Lisboa |
Ordenações de Diáconos e de Presbíteros
“Manifestar o coração de Cristo”
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Felizes porque veem os filhos felizes. É este o sentimento dos pais dos dois novos padres de Lisboa, Miguel Rodrigues e Tiago Roque, ordenados pelo Cardeal-Patriarca na manhã do passado dia 29 de junho. Nos Jerónimos, na celebração onde ordenou também seis diáconos permanentes, D. Manuel Clemente convidou a “servir com os sentimentos de Cristo”.

 

Sem saber, Cristina Ferreira, mãe do agora padre Tiago Roque, teve um papel decisivo na descoberta da vocação do filho. Foi Cristina quem o convidou, então no 6.º ano e com 12 anos, a inscrever-se num campanário organizado pelo Pré-Seminário de Lisboa. “Recordo-me perfeitamente desse dia, mas para mim era quase como uma catequese. Ele ia fazer uma atividade, de um fim-de-semana, e depois voltava para casa e tudo seguia normalmente”, refere esta mãe, ao Jornal VOZ DA VERDADE.  Cristina explica que foi o pároco do Vimeiro, cónego Eduardo Coelho, quem “avisou na Missa que haveria essa atividade”. “Pensei somente que ele se ia divertir e aprender umas coisas que fazem bem”, recorda. A notícia da entrada do filho no seminário chegou uns anos depois. “Foi também na Páscoa, quando o Tiago estava no 11.º ano, e foi um bocadinho assustador, porque ele chegou a casa e disse-me: ‘Vou entrar no seminário, mas não contes nada ao pai’. Com aquela emoção toda dentro de mim, como é que eu conseguia não contar nada?”, lembra a mãe, que nessa época estava a fazer o curso para chefe dos escuteiros. “Tive de desabafar com as colegas, e foi aí que uma me disse: ‘O Pré-Seminário servia, agora para seguir já não serve…’. Foi nesse momento que percebi que estava a ser egoísta”, conta Cristina.

Tiago, então com 17 anos, entra no seminário, já com a ‘bênção’ do pai, Carlos Roque. “Para mim, o primeiro ano foi muito difícil, porque ficámos sem o Tiago. Foi a primeira vez que ele saiu de casa e eu tinha essa sensação, que ele tinha deixado a casa. Quando ele me disse que ia para o seminário fiquei em pânico. É uma história engraçada, porque fui à escola buscar o Tiago, que estava com uma conjuntivite, e na viagem perguntei o que ele me queria falar e o Tiago contou-me a decisão dele de entrar para o seminário”, resume o pai, ao Jornal VOZ DA VERDADE, assumindo: “Eu vivia com o meu filho, mas eu não o conhecia. O meu pânico era porque ele ia sair de casa e eu não o conhecia. Mas depois, tudo se transformou, porque Nosso Senhor faz maravilhas, e além do Tiago e do irmão, Tomé, tenho muitos mais ‘filhos’, porque cada seminarista é um filho para nós”. “A caminhada de seminário do meu filho fez-me ver a vida de outra forma”, acrescenta Carlos.

Sobre o dia da ordenação do filho, Cristina comenta estar a ser “muito emotivo”. “Disse hoje de manhã ao Tiago que penso que o nosso cérebro não se apercebe exatamente do que está a acontecer, porque, se não, não aguentava. É muito bonito, é muito emotivo, mas não se sabe explicar…”, salienta. O pai diz ver “a alegria nos olhos do Tiago”. “Isso, para mim, é a minha felicidade, e, também, um orgulho”, garante Carlos, pai do agora padre Tiago Roque.

 

Filho feliz, pais felizes

Foi no Dia do Pai, a 19 de março, do ano 2012, que o jovem Miguel Rodrigues disse aos pais que queria entrar no seminário. “Ele estava a namorar na altura, há quase dois anos – e eu achava que ia ter uns netos lindos! –, mas o Miguel entendia que não era por ali e queria ir para o seminário ver o que Deus queria dele”, recorda Manuela, mãe do agora padre Miguel Rodrigues, ao Jornal VOZ DA VERDADE, confidenciando: “Chorei e disse-lhe: ‘Acho que ias ser um bom pai de família, que ias ter uns filhos lindos, mas Nosso Senhor é que sabe, vamos rezar por ti. Segue o teu caminho’. Foi somente o que eu lhe disse”. O pai, Augusto, recorda também ao Jornal VOZ DA VERDADE “esse jantar” onde o filho anunciou que ia entrar em discernimento vocacional. “Foi muito complicado, e ainda andei um ano a digerir aquilo… Por vezes, fazemos uns ‘projetos’ para os filhos, procuramos o que será melhor para eles. O Miguel fez dois anos de Arquitetura e quando nos disse que ia deixar o curso a meio custou um bocadinho”, assume o pai de um dos mais recentes sacerdotes do Patriarcado de Lisboa. Augusto procurou ainda que o filho, então com 18 anos, “terminasse primeiro o curso”, e depois “logo se via”. “Disse-lhe mesmo: ‘Quando acabares o curso já estás mais homenzinho, já terás a mente mais composta’. Mas ele assim não quis…”. E a entrada no seminário do jovem Miguel aconteceu uns meses depois.

Da caminhada de sete anos do filho no seminário, a família Rodrigues destaca a felicidade do filho. “O melhor desta caminhada foi vê-lo feliz, foi vê-lo bem”, sintetiza o pai. A mãe complementa lembrando a “adaptação às novas situações”. “Nós, pais, também aprendemos e crescemos com eles. Temos que nos adaptar à distância, o falar uma vez por semana, ao ritmo que ele nos ia ensinando”, refere Manuela. Esta mãe pensava que o período no seminário, de sete anos, era “muito tempo”. Afinal, “passou muito rápido”. “Vemo-lo feliz, o que é muito bom, e nós estamos felizes com ele”, assegura.

Sobre o dia da ordenação, Manuela Rodrigues destaca a tranquilidade do filho. “Ele está tranquilo e eu, com ele, também”, manifesta a mãe. “Dei-lhe um beijinho aqui, à despedida, e disse-lhe: ‘Que Deus te acompanhe sempre’”, revela.

 


Rezar pelos ordinandos

A celebração das Ordenações de Diáconos e de Presbíteros teve lugar na manhã do passado dia 29 de junho, Solenidade de São Pedro e São Paulo, Apóstolos, na Igreja de Santa Maria de Belém, no Mosteiros dos Jerónimos, com o Cardeal-Patriarca a pedir orações pelos oito ordinandos (dois presbíteros e seis diáconos). “Rezar pelos ministros sagrados é garantir a constante sacralidade do seu serviço, que só com Deus levarão por diante”, apontou D. Manuel Clemente. Dirigindo-se aos “caríssimos ordinandos de diácono”, o Cardeal-Patriarca sublinhou que “os que são ordenados neste grau tornam-se sacramento da diaconia de Cristo”. “Deveis pedir instantemente a graça de servir com os sentimentos de Cristo, atentos como Ele aos mais pobres, prestáveis para todos, amáveis e simples, com inteira qualidade evangélica”, apontou.

Aos “caríssimos ordinandos de presbítero”, o Cardeal-Patriarca lembrou a encíclica ‘Sacerdotalis Caelibatus’, do Papa Paulo VI, para reforçar que “o dom do celibato reforça a imagem de Cristo sacerdote, que assim mesmo viveu, como oferta de Deus Pai a todos, para todos oferecer consigo ao Pai”. “Viver o ministério sacerdotal como Cristo e Paulo o viveram, celibatário e total, é um legado indispensável da tradição viva que assim mesmo iniciaram”, garantiu D. Manuel Clemente.

A celebração matinal, nos Jerónimos, foi concelebrada por D. Tolentino de Mendonça, arquivista e bibliotecário da Santa Sé, pelos três Bispos Auxiliares de Lisboa (D. Joaquim Mendes, D. Daniel Henriques e D. Américo Aguiar) e por dezenas de sacerdotes, na presença de diversos diáconos permanentes, familiares e amigos dos ordinandos, e inúmeros fiéis. “Com o vosso serviço evangélico, caríssimos ordinandos de diácono, ativareis em toda a comunidade a disponibilidade constante e atenta que Cristo teve e oferece. Com o vosso sacerdócio celibatário, caríssimos ordinandos de presbítero, manifestareis o coração de Cristo, onde todos igualmente cabem. Assim será por fim e assim o assinalareis agora. É este o horizonte cristão, generosamente oferecido”, terminou o Cardeal-Patriarca.

 

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Missas Novas

O padre Miguel Rodrigues celebrou Missa Nova no dia seguinte à ordenação. Foi na tarde do dia 30 de junho, Domingo, na Igreja Matriz da Amadora, a sua paróquia de origem. Já o padre Tiago Roque vai celebrar Missa Nova neste Domingo, dia 7 de julho, às 16h00, no recinto do Monumento da Batalha do Vimeiro, no Vimeiro.

 

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Além dos novos padres Miguel Rodrigues e Tiago Roque, foram também ordenados seis diáconos permanentes (da esquerda para a direita): Idálio Manuel Santos Rodrigues (Paróquia de Queluz), José Alberto Lopes Costa (Capela do Rato), Rui Luís Rocha Pinto (Paróquia de Torres Vedras), Paulo Veríssimo Gaspar (Paróquia da Damaia), João Fernando Sala Pagou (Paróquia da Damaia) e António Manuel Henriques Amaral (Paróquia da Silveira).

 

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Fotografias: www.flickr.com/patriarcadodelisboa/sets

Vídeo: http://bit.ly/ordenacoeslisboa2019

texto e fotos por Diogo Paiva Brandão
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