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“Não se trata apenas de migrantes: trata-se de não excluir ninguém”
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O Papa Francisco lamentou que o mundo esteja, a cada dia, mais cruel com os excluídos. Na semana em que o Vaticano voltou a sublinhar a inviolabilidade do segredo da confissão, o Papa saudou o encontro entre Trump e Kim Jong-un, impôs o pálio aos novos arcebispos metropolitas e celebrou os 175 anos da sua Rede Mundial de Oração.

 

1. “O mundo atual vai-se tornando, dia após dia, mais elitista e cruel com os excluídos”. É com este alerta que o Papa inicia uma vídeo-mensagem de preparação ao Dia Mundial do Migrante e do Refugiado 2019, com o tema ‘Não se trata apenas de migrantes’, que vai ser celebrado a 29 de setembro. As palavras do Papa são extraídas da sua mensagem para este dia. “Os países em desenvolvimento continuam a ser depauperados dos seus melhores recursos naturais e humanos em benefício de poucos mercados privilegiados. As guerras abatem-se apenas sobre algumas regiões do mundo, enquanto as armas para as fazer são produzidas e vendidas noutras regiões, que depois não querem ocupar-se dos refugiados causados por tais conflitos. Muitas vezes se fala de paz, mas vendem-se armas. Podemos falar de hipocrisia nesta linguagem? Quem sofre as consequências são sempre os pequenos, os pobres, os mais vulneráveis, a quem se impede de sentar-se à mesa deixando-lhe as «migalhas» do banquete”, afirma o Papa, no vídeo divulgado no passado dia 2 de julho.

Francisco garante que “a Igreja ‘em saída’ sabe tomar a iniciativa sem medo, ir ao encontro, procurar os afastados e chegar às encruzilhadas dos caminhos para convidar os excluídos”. “Aqueles que nós mesmos excluímos como sociedade. O desenvolvimento exclusivista torna os ricos mais ricos e os pobres mais pobres. Verdadeiro desenvolvimento é aquele que procura incluir todos os homens e mulheres do mundo, promovendo o seu crescimento integral, e se preocupa também com as gerações futuras. O verdadeiro desenvolvimento é inclusivo e fecundo, projetado para o futuro", concluiu.

 

2. A Santa Sé publicou um documento em que sublinha que o segredo da confissão é absolutamente inviolável e que os padres o devem defender mesmo que isso implique sacrifício próprio. Publicado no passado dia 1 de julho, o documento surge numa altura em que o segredo da confissão está sob ataque, mesmo em países democráticos como a Austrália, o Chile e os Estados Unidos. Embora sem referir casos específicos, o documento da Penitenciaria Apostólica, o tribunal da Santa Sé para assuntos relacionados com estas questões, rejeita quaisquer leis que violem o segredo da confissão. Toda a ação política ou iniciativa legislativa com o objetivo de forçar a violar o segredo sacramental constitui “uma ofensa inaceitável” da liberdade religiosa “que não recebe a sua legitimação dos Estados individuais, mas de Deus”, refere o texto.

O Vaticano manifesta preocupação pelo facto de legisladores estarem a ser influenciados pela opinião pública. “O mundo da comunicação parece querer substituir-se à realidade, quer condicionando a perceção, quer manipulando a compreensão”, lê-se no documento. E, nesta busca de notícias e escândalos que impressionam a opinião pública, esta “tendência” não atinge apenas os fiéis leigos, mas estende-se também “das fileiras do Clero, às mais altas hierarquias”, diz. “O último tribunal não é a opinião pública”, recorda o texto. Para “favorecer uma melhor compreensão” destes conceitos, que “parecem cada vez mais estranhos à opinião pública e aos próprios ordenamentos jurídicos civis”, a mais alta instância do Tribunal Apostólico do Vaticano recorda que a inviolabilidade absoluta do segredo “é garantia indispensável do sacramento da reconciliação”.

Também neste dia, o Papa Francisco anunciou que o cardeal John Henry Newman Newman – um dos mais famosos ex-anglicanos a entrar em comunhão com a Igreja Católica e uma referência para muitos católicos de língua inglesa – vai ser canonizado no dia 13 de outubro. Juntamente com o cardeal Newman, serão canonizadas quatro mulheres, incluindo a freira brasileira Dulce Lopes Pontes, conhecida informalmente como a Madre Teresa do Brasil.

 

3. O Papa Francisco saudou o encontro que teve lugar entre o presidente norte-americano, Donald Trump, e o líder da Coreia do Norte, Kim Jong-un, dizendo que se tratou de um bom exemplo da cultura do encontro. “Nas últimas horas assistimos na Península da Coreia a um bom exemplo da cultura do encontro. Saúdo os protagonistas, rezando para que este gesto significativo se transforme em mais um passo a favor da paz, não só na península, mas no mundo inteiro”, disse Francisco, na oração do Angelus, no passado Domingo, 30 de junho, rezando ainda pelas vítimas da onda de calor extremo que se estava a sentir na Europa, e desejando boas férias a todos os trabalhadores.

 

4. O Papa Francisco impôs o pálio aos novos arcebispos metropolitas, recordando que o caminho da santidade cristã não está em elevar-se, mas em humilhar-se, dando como exemplos São Pedro e São Paulo. “Nisto, encerra-se uma grande lição: o ponto de partida da vida cristã não está no facto de ser dignos; com aqueles que se julgavam bons, bem pouco pôde fazer o Senhor. Quando nos consideramos melhores que os outros, é o princípio do fim. O Senhor não realiza prodígios com quem se crê justo, mas com quem sabe que é necessitado. Não é atraído pela nossa habilidade, não é por isso que nos ama. Ele ama-nos como somos, e procura pessoas que não se bastam a si mesmas, mas estão prontas a abrir-Lhe o coração”, referiu Francisco, na homilia da Missa que celebrou na manhã da Solenidade de São Pedro e São Paulo, Apóstolos, a 29 de junho, na Basílica de São Pedro, no Vaticano.

O Papa saudou ainda uma delegação do Patriarcado Ecuménico de Constantinopla, um dos mais importantes da comunhão ortodoxa, que, como é tradição, visitou Roma por altura da festa de São Pedro e São Paulo. “A vossa presença lembra-nos que não podemos poupar-nos sequer no caminho rumo à plena unidade entre os crentes, na comunhão a todos os níveis”, disse Francisco.

 

5. O Papa assinalou os 175 anos da sua Rede Mundial de Oração. “O Apostolado da Oração [hoje Rede Mundial de Oração do Papa] lembra à Igreja que a sua missão principal é a oração”, salientou o Papa, num encontro no passado dia 28 de junho, na Aula Paulo VI, com mais de cinco mil pessoas de todo o mundo. Francisco rezou depois a oração dos 175 anos da Rede pelas suas intenções de oração e pela missão da Igreja.

Aura Miguel, jornalista da Renascença, à conversa com Diogo Paiva Brandão
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