Liturgia |
Os Padres da Igreja ao ritmo da Liturgia
«Senhor, não passeis adiante sem parar em casa do vosso servo»
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«Naquele tempo, Jesus entrou em certa povoação e uma mulher chamada Marta recebeu-O em sua casa. Ela tinha uma irmã chamada Maria, que, sentada aos pés de Jesus, ouvia a sua palavra. Entretanto, Marta atarefava-se com muito serviço. Interveio então e disse: “Senhor, não Te importas que minha irmã me deixe sozinha a servir? Diz-lhe que venha ajudar-me”. O Senhor respondeu-lhe: “Marta, Marta, andas inquieta e preocupada com muitas coisas, quando uma só é necessária. Maria escolheu a melhor parte, que não lhe será tirada”». (Lc 10, 38-42).

 

A procura da sabedoria, que dá a primazia à vida contemplativa, unifica num único denominador comum os dois aspectos inseparáveis da vida cristã. Santo Ambrósio, bispo de Milão no séc. IV e doutor da Igreja, mostra-nos a complementaridade dos vários membros da Igreja, com esta passagem da sua Exposição do Evangelho de São Lucas (VII, 85-87):

Temos falado da misericórdia, mas esta virtude não tem uma forma única. O exemplo de Marta e Maria mostra-nos a devoção infatigável às obras da primeira, a atenção religiosa da alma ao Verbo de Deus da outra; e ensina-nos que esta segunda atitude, se é acompanhada pela fé, é preferida às próprias obras, conforme o que está escrito: Maria escolheu a melhor parte, que não lhe será tirada. Procuremos nós também ter isso que ninguém nos pode tirar, dispondo todos os nossos sentidos, não distraidamente, mas com atenção, pois que a própria semente da Palavra celeste pode ser arrebatada se é semeada à beira do caminho. Que o desejo de sabedoria, te faça semelhante a Maria. Essa, com efeito, é a obra maior e mais perfeita. E que a solicitude pelo ministério não te impeça de conhecer a Palavra celeste. Não critiques nem penses que aqueles que se dedicam com entusiasmo à sabedoria são pessoas ociosas. Salomão, o grande pacificador, quis tê-la a morar consigo. 

Contudo, Marta não recebeu uma repreensão pelo seu serviço louvável, porém, Maria é preferida, porque escolheu para si a melhor parte. Jesus é rico em muitas coisas, e distribui muitas delas. É por isso que ela é a mais sábia, porque escolheu aquilo que reconheceu ser o mais importante. Por sua parte, os apóstolos não consideraram melhor descurar a Palavra de Deus para servir às mesas. Contudo, uma e outra são encargos que partem da sabedoria: com efeito, também Estêvão, que foi escolhido para servir, estava cheio de sabedoria. Por conseguinte, quem serve honre quem ensina, e quem ensina procure estimular e prestar atenção a quem serve: um só é o corpo da Igreja, embora existam muitos membros, e cada um precisa do outro. Não pode o olho dizer à mão: «Não tenho necessidade de ti», nem tão pouco a cabeça dizer aos pés: «Não tenho necessidade de vós.», nem a minúscula orelha pode negar que pertence ao corpo; porque, mesmo admitindo que alguns são principais, outros são, contudo, necessários. A sabedoria tem a sua sede na cabeça, a acção nas mãos. Na verdade, os olhos do sábio estão na sua cabeça, porque o verdadeiro sábio é aquele que pôs a sua alma em Cristo, e cujo olhar interior se eleva para o alto. Por isso, o sábio tem os olhos na testa, e o estulto no calcanhar.

(SAEMO 12, 152-155; SCh 52,37)


Foto:

Hospitalidade de Abraão

Mosaico, séc. V

Basílica de Santa Maria Maior, Roma

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