Lisboa |
Ordenações Diaconais e Presbiterais
Chamados a “escutar” e a “levar Jesus” a muitos
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Neste sábado, 29 de junho, às 11h00, vão ser ordenados dois padres, alunos do Seminário dos Olivais, e seis diáconos permanentes. Ao Jornal VOZ DA VERDADE, os dois novos sacerdotes falam do que originou a sua entrada no seminário e dos desafios que se vão colocar nos primeiros anos de ministério sacerdotal.

 

“Disponível para levar Jesus a muitos e permitir a muitos que toquem Jesus”

Aos 8 anos, o Agrupamento de Escuteiros da Amadora foi, para Miguel Rodrigues, o “espaço” onde este futuro sacerdote desenvolveu o seu crescimento “humano e, até, social”, sempre a par com a catequese, mesmo quando pensou que os escuteiros “seriam o suficiente”. “A minha mãe foi insistindo para que ficasse na catequese e assim foi”, conta Miguel, que vai ser ordenado sacerdote, neste sábado, no Mosteiro dos Jerónimos. Com a continuidade na catequese, e prestes a receber o sacramento da Confirmação, “a fé começou a ter uma importância maior”. “Sempre achei que era importante, para mim, levar as coisas que tinha em mãos com seriedade. Por isso, percebi que, com a fé, também tinha de ser assim ou não fazia sentido”, explica, ao Jornal VOZ DA VERDADE. Assim, no caminho inverso à maioria dos adolescentes, que deixa a Igreja após o Crisma, este foi, para Miguel Rodrigues, o momento ideal para se “entusiasmar, permanecer e continuar” na Igreja, com a perspetiva de dar catequese e participar no grupo de jovens, e descobrir o que Jesus lhe tinha reservado.

 

Deus queria algo diferente

Da família, sobretudo da mãe, Miguel e a sua irmã receberam a “introdução à fé”, recorda este jovem, que, durante o retiro para o Crisma, se viu confrontado com a pergunta: ‘O que Jesus quer de mim?’. “Era uma questão que nunca tinha posto e nem entendia como muito relevante porque achava que já sabia quais eram os sonhos que me levariam a ser feliz. Passavam por constituir família, ser pai e ser arquiteto”, revela. “Se eu sonhava coisas boas, não percebia como Deus podia querer algo diferente disso. Isso causava-me alguma estranheza”, conta este futuro sacerdote que, nesse período, quando estava no 11.º ano, foi desafiado a participar num campo vocacional do Pré-Seminário. Apesar de ter sido uma semana “muito boa”, sentiu-se confrontado com a possibilidade de Jesus, “eventualmente”, querer que fosse padre. Mas o curso em Arquitetura, “era uma coisa que não estava disposto a abdicar”, conta. E, durante alguns anos, não abdicou. Seguiu então o Ensino Secundário no curso de Artes Visuais, mas foi “desafiado” para os encontros mensais do Pré-Seminário, que aceitou inicialmente. Por coincidirem com as atividades escutistas, teve depois de recusar. “Não estava disposto a abdicar dessa experiência que me dizia tanto por algo que não sabia onde me iria levar”, conta.

 

Será?

O que nunca desapareceu no pensamento de Miguel Rodrigues foi a pergunta: ‘Será que estou a ir atrás do que Deus quer?’. No entanto, prosseguiu com a vida escolar e também afetiva, chegando a ter um namoro, durante dois anos, com uma rapariga da paróquia. “A questão do seminário ficou arrumada”, pensou. Até que, num retiro paroquial de jovens, alguns seminaristas partilharam as suas experiências. “Eu revi-me muito naquilo que estava a ser contado, nos medos, nas angústias, e achei que aquilo era um sinal muito claro de que Deus me pedia que levasse a sério a questão”, revela, não escondendo o “medo” das decisões que podiam advir. O namoro de dois anos chega, então, ao fim. Aos pais, a notícia de que ia entrar no seminário abriu “uma porta que tinha sido fechada há muito tempo”, levando até a alguma apreensão. Contudo, para os colegas de faculdade, onde Miguel fez dois anos do curso de Arquitetura, a notícia “não foi uma grande novidade”.

 

Amadurecer em comunidade

Da caminhada em seminário, o futuro sacerdote, de 26 anos, destaca o gosto pela vida em comunidade. “A estrutura comunitária a que somos convidados a abraçar no seminário é importantíssima para a nossa maturidade afetiva, para limarmos as arestas da nossa personalidade. Descobrir isto é descobrir uma riqueza que, por vezes, é dura, mas amadurece-nos muito e isso é muito importante para as missões que receberemos”, define. Nos últimos anos como seminarista, através do trabalho pastoral no Pré-Seminário, foi “descobrindo a alegria de ser pai, de outra maneira”, revela. Nos dois últimos anos, na Paróquia do Estoril, e, no último ano como diácono, a comunidade paroquial foi essencial porque o “ajudou a ter uma perspetiva diferente da vida de ministério”, destaca.

 

“Disponível para levar Jesus”

O contexto pastoral onde vai desenvolver o seu primeiro ano como padre é, para Miguel Rodrigues, uma oportunidade para a Igreja apresentar “gestos que sejam proféticos para o mundo”. “Esta última etapa do percurso sinodal, dedicado à caridade, toca muito este aspeto. A fé precisa de ser algo operativo, como lembra o Papa Francisco e o nosso Patriarca. É uma fé que se constrói a partir do serviço, da caridade”, assegura este futuro novo sacerdote, também confiante de que a Jornada Mundial da Juventude, que Lisboa vai receber em 2022, “é uma oportunidade muito grande para a Igreja diocesana, para ajudá-la a renascer com um novo vigor”. A dias de ser ordenado sacerdote, o diácono Miguel Rodrigues diz-se “verdadeiramente disponível para levar Jesus a muitos e permitir a muitos que toquem Jesus”.

 

Miguel Romão Rodrigues

26 anos

Paróquia da Amadora

 

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“Sinto-me chamado a escutar, estar com as pessoas, ser delas e, com elas, ser Igreja”

 

Tiago Roque tinha 3 anos quando um curioso interesse ajudou a família a abraçar a fé, de forma mais profunda. Apesar de “não gostar nada” de ir à Missa, Tiago queria sempre “entrar em todas as igrejas por onde passava”. Os passeios por Óbidos, por exemplo, “eram um problema”, graceja. “Queria ir lá dentro das igrejas, contemplar tudo aquilo, a beleza das imagens, os santos, mesmo sem saber quem tinham sido aquelas pessoas. Isso marcava-me profundamente”, lembra, ao Jornal VOZ DA VERDADE, Tiago Roque, dias antes da sua ordenação sacerdotal, reconhecendo que esse facto também contribuiu, “de certa forma”, para “puxar” a família para a fé e “para aprofundarem o seu caminho”.  Para este futuro sacerdote, a sua família “mais alargada” foi “muito importante” para o seu crescimento como “homem, como cristão”. Tem memórias da presença dos avós, na sua casa, até ao nascimento do seu irmão, quando tinha quatro anos. “Viver os primeiros momentos da minha vida na família mais alargada fez-me sentir muito acolhido no mundo e ter garra para avançar na vida e enfrentar os desafios, sabendo que estou acompanhado por outros”, afirma.

 

À descoberta

Prestes a terminar o 7.º ano de escolaridade, por altura da Páscoa, Tiago participou, impulsionado pela mãe, num dos campanários organizados pelo Pré-Seminário. Gostou da experiência, sobretudo “pela possibilidade de conhecer pessoas novas, pessoas que estavam a fazer um caminho muito parecido, na descoberta de Jesus Cristo”. “Entrei no grupo e nem tinha a ideia de ser padre”, revela Tiago, que conheceu o Pré-Seminário através do seu pároco, o cónego Eduardo Coelho. Da experiência, surgiu a interrogação mais forte sobre o que Deus queria de si. Mais tarde, em casa, Tiago deu a notícia de que iria entrar no Pré-Seminário. “A minha mãe ficou apreensiva”, lembra. “Tal como eu não esperava a entrada no Pré-Seminário, ela também, de alguma forma, tinha outros sonhos para mim”, aponta.

 

Vida em comunidade

Depois da entrada no Seminário Menor, então com 16 anos, ficaram para trás alguns sonhos que Tiago Roque tinha, como “o desejo de ser pai, constituir família e ser guia turístico”. Dos anos de formação no seminário, que culminam, neste sábado, com a ordenação sacerdotal, este jovem de 24 anos recorda como foi valorizando a “vida em comunidade”. “O que me surpreendeu mais foi constatar que somos pessoas tão diferentes uns dos outros e isso cria uma unidade tão rica. Se todos formos capazes de pôr os nossos talentos a render para o bem dos outros, a nossa comunidade cresce e volta-se mais ainda para Jesus Cristo”, assegura Tiago, certo de que esta foi “uma grande descoberta da vida em seminário”.

 

“Paróquia como família”

Nos últimos quatro anos, o trabalho pastoral de Tiago Roque foi desenvolvido, em primeiro lugar, na Paróquia de Santo António do Estoril, de onde guarda “uma experiência muito rica, completamente diferente” do ambiente onde nasceu e cresceu. “A ruralidade sempre esteve muito presente na minha identidade e, ali, foi-me dada a possibilidade de alargar um pouco os horizontes, conhecer pessoas novas, conhecer um novo método de evangelização – que, para mim, era novo: os campos de férias e a riqueza que isso tem na vida dos jovens! Foi um grande desafio que levei para a vida”, lembra. Depois, seguiram-se dois anos de trabalho pastoral na Paróquia de Loures, onde descobriu “a paróquia como uma família”, aponta.

 

Chamado a escutar

A poucos meses de um ano pastoral dedicado à caridade, e à porta da Jornada Mundial da Juventude em Lisboa, Tiago Roque vê o seu ministério como um “desafio” para ir ao “encontro dos jovens, e perceber qual o papel a que eles são chamados a assumir, hoje, na Igreja”.  “Sem os jovens, não nos podemos compreender. Este tempo de preparação da JMJ vai ser fundamental para perceber o que nos falta e o porquê de haver tantos jovens a abandonar a vida na Igreja, de que forma podemos ir ao encontro das suas aptidões, dos seus sonhos, das suas alegrias, para que sintam mais a Igreja como família”, aponta este futuro padre que se apresenta “alegre” e disponível. “Sinto-me chamado a escutar, estar com as pessoas, ser delas e, com elas, ser Igreja. Podem contar com o meu empenho total”, assegura.

 

Tiago Ferreira Roque

24 anos

Paróquia do Vimeiro (Torres Vedras)

 

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Cardeal-Patriarca ordena seis novos diáconos permanentes

 

Na celebração deste sábado, às 11h00, no Mosteiro dos Jerónimos, o Cardeal-Patriarca de Lisboa, D. Manuel Clemente, vai ordenar diáconos seis leigos que vão ficar ao serviço de paróquias na diocese.

  

António Manuel Henriques Amaral - Paróquia da Silveira

Idálio Manuel Santos Rodrigues - Paróquia de Queluz

João Fernando Sala Pagou - Paróquia da Damaia

José Alberto Lopes Costa - Capela do Rato

Paulo Veríssimo Gaspar - Paróquia da Damaia

 Rui Luís Rocha Pinto - Paróquia de Torres Vedras

texto por Filipe Teixeira; fotos por Diogo Paiva Brandão e Filipe Teixeira
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