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FEC divulga relatório sobre Ensino Pré-Escolar na Guiné-Bissau
Apenas 22% das crianças guineenses frequentam o Jardim de Infância
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A FEC - Fundação Fé e Cooperação, em parceria com o Ministério da Educação da Guiné-Bissau, lançou o primeiro levantamento nacional do ensino pré-escolar do país. O estudo revela que apenas 22% das crianças guineenses têm a oportunidade de frequentar o jardim de infância e que apenas 32,7% dos educadores têm formação superior e especializada. O direito ao acesso a serviços educativos das crianças é um dos mais ameaçados no país.

A educação pré-escolar tem ganho espaço e reconhecimento do Estado guineense. No entanto, este estudo revela que a maioria dos jardins de infância são privados ou comunitários. Apenas 17% dos estabelecimentos de ensino pré-escolar são públicos.

Em média, as crianças têm de percorrer 2,59 km a pé para chegar à escola. As infraestruturas escolares apresentam condições precárias – 80% não tem acesso a energia elétrica e mais de metade não tem acesso a um ponto de água. No entanto, 62% dos edifícios são feitos com materiais resistentes ao tempo e a acessibilidade para pessoas com necessidades especiais é possível em 41% dos jardins de infância.

Uma preocupação prende-se com o número de profissionais que trabalham na educação pré-escolar e a sua formação. Em média, existem 2,3 educadores por jardim de infância, mas o número varia entre 1 a 18 educadores. Formação superior (licenciatura e bacharelato) é contemplada em apenas 32,7% dos educadores. A maioria contempla apenas o 12º ano.

Em relação às crianças, encontramos um dado distinto: igualdade no número de meninas e meninos que frequentam a pré-escola. Este dado comprova que o abandono escolar por parte do sexo feminino acontece mais tarde, quando as meninas atingem a puberdade e ficam mais vulneráveis a situações de casamento precoce e trabalho infantil.

As zonas urbanas apresentam mais escolas que as zonas rurais. O Setor Autónomo de Bissau, região mais pequena do país, mas também com a maior densidade populacional, detém 34% das pré-escolas existentes no país. Bolama e Tombali têm, cada uma, apenas 3% dos jardins de infância existentes no país.

Esta caracterização do pré-escolar guineense demonstra a necessidade de uma maior intervenção nesta área e aponta algumas prioridades. O Ministério deve reforçar a inspeção das escolas para que todas as crianças passem a ter a mesma oportunidade de acesso ao jardim de infância. Investir na formação especializada dos professores é também imperativo. As direções das escolas e as comunidades devem cumprir estritamente os requisitos impostos pelo Governo.

O relatório ‘Caracterização do Pré-escolar na Guiné-Bissau – Levantamento Nacional’ inquiriu 744 jardins de infância de todas as regiões da Guiné-Bissau e foi desenvolvido no âmbito do PARSE – Programa de Apoio à Reforma do Sistema Educativo na Guiné-Bissau, promovido pela FEC em parceria com o Ministério da Educação, Ensino Superior, Juventude, Cultura e Desportos da Guiné-Bissau, e financiado pelo Camões – Instituto da Cooperação e da Língua.

 

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Fundação João XXIII - Casa do Oeste: Missão de solidariedade à Guiné

 

Um grupo de voluntários do Núcleo de Solidariedade com a Guiné da Fundação João XXIII - Casa do Oeste esteve em Bissau. Ao todo, 10 elementos, entre eles o padre Batalha, pároco de Ribamar, numa missão de solidariedade que se realizou entre 4 e 11 de julho. 

Esta missão teve vários objetivos: estar presente na inauguração das novas instalações e serviços da Cooperativa Escolar São José de Mindará,  tratar de vários assuntos relacionados com a delegação da Fundação em Bissau, legalizar a Cooperativa Agrícola COAGRI, dar seguimento ao projeto do barco ambulância que a Fundação ofereceu e assegurou o seu transporte para Bissau, fazer o rastreio e seleção das próximas crianças a serem tratadas em Portugal com prolemas graves de saúde do foro oncológico e de cardiologia. Para este efeito, integram esta missão dois médicos, um do IPO de Lisboa e outro do Hospital Pediátrico de Coimbra.

Na inauguração da ampliação das instalações da Cooperativa Escolar de São José, o padre Joaquim Batalha sublinhou o lema ‘Falar menos e trabalhar mais’ da instituição. “A escolaridade é importante, mas não menos importante é sair da escola para o trabalho, abrindo o futuro. Sabemos que essa é uma das grandes preocupações. É por isso necessário promover pequenos projetos, com viabilidade para o desenvolvimento local. Talvez aqui, a nossa Fundação poderia apoiar essa dinâmica de ligar mais a Escola ao desenvolvimento da sua tabanca”, apontou o sacerdote, enaltecendo igualmente o patrono da cooperativa, São José: “Gosto de pensar José como o homem capaz de fazer nascer coisas bonitas das nossas fraquezas. É um homem capaz de sonhar, de guardar o sonho de Deus. É grande este carpinteiro”.

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