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Papa pede “gestos significativos” ao presidente sírio
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Preocupado com a situação humanitária na Síria, o Papa escreveu ao presidente Bashar al-Assad. Na semana em que a Sala de Imprensa da Santa Sé recebeu um novo diretor, Francisco evocou os 50 anos do “sonho extraordinário” da chegada do Homem à Lua e nomeou o vencedor do Prémio Nobel da Química de 2014 para o Vaticano.

 

1. O Papa Francisco escreveu ao presidente da Síria a manifestar a sua “profunda preocupação” com a situação humanitária no país, em particular com a “condição dramática” em que se encontra a população de Idlib, onde prosseguem os bombardeamentos. Um comunicado da Sala de Imprensa da Santa Sé confirma que a carta do Papa foi entregue a Bashar al-Assad na passada segunda-feira de manhã, dia 22 de julho, em Damasco, pelo enviado papal, cardeal Peter Turkson. A acompanhar o prefeito do Dicastério para o Serviço do Desenvolvimento Humano Integral esteve o Núncio Apostólico na Síria, cardeal Mario Zenari.

Os pormenores da carta foram, entretanto, avançados pelo secretário de Estado do Vaticano. Em entrevista ao Vatican News, o cardeal Pietro Parolin esclarece que a iniciativa do Papa não é “política”. Francisco está sobretudo preocupado com “a situação de emergência humanitária”, em especial “das crianças que são envolvidas nos combates sangrentos”, e renova o apelo “para que a vida dos civis seja protegida e para que as infraestruturas principais, como escolas, hospitais e centros de saúde, sejam preservadas”. “O Santo Padre pede ao presidente que faça tudo para deter essa catástrofe humanitária, e para salvaguardar a população indefesa, em particular os mais vulneráveis, respeitando o Direito Humanitário Internacional”, acrescenta D. Parolin, revelando que na carta o Papa “cita três vezes a palavra ‘reconciliação’. Esse é o seu objetivo”, garante o cardeal italiano, acrescentando que Francisco “continua a rezar para que a Síria possa reencontrar um clima de fraternidade depois de longos anos de guerra”.

Entre os “gestos significativos” que o Papa encoraja o presidente Bashar al-Assad a levar a cabo está a criação de condições para “o regresso seguro dos exilados e deslocados, e para todos aqueles que queiram voltar ao país depois de terem sido obrigados a abandoná-lo”. Pede, também, uma “atenção particular à situação dos presos políticos, aos quais não podem ser negadas condições de humanidade”. “A Santa Sé sempre insistiu na necessidade de buscar uma solução política viável para por fim ao conflito, superando os interesses partidários. Isso deve ser feito com os instrumentos da diplomacia, do diálogo, da negociação e com a assistência da Comunidade internacional”, afirma ainda o secretário de Estado do Vaticano.

 

2. Matteo Bruni assumiu, no passado dia 22 de julho, a direção da Sala de Imprensa da Santa Sé, após ter sido nomeado pelo Papa Francisco no dia 18 de julho. Numa declaração escrita, o novo diretor agradece ao diretor-interino, Alessandro Gisotti, por ter conduzido “generosa e sabiamente” a relação do Vaticano com os media e a “delicada e decisiva tarefa de informar”. “Tenho consciência da delicada e decisiva tarefa de informar e estou certo que posso contar com o apoio dos meus colegas, com quem aprendi a conhecer e a valorizar o profissionalismo nestes anos, intensos, de trabalho para a Santa Sé”, escreveu Matteo Bruni, referindo os 10 anos de trabalho no Vaticano “com espírito de serviço ao Papa e à Santa Sé”. “Agradeço ao Santo Padre pela sua confiança e ao prefeito do Dicastério para as Comunicações, Paolo Ruffini, pelo apoio do Dicastério, que estou certo, não faltará”, concluiu o novo diretor da Sala de Imprensa da Santa Sé.

Natural de Winchester, na Inglaterra, onde nasceu a 23 de novembro de 1976, Matteo Bruni estudou Letras e Literatura Estrangeira Moderna e Contemporânea, na Universidade La Sapienza de Roma. É casado, tem uma filha e, para além do inglês e do italiano, fala espanhol e francês, e esteve envolvido “em projetos de cooperação humanitária e em programas de apoio aos idosos”. Em dezembro de 2013, Matteo Bruni assumiu a responsabilidade de organizar e acompanhar a imprensa nos voos do Papa Francisco, por ocasião das viagens fora da Itália, mas já trabalha na assessoria de imprensa da Santa Sé há 10 anos, desde julho de 2009.

 

3. O Papa assinalou o 50.º aniversário da chegada do ser humano à Lua, falando na concretização de um “sonho extraordinário”. “Há 50 anos, o Homem pisou a Lua, realizando um sonho extraordinário. Que a recordação deste grande passo para a humanidade possa acender o desejo de progredir juntos rumo a destinos ainda maiores: mais dignidade aos fracos; mais justiça entre os povos; mais futuro, para a nossa casa comum”, desejou francisco, na janela do apartamento pontifício, durante a oração do Angelus, perante milhares de fiéis reunidos na Praça de São Pedro, na manhã do passado Domingo, 21 de julho.

A chegada dos astronautas norte-americanos à Lua, em 1969, tinha sido assinalada pelo então Papa Paulo VI, que saudou este “grande empreendimento espacial”. “Glória a Deus no alto dos Céus e paz na terra aos homens de boa vontade! Honra a vocês homens, artífices do grande empreendimento espacial”, foi a mensagem que São Paulo VI enviou, depois de assistir ao acontecimento pela televisão. No dia 20 de julho de 1969, recorde-se, a expedição lunar composta por três astronautas – Neil Armstrong, comandante, Edward Aldrin e Michael Collins – completou com sucesso a missão da Apollo 11.

O Papa Francisco recordou ainda a passagem do Evangelho que foi lida nas comunidades católicas de todo o mundo, evocando as figuras de Marta e Maria, duas irmãs, e a forma como receberam Jesus Cristo, conjugando “contemplação e ação”. A intervenção sublinhou a necessidade de um “sentido de acolhimento, de fraternidade”, para que todos se possam sentir em casa na Igreja, “especialmente os pequenos e os pobres”. “Que Maria Santíssima, Mãe da Igreja, nos dê a graça de amar e servir Deus e os irmãos, com as mãos de Marta e o coração de Maria, para que possamos ser artesãos de paz e de esperança, permanecendo sempre à escuta de Cristo”, concluiu.

 

4. O Papa Francisco nomeou o Prémio Nobel da Química de 2014, Stefan Walter Hell, como membro ordinário da Pontifícia Academia das Ciências. Natural da Roménia, onde nasceu em 1962, Walter Hell obteve o doutoramento em Física pela Universidade de Heidelberg, na Alemanha, em 1990, sendo atualmente diretor do Max Plank Institute for Biophysical Chemistry, em Gottingen, e diretor do Max Planck Institute for Medical Research, em Heidelberg.

Aura Miguel, jornalista da Renascença, à conversa com Diogo Paiva Brandão
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