Lisboa |
Paróquia de Runa celebra Festa de São João Batista
“Um padroeiro que ajuda a preparar o coração para a vinda de Jesus”
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É a paróquia onde o Cardeal-Patriarca D. Manuel Clemente foi coadjutor, nos anos 80. É também das paróquias mais antigas do Patriarcado de Lisboa, tendo sido criada em 1523. A Paróquia de Runa, em Torres Vedras, celebrou o padroeiro, São João Batista, com o Bispo Auxiliar de Lisboa D. Daniel Henriques a lembrar à comunidade a missão do profeta. “João Batista é aquele que Deus enviou para preparar a vinda do mensageiro”, apontou.

 

É uma paróquia com quase meio milénio de história, que tem em São João Batista o seu padroeiro. “Os santos padroeiros, mais do que figuras para ornamentar as igrejas, com as suas imagens ou com as suas liturgias, são acima de tudo uma interpelação muito forte, são estes intercessores que, de uma forma muito especial – porque isso também lhes foi pedido pela Igreja –, tomam cuidado das várias comunidades que lhes foram confiadas”, observou D. Daniel Henriques, que este ano presidiu à Festa de São João Batista em Runa, na tarde do passado dia 24 de junho. Assumindo que era “com muita alegria e muito gosto” que presidia à festa – “sou de um lugar chamado Ribamar, que tem como padroeiro precisamente São João Batista”, revelou –, o Bispo Auxiliar de Lisboa sublinhou que “celebrar o padroeiro, é celebrar a vossa história”. “Quando, há quase 500 anos, se construiu esta paróquia, os cristãos, na altura, pensaram em quem seria o padroeiro da Paróquia de Runa e, durante gerações e gerações, celebraram São João Batista. Podemo-nos perguntar o que levou os nossos antepassados a escolher São João Batista como padroeiro de Runa. Ele é chamado de percursor do Senhor, aquele que vem à sua frente. A Palavra de Deus está repleta de referências de quem era João Baptista e como ele entra na História da Salvação. São João Batista é, de facto, este grande profeta. Jesus diz que ele é mais do que um profeta, ele é aquele que Deus enviou para preparar a vinda do mensageiro, para preparar o caminho”, salientou D. Daniel Henriques, na sua homilia.

 

Alegria é a marca do padroeiro

Para o Bispo Auxiliar, São João Batista foi “grande na sua missão”. “São João Batista percebe logo, desde tenra idade, a sua missão. Ele veio para preparar a vinda do Senhor. A dada altura, muitos quiseram ver nele o Messias. João Baptista, com uma profunda humildade, mas acima de tudo reconhecendo a sua missão, coloca-se sempre no seu lugar. Coloca-se como aquele que prepara o coração do povo de Israel para este grande acontecimento que é a vinda do Messias”, frisou. “Assim, podemos também imaginar que, aqueles que nos antecederam na fé, também tenham tido isto presente quando escolheram São João Batista como padroeiro de Runa”, acrescentou.

Segundo D. Daniel Henriques, “a grande marca” de São João Batista é a “profunda alegria”. “Alegria de quem sente, de quem acredita, que o Senhor está próximo. E de quem percebe, aí, a sua missão. O Senhor está a chegar e a sua missão é preparar os caminhos do Senhor”, apontou.

A cada ano, Runa celebra, ao longo de vários dias, a festa do padroeiro. “Que São João Batista possa sempre preparar o nosso coração para a vinda de Jesus, para Jesus que vem ao nosso encontro, para que ele possa interceder por nós e, com o seu exemplo, colocar-nos sempre neste estado de desejo de Deus, neste estado de desejar a vinda de Deus”, terminou o Bispo Auxiliar de Lisboa.

 

“Um dia muito importante para todos nós”

Nascidas, batizadas e criadas em Runa, Ana Paula Faria e Fernanda Faria são duas irmãs que colaboram de perto com o pároco, padre Rui Gregório, e que desde pequenas vivem a festa do padroeiro. “Desde sempre que tenho memórias da Festa de São João Batista. A minha mãe, que graças a Deus ainda é viva, fez sempre parte do coro e lembro-me de ser bem pequenina e vir à Missa todos os Domingos. Quando era a Missa de São João, era uma coisa fantástica! A Festa de São João Batista sempre foi uma coisa muito importante, um marco, em Runa. E para toda a gente, os que vêm à igreja e os que não vêm. Sempre foi assim”, garante Ana Paula, de 65 anos, ao Jornal VOZ DA VERDADE. Esta leiga é catequista, leitora, organista – “faço um pouco de tudo, como acontece nas paróquias pequenas”, graceja – e refere que “a festa religiosa foi sempre igual”. “Temos a Missa e depois a procissão, sempre pelo mesmo trajeto”, sublinha. “Não é feriado em Runa, mas para os runenses é como se fosse. Os que vivem cá e os que já não estão, todos procuram estar em Runa no dia de São João. É um dia muito importante para todos nós”, assume.

A irmã, Fernanda, quatro anos mais nova, colabora também há muitos anos na Paróquia de Runa. “Faço um pouco de tudo, menos celebrar”, brinca. Mais a sério, esta leiga refere ao Jornal VOZ DA VERDADE que é catequista, salmista, diretora de coro, zeladora e integra o conselho económico da paróquia. “Sou uma colaboradora diretíssima do padre Rui ou de outro padre que venha para cá”, assinala. Sobre a Paróquia de Runa, Fernanda destaca que é “uma paróquia pequena”, mas que vive intensamente a festa do padroeiro. “As pessoas, principalmente quando é a Festa de São João Batista, têm um brio especial em que as coisas corram todas muito bem e em manter a tradição”, observa.

 

Rezar em conjunto

A catequese em Runa tem cerca de 30 elementos, entre crianças e adolescentes, para seis catequistas, entre os quais estão Ana Paula e Fernanda Faria. “Temos poucas crianças, mas a catequese corre muito bem e é muito participada pelas que estão inscritas”, salientam as irmãs. “Também nós, catequistas, temos um relacionamento ótimo”, assegura Fernanda.

Nesta paróquia da Vigararia de Torres Vedras, a catequese decorre toda à mesma hora – aos sábados, às 15h00 – e tem a particularidade de ter um momento especial. “Antes de cada um seguir para o seu grupo de catequese, fazemos sempre uma oração em comum, todos juntos. Iniciamos sempre a catequese a rezar em conjunto”, salienta Ana Paula, sublinhando igualmente “as muitas atividades realizadas na catequese”, tal como “a oração do terço nos meses de maio e outubro, a festa de São Martinho, o cantar das janeiras, no Domingo da Epifania, e as outras festas”.

Presente na Paróquia de Runa desde setembro de 2012, o padre Rui Gregório frisa que, “atualmente, há mais adolescentes do que crianças na catequese”. “Temos um grupo muito bom de catequistas, com um ambiente muito feliz”, enaltece, ao Jornal VOZ DA VERDADE.

 

“Uma terra com identidade”

Runa era uma freguesia do concelho de Torres Vedras, com 977 habitantes, segundo os Censos de 2011, que foi agregada, na reorganização administrativa de 2012/2013, na União das Freguesias de Dois Portos e Runa. “A indústria, ao nível do fabrico de colchões, e a dimensão agrícola”, têm peso na terra, “havendo também muita gente que trabalha fora”, de acordo com o pároco. “É uma terra com identidade. As pessoas têm muito esse sentido da terra”, acrescenta.

Fundada em 1523, a Paróquia de Runa vai celebrar 496 anos, em agosto. “Em termos de vida cristã, Runa teve grandes párocos e ainda se nota, sobretudo na gente mais velha, a boa semente que foi lançada e a boa formação que tiveram. Mas nota-se um envelhecimento, no sentido também dos pouquíssimos batismos”, frisa o padre Rui Gregório, que tem a colaboração, como coadjutor, do padre Paulo Antunes, pároco de São Mamede da Ventosa e Turcifal, do padre Manuel Alexandre, capelão do Hospital de Torres Vedras, e do diácono Norberto Seixas.

Este sacerdote, que é também pároco de Dois Portos, sublinha as atividades com adolescentes das duas paróquias. “Fazem a catequese normal, mas depois têm estas propostas de atividades e tem corrido bem. Participam nas noites de oração vicariais, em momentos de oração comum e têm uma ou outra saída”, exemplifica. Estas paróquias organizam campo de férias, desde 2013, juntamente com duas paróquias da Unidade Pastoral da Merceana (São Domingos de Carmões e Carvoeira). “O ‘Férias com Jesus’ não é um nome muito original, mas pretende dar um outro sentido de Igreja, para os jovens conhecerem outras realidades”, expõe o padre Rui Gregório.

 

Um coadjutor especial

Sobre a Festa de São João Batista, o pároco de Runa destaca “o envolvimento grande” da população. “Na parte litúrgica, as pessoas têm muito cuidado a preparar a procissão, os andores… portanto, algo comum a muitas terras. Mas Runa é dos locais onde a procissão é mais serena”, manifesta o pároco, lamentando que, “por vezes, e tirando os funerais, a ligação de alguns à Igreja seja somente o levar o andor, na procissão”. Por outro lado, a presença de D. Daniel Henriques, Bispo Auxiliar de Lisboa, na Festa de São João Batista, visava “promover a ligação da paróquia com os senhores bispos”, refere o padre Rui. “Quando a festa calha durante a semana – se for ao fim-de-semana não me atrevo, porque eles já têm uma agenda muito preenchida –, gostamos de convidar os senhores bispos para virem rezar connosco. E as pessoas gostam muito desta presença”, garante.

Runa é a paróquia onde o atual Cardeal-Patriarca de Lisboa foi coadjutor, durante seis meses. Estávamos em 1980 e o então padre Manuel Clemente era também coadjutor em Torres Vedras, com o cónego Horácio da Silva Correia. “Na prática, o senhor Patriarca foi o ‘pároco’ de Runa. Ele sempre conheceu Runa, vinha cá rezar à igreja antes das obras de ampliação, sempre conheceu bem a realidade e as pessoas, algumas até foram colegas de escola”, frisa o atual pároco de Runa, padre Rui Gregório.

 

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“Uma remodelação feliz”

Nos anos 70 do século passado, a Igreja Paroquial de São João Batista, em Runa, sofreu obras de ampliação, pois tornou-se pequena para as necessidades da freguesia. Da antiga igreja, ainda se pode ver, hoje, a torre sineira, o altar-mor, de talha dourada, o sacrário e os painéis de azulejos barrocos, que representam a vida de São João Batista. “A capela, onde está o Santíssimo, e a torre, são da origem. Mas há a particularidade de uma remodelação, que trouxe cá alguns arquitetos, e que é considerada feliz. As pessoas estão satisfeitas”, assegura o pároco, referindo que, além da igreja paroquial, a paróquia tem também um outro templo, num dos bairros, a Capela de Nossa Senhora da Penha de França, no Penedo.

texto e fotos por Diogo Paiva Brandão
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