Domingo |
À procura da Palavra
Variações do Pai Nosso
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DOMINGO XVII COMUM Ano C

“Pedi e dar-se-vos-á; procurai e encontrareis;

batei à porta e abrir-se-vos-á.”

Lc 11, 9


Nestes dias de fogo e aflição em terras que muito amo, imaginei as orações de muitos que não desistiram de lutar contra a destruição. Na impotência e na entreajuda, descobrimo-nos frágeis e necessitados, irmãos de uma mesma vida que se procura salvar. Talvez até filhos abandonados, neste desejo de querer que o Pai evitasse aquilo que causamos ou não prevenimos. E descobrimo-nos pedintes, como só as crianças o sabem ser.

 

Jesus rezava. Em vários os momentos os evangelistas no-lo contam. E a oração é abertura e encontro, mesmo em tantos momentos de deserto, de cada um com Deus. A intimidade com o Pai ressalta em tudo aquilo que Jesus diz e faz. Em S. Lucas, a oração é, essencialmente, pedir. E pedir é próprio dos filhos; que o diga quem é pai ou mãe! Somos filhos a aprender a ser irmãos, pois até o pão que pedimos não é só “meu”, é “nosso”. Neste relato é um discípulo, certamente extasiado, como os outros, por ver Jesus rezar, que Lhe pede que os ensine a rezar. E Jesus dá-nos o “Pai Nosso”. Modelo de todo o diálogo com o Pai, todas as nossas orações são “variações”, em todos os tons e cores, desta maravilhosa oração.


Cinco pedidos apenas (em S. Mateus são sete). Como a vida que se orienta para o Abba (o paizinho cheio de ternura das crianças), desejando que o seu Reino se estabeleça em nós, estes pedidos têm no centro o pedido do pão. Pão para todos, é compromisso que nos lança para a fraternidade e para a construção do mundo. Sem ganância de acumular nem endeusamento de qualquer poder humano. Pão que é vida e recebemo-la dia a dia das mãos do Pai. Pão que fortalece as forças para a verdadeira colaboração no projecto de Deus. Pão que se partilha e multiplica quando o egoísmo é vencido, e só assim traz felicidade.


Pedimos também o perdão. Com a condição de o darmos, na espera de que o coração de Deus seja maior que o nosso. Perdão que não é esquecimento mas liberta, e põe no amor de Deus a possibilidade de tudo curar e recriar. Perdão aos inimigos, como o fez Eva Mozes Kor, uma judia sobrevivente a horrorosas experiências nazis em Auschwitz, falecida no início de julho com 85 anos de idade. Perdão que nos mergulha ainda mais na intimidade do Pai que todos ama. Perdão, o mais difícil e, por isso, a repetir todos os dias.


Por fim, não cair na tentação… de desistir. De nos fecharmos. De não querer ser filhos nem irmãos. De “avariar” o Pai Nosso no círculo de um egoísmo interesseiro. Mas criar em palavras, cores e melodias, mil e uma variações do diálogo com o Pai que nos abre a Ele, a tudo e a todos. Vá lá, vale a pena pedir!

P. Vítor Gonçalves (ilustração por Tomás Reis)
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