apreciado por terceiros, do que propriamente a fazer o caminho que Deus mais desejava para mim. Por isso, quando saí da Companhia já tinha mais claro os caminhos de Deus. Felizmente não foi uma saída pela negativa, ou seja, não foi uma saída porque percebi que não era pelos jesuítas, mas sim porque sabia que Deus me chamava a uma vocação matrimonial, sem perder o coração universal que me leva a querer fazer pontes entre todas as margens que não se conhecem”.

Quando saiu dos Jesuítas, (janeiro de 2013) voltou para casa dos seus pais com dois propósitos: “terminar a licenciatura em Filosofia e procurar trabalho”. “Não foi fácil, uma vez que o país estava mergulhado numa crise financeira. Ainda assim, consegui ir trabalhar para uma Câmara de Comércio como gestor de projetos de financiamento europeu que ajudassem empresas portuguesas a irem para a Colômbia e vice-versa. Mas a minha vida profissional não se realizava por aí. Assim sendo, com a ajuda de um grande amigo que hoje é meu sócio, o João Morais Barbosa, comecei a dar formação em Literacia Financeira e a ajudar famílias a reorganizarem o seu orçamento familiar. Rapidamente percebemos que tínhamos de dar uma resposta estruturada às centenas de famílias que nos procuravam porque estavam sobre endividadas e desesperadas com a dificuldade em aguentar todas as responsabilidades. Assim sendo, começámos uma empresa – Reorganiza Com Sentido – que tem prestado apoio a milhares de pessoas que procuraram melhores condições nos seus créditos e/ou querem reestruturar as suas finanças pessoais. Hoje, na Reorganiza temos mais de 15 pessoas a trabalhar neste apoio e é uma alegria muito grande ver os resultados da nossa atuação junto dos clientes, bem como ter um conjunto de pessoas incríveis que se realizam pessoalmente através do trabalho. Acredito que a realização profissional é só um passo para uma realização pessoal. O trabalho é um meio para uma vida feliz, não é o trabalho que faz de nós pessoas realizadas. Gerir pessoas é um desafio que Deus me deu e que procuro levá-lo como uma missão que me é confiada. O que mais desejo é que quem trabalhe na Reorganiza seja melhor homem ou mulher do que quando entrou. Esta melhoria não se mede apenas pelos resultados apresentados. Há muito mais do que isso para trabalhar com as equipas”, conta.

texto por Catarina António, FEC | Fundação Fé e Cooperação
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