Lisboa |
Jovens do Projeto + em missão na Roliça
Tempo para as coisas essenciais
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Eram 34 jovens missionários. Todos universitários. A acompanhá-los, dois sacerdotes. Na semana do Projeto + na Roliça, os estudantes estiveram com os idosos, com as crianças, fizeram uma obra, andaram de porta a porta e rezaram. O encontro com o pai do Museu ‘Aldeia dos Pequeninos’ marcou também todos os missionários.

 

Miguel Leitão, de 20 anos, estuda Gestão de Recursos Humanos no Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas e diz ter ficado tocado com a entrega dos mais de 30 jovens que participaram no Projeto + e que, de 13 a 20 de julho, estiveram em missão na Roliça. “Como é que 30 ‘malucos’, universitários que estão cansados com a época de exames, que estão estafados, a precisar de férias e com a cabeça ocupada, vêm para cá, cada um com o seu curso, e ao fim de três dias conseguem estar completamente diferentes, a falar uns com os outros, partilhando as suas perspetivas, os seus medos? Isto é tudo obra do Espírito Santo! Foi Deus a atuar nesta semana na vida dos universitários. É incrível e é muito marcante”, assegura, ao Jornal VOZ DA VERDADE, Miguel, que foi um dos chefes gerais da missão.

Foram 34 os jovens, acompanhados por dois sacerdotes, que estiveram por uma semana na Paróquia da Roliça, mais concretamente na comunidade da Delgada. Marta Esteves, que estuda Engenharia do Ambiente no Instituto Superior de Agronomia e vai fazer 21 anos em agosto, acompanhou Miguel na ‘chefia’ do grupo, “algo que nunca tinha feito numa missão”, e confessa ao Jornal VOZ DA VERDADE que “estava um pouco nervosa para receber os jovens”. “O nosso lema era ‘Vai correr tudo bem!’”, graceja. “No início da semana, ninguém nos abria a porta, éramos estranhos, a comunidade não sabia quem nós éramos, e até pensavam que estávamos ali por outro motivo qualquer, mesmo estando identificados com as t-shirts do projeto. Hoje, quase no final da missão, já nos ofereceram dois almoços, para os 30 missionários, e fruta que nunca mais acaba. No fundo, coisas com as quais nós, no início, estávamos aflitos”, recorda esta jovem, que frequenta a Paróquia do Campo Grande.

 

Tempo para as coisas essenciais

Maria Ana Pacheco, de 18 anos, é aluna da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade Nova de Lisboa, onde está a estudar Biologia Celular e Molecular, e participou pela primeira vez no Projeto +. “Tem sido uma semana muito intensa e, ao mesmo tempo, muito completa. Aqui, no fundo, temos tempo para tudo, coisa que em Lisboa muitas vezes não temos”, começa por referir esta jovem, ao Jornal VOZ DA VERDADE. Para Maria Ana, o “tempo para as coisas essenciais” marca a missão do Projeto +. “Aqui, temos tempo para rezar, temos tempo para conviver, temos tempo para pensar, temos tempo para aprofundar temas; em Lisboa, estamos na nossa vida ‘normal’ e acabamos por nem ter tempo, nem silêncio. No Projeto + estamos sempre atarefados, mas temos tempo para as coisas essenciais”, assinala esta jovem, da Paróquia de Telheiras.

Maria Ana, que este ano, nas férias da Páscoa, tinha feito também a Missão País, foi “desafiada por uma amiga” a participar nesta missão e também por um dos chefes nacionais do Projeto +, Bernardo Teixeira, que pertence ao núcleo de estudantes católicos da faculdade desta jovem. Da semana na Roliça, Maria Ana destaca “o exemplo dos chefes” da missão e a “sua dedicação”, para que “esta semana fosse possível”. “Estamos todos muito cansados, cansados do ano escolar, cansados da semana em si, que é muito intensa, mas ver a maneira como lidamos com esse cansaço e como tentamos escondê-lo nas várias atividades, seja com os velhinhos, no lar, ou noutra missão, é muito marcante”, assinala.

 

Jovens com caminhada cristã

Na Delgada, os 34 jovens desta missão ficaram instalados no Clube Recreativo Delgadense. No salão desta coletividade, foram montadas duas zonas de camaratas: a das raparigas e a dos rapazes. Pelas 9 horas, já todos os jovens estavam acordados, arranjados e de pequeno almoço tomado. Era hora da oração da manhã, numa capela montada no andar superior, com o Santíssimo Sacramento. São os próprios jovens que preparam este momento com que começava cada dia. O padre Duarte da Cunha, pároco de Santa Joana, Princesa, e recentemente nomeado assistente da Pastoral Familiar do Patriarcado de Lisboa, foi o sacerdote que acompanhou em permanência toda a missão, e fazia, a cada manhã, uma meditação com os jovens. No final da oração, o padre Duarte lembrava: “Não se esqueçam que estou disponível para a confissão. Ou somente para alguma conversa mais longa. É importante”, referia o sacerdote, aos jovens.

Ao Jornal VOZ DA VERDADE, o padre Duarte da Cunha disse sentir que estes jovens “já têm uma caminhada cristã”. “Parece-me que estes jovens são fruto de algumas missões e de núcleos de estudantes católicos na universidade. Portanto, é gente que encontrou nestes grupos, de facto, uma força para viver, e por isso vai percebendo que Deus e a verdade das coisas que dizemos na fé são reais. Podem por vezes ter dificuldade em ser totalmente coerentes, mas percebem que isto é para eles. É muito giro ver que, para eles, não há conflitos entre ciência e fé. Muitos deles são cientistas e vivem tranquilamente o diálogo entre a fé e a ciência, na vida. Depois vão refletindo e vão fazendo perguntas, para perceber os ‘comos’; mas a experiência da fé é um facto. E isso é bonito ver”, aponta este sacerdote, que participou pela primeira vez no Projeto +.

Ao longo da semana, o padre Duarte procurou sobretudo “estar disponível para eles”. “O acompanhamento da missão foi feito, digamos, nas partes mais específicas de padre, como a confissão, a celebração da Missa e numas conversas um bocado mais longas, e depois estando presente nas missões que eles foram fazendo durante o dia”, explica o sacerdote, de 51 anos. “Ao longo do Projeto +, tivemos sempre a oração da manhã, a oração da tarde e, ao fim da tarde, os jovens rezavam o terço, com a comunidade local, e celebrávamos a Missa”, partilha.

 

Quatro missões

O Projeto + na Paróquia da Roliça teve início no sábado 13 de julho. Como os jovens são de diferentes faculdades, nem todos se conhecem. Por isso, o fim-de-semana é dedicado ao fortalecimento do espírito de grupo, segundo refere Marta Esteves, uma das chefes gerais da missão. “O sábado e o Domingo servem para nós todos, missionários, nos conhecermos. Tivemos uma mini peregrinação e convívios”, explica esta jovem, que tal como Miguel Leitão, o outro chefe geral do grupo, tinha participado o ano passado no Projeto + pela primeira vez, na missão que decorreu nas Gaeiras. “Éramos missionários normais, não sabíamos nada para onde íamos, nem conhecia ninguém, mas foi uma experiência ótima”, destacam.

Para as missões deste ano na Roliça, os jovens eram divididos em quatro grupos, havendo quatro missões à espera de cada um, segundo explica Marta: “O objetivo é todos rodarem pelas comunidades diversas, seja pelo Lar do Centro Social Paroquial, pelas crianças, pelo ‘Just a challenge’ ou pelo ‘Porta a porta’”. “O ‘just’ é no fundo fazer uma obra que a comunidade precise. Neste caso, pediram-nos para limpar o ‘Poço do povo’, algo que já estava para ser feito há vários anos. Marcou-nos muito a obra e o resultado final, onde incluímos o logo do Projeto +”, refere esta jovem.

Maria Ana Pacheco diz ter gostado muito do ‘Porta a porta’, que, para o seu grupo, decorreu logo no primeiro dia, na segunda-feira. “Fomos os primeiros a fazê-lo e, de manhã, as pessoas estavam muito recetivas. À tarde, fomos ver o Museu ‘Aldeia dos Pequeninos’, um museu em que o senhor Júlio fez tudo à mão, com as casinhas da Delgada reproduzidas. Ele não abria o museu há dois anos, desde que a mulher faleceu, e mostrou-nos tudo com imenso carinho. Aos poucos, o senhor Júlio deixou que entrássemos na sua vida e deixou que ajudássemos a limpar o museu. Senti que foi um sinal de Deus”, partilha a jovem voluntária, que participou no Projeto + com quase uma dezena de amigos.

 

Cinco anos de Projeto +

O Projeto + foi criado há cinco anos pela jovem Inês Amaral. “Ela, desde o início, idealizou uma semana típica e depois nós fazemos os nossos ajustes à realidade local”, assinala o chefe Miguel Leitão, que é originário da Paróquia de São João de Brito, mas que frequenta o CUPAV, dos Jesuítas, por ter estudado no Colégio São João de Brito.

Para Marta Esteves, o ter sido chefe geral da missão “trouxe imensas responsabilidades”. “Só o facto de termos de arranjar um sítio que nos acolha, arranjar um padre que esteja connosco a 100 por cento e ter de escolher os vários chefes que nos vão acompanhar a semana inteira, como os chefes de oração, de serviço, de atividades de refeição…”, resume. Para Miguel, o desafio foi “conseguir arranjar patrocínios e ajudas dentro da comunidade”. “Pedimos alguma coisa aos missionários, o que ajuda, mas é complicado arranjar alimentos para esta malta toda, durante uma semana. E isso foi responsabilidade dos chefes gerais”, frisa.

Tal como Maria Ana Pacheco, também os chefes Marta e Miguel sentiram-se tocados pela história de vida do senhor Júlio e pelo seu Museu ‘Aldeia dos Pequeninos’, na Delgada. “Foi uma história muito marcante deste projeto”, assinala Marta. “O senhor Júlio, que estava no lar, já não abria o museu há dois anos e veio de propósito para nos abrir a porta e contar a sua história. Foi muita emoção, começámos todos a chorar e ainda limpámos todo o museu, que estava já com teias de aranha e pó. O senhor Júlio agradeceu como nunca”, frisa a jovem. Miguel Leitão lembra como o ‘pai’ do Museu ‘Aldeia dos Pequeninos’ estava “triste, cabisbaixo, sentido” aquando do primeiro contacto com os jovens. “Ele fez o museu para a filha, que morreu cedo, e a mulher morreu há dois anos e, desde aí que o senhor Júlio não o abria. Dois dias depois de nos abrir a porta pela primeira vez, já estava de boné na cabeça, com as animações todas do museu a mexer. Notou-se a diferença que nós fizemos nas pessoas, nesta semana que estivemos aqui”, destaca Miguel. É por isso que Marta sublinha: “Enquanto for universitária, há que aproveitar para participar no Projeto +”.

 

Projeto + em www.facebook.com/missaoprojetomais

  

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Gente jovem a rezar

Os jovens ficaram instalados na Paróquia da Roliça, mais concretamente na comunidade da Delgada, mas a organização procurou que “fosse uma iniciativa alargada também ao Bombarral e a Vale Côvo”, segundo explica o vigário paroquial das três paróquias, padre Pedro Tavares, ao Jornal VOZ DA VERDADE. “As atividades que eles propõem, quer para as crianças, quer para os adultos, foram abertas nas realidades das três paróquias”, salienta o jovem sacerdote. O programa de toda a semana de Projeto + foi elaborado pelos jovens. “Eles trazem de Lisboa as suas ideias, um programa, uma metodologia, os seus objetivos, mas depois precisam de perceber o terreno… e aí, nós demos-lhes o terreno. Eles imprimiram um espírito juvenil na Paróquia da Roliça que, se calhar, há muito tempo não existia. Houve gente jovem que veio rezar na terra das pessoas que aqui vivem e isso não passa ao lado”, aponta.

O padre Pedro Tavares, que foi presença diária junto dos jovens, salienta ainda que, “mais do que a missão que eles fazem na paróquia, o importante é a possibilidade que eles têm de conhecer uma Igreja diferente”. “Todos eles veem de Lisboa e arredores, de zonas urbanas, que não tem nada a ver com esta zona do Oeste. É muito importante que eles possam perceber que a Igreja de Lisboa, à qual todos nós pertencemos, é lá em baixo, mas também é aqui, com esta realidade, com esta pobreza, mas também com esta riqueza da vida das pessoas. A melhor coisa que acontece com o Projeto + é eles terem este conhecimento de uma realidade paroquial diferente da deles”, assinala o jovem sacerdote, de 27 anos.

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