Lisboa |
Missão Betânia 2 no Seminário dos Olivais
Amizades em Cristo
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Pensar em missão remete-nos para trabalho com crianças, idosos, caridade ou, até, em aldeias desse Portugal ou mesmo em África. Mas a Missão Betânia é diferente. Aqui, o foco é o seminário maior da diocese, o Seminário de Cristo Rei dos Olivais. Foi entre 24 e 30 de agosto que cerca de 30 jovens prestaram serviço, rezaram juntos e conviveram. E assim estreitaram a amizade com Jesus.

 

Milene Santos e Mafalda Moreira são da Paróquia de A-dos-Cunhados e participaram, pela primeira vez, na Missão Betânia. “Têm sido dias espetaculares, maravilhosos!”, garante Milene, ao Jornal VOZ DA VERDADE. Para Mafalda, a semana tem sido “muito intensa, tanto na parte da oração como na de serviço”. “É muito bom porque partilhamos momentos todos juntos, e acabamos por criar amizades em Cristo muito facilmente”, salienta ao Jornal VOZ DA VERDADE.

O serviço, a oração e a partilha/convívio são os três pilares da Missão Betânia, cuja segunda edição decorreu na última semana de agosto, no Seminário dos Olivais, e juntou mais de 30 jovens, entre missionários e animadores, que foram acompanhados espiritualmente pelo cónego Nuno Amador, vice-reitor do seminário e um sacerdote muito ligado também à Pastoral Universitária. “Esta é uma missão diferente, para ajudar a diocese, e ajudando a diocese não ajudamos só os seminaristas e os padres que cá vivem, mas ajudamos todos os diocesanos, todo o povo de Deus. Parecendo que não, estamos a ajudar toda a gente”, frisa Milene. “Tem sido muito bom. Como o padre Nuno dizia num destes dias, estamos a servir a casa, mas também estamos a servir uns aos outros, porque o seminário não é só uma casa de seminaristas é a casa de toda a gente”, acrescenta.

Estudantes de Enfermagem, Milene, de 21 anos, e Mafalda, um ano mais nova, foram desafiadas por amigas comuns a participar na Missão Betânia 2. “Vamos confiar no Senhor”, pensou Milene, que na paróquia está à frente de um grupo de jovens. Ao longo dos dias de missão, os arrumos, no seminário, não foram apenas físicos. “Estes dias têm servido também para arrumar o nosso coração, a nossa casa interior. Tem sido muito importante todo este tempo de oração e de serviço. O objetivo da Missão Betânia é levar os jovens a descobrir a amizade com Jesus e sentimos isso, de facto”, garante Milene Santos.

 

Dia missionário

A chegada dos jovens ao Seminário dos Olivais aconteceu no dia 24 de agosto. Era um sábado e, à espera dos missionários, estava uma semana de serviço, oração e partilha/convívio. “Levantamo-nos pelas 7h30-7h45, de forma a estarmos todos na capela às 8h30, para a Missa diária, com laudes. Segue-se o pequeno almoço e depois vamos para os trabalhos. Antes do almoço, pelas 12h45, rezamos o terço e, após a refeição, há momento de convívio. Pelas 15h00, temos novamente serviço e pelas 17h30 segue-se o lanche, os banhos, a oração de vésperas e o jantar. À noite, temos sempre um serão cultural ou de jogos. O dia termina com a oração de completas e ceia”, explicam estas jovens.

Entre os vários serviços, Mafalda Moreira destaca o tempo passado no jardim do seminário. “Arranjámos um amigo, o senhor Zé, o jardineiro da casa, que é muito simpático e gostou muito de nós”, assegura. Esta jovem, que é catequista e pertence ao coro da igreja, lembra a importância dos diversos momentos de espiritualidade ao longo do dia. “É muito importante parar e refletir naquilo que foi o dia e no que podemos melhorar em nós próprios, interiormente, e na relação com os outros”, aponta.

A Missão Betânia é dirigida a jovens dos 18 aos 25 anos. É, por isso, com um sorriso no rosto que Milene e Mafalda garantem: “Isto é muito bom. Para o ano, vimos novamente”.

 

Um repetente na missão

Se para Milene e Mafalda a edição deste ano da Missão Betânia foi uma estreia, para João Gomes foi a segunda participação. “O ano passado fui desafiado por um grande amigo, o Tiago Fonseca, a participar na Missão Betânia. Faltavam poucos dias para a missão começar – penso que dois –, mas ainda me pude inscrever e gostei muito da experiência. Senti que fizemos bastante para ajudar os seminaristas aqui da casa e senti que crescemos como pessoas e como cristãos”, refere ao Jornal VOZ DA VERDADE este jovem da Paróquia de Tires. Se no ano passado João apareceu “à última hora”, este ano foi “dos primeiros” a inscrever-se. “Assim que abriram as inscrições, chamei um amigo e viemos”, recorda.

Sobre esta missão particular, João lembra que “este seminário é gigante” e só “está a ser usado cerca de um terço” do espaço. “O resto são salas e corredores cheios de pó e de tralhas. Na verdade, eu gostei muito do que fizemos no ano passado e quis repetir a experiência. E este ano, pela divulgação, até houve mais gente a participar”, destaca este jovem de 20 anos, estudante de Engenharia Eletrotécnica.

De manhã, antes e após o pequeno-almoço, os jovens missionários podiam decidir (e inscrever-se) em qual dos sete projetos queriam participar naquele dia. Para tal, bastava colocar o seu nome no quadro colocado no refeitório do seminário. “O ano passado tínhamos um projeto do início ao fim da missão; mas assim, podendo escolher diariamente, é melhor, porque podemos conhecer que outras zonas do seminário estão a precisar de ajuda e também nos permite contactar com mais pessoas”, observa João Gomes.

Em termos de espiritualidade, João considera que estava a fazer “uma experiência diferente” na Missão Betânia 2. “Normalmente, vou à Missa ao Domingo e esta semana rezamos a Liturgia das Horas, que é uma coisa que a maioria dos cristãos não reza. Esta missão tem-me ajudado a crescer como cristão”, garante este jovem, destacando ainda as “excelentes condições” do seminário para os missionários. “Os quartos são todos individuais, com casa de banho privativa e ar condicionado”, refere.

 

Sentido da totalidade

Tiago Fonseca, de 20 anos, era um dos nove animadores da atividade e destaca o “sentido da totalidade” da Missão Betânia. “Toca-me esta missão, de ajudar o seminário, no sentido da totalidade. Temos duas colunas, o trabalho e a oração, e uma das coisas que mais me toca é no sentido de, se vamos trabalhar, temos de dar tudo no trabalho; se vamos rezar, temos de nos entregar totalmente na oração. É das maneiras mais bonitas de viver aquilo que estamos a fazer: entregarmo-nos por completo”, salienta ao Jornal VOZ DA VERDADE este jovem de 20 anos, da Paróquia de Tires, que estuda Estatística Aplicada.

Além de animador, Tiago é também um dos ‘fundadores’ da Missão Betânia. “Tudo começou com uma peregrinação a pé a Santiago de Compostela, no verão de 2017, que nos tocou bastante. Foi um desafio do Pedro e do Afonso Sousa, irmãos gémeos seminaristas, que convidaram três pares de irmãos e um sacerdote, o padre Rui de Jesus. Nessa semana, criámos laços fortes entre todos e houve a sugestão de fazer algo diferente no ano seguinte. Foi então que os gémeos sugeriram organizar uma missão para ajudar o seminário. Ficámos curiosos e aceitámos”, resume.

A Missão Betânia 1, em julho do ano passado, reuniu cerca de 20 jovens. “Tivemos uma boa avaliação por parte dos participantes e muitos pediram a Missão Betânia 2 e, este ano, preenchemos todas as 30 vagas!”, refere, satisfeito. Segundo Tiago, somente um terço do espaço do seminário é utilizado. Por isso, “um dos objetivos da Missão Betânia era tornar os outros dois terços possíveis de serem utilizados”. Um ano depois da estreia, a segunda edição da Missão Betânia estava a ser também “uma experiência muito engraçada”. “O primeiro ano foi uma descoberta e, este ano, temos tido um trabalho mais intenso. Sinto que a malta está mais cansada, porque trabalhamos com mais força”, observa.

A Missão Betânia 2 teve, nesta edição, uma tarefa “muito especial”. “Estivemos a arrumar a biblioteca do cónego José Ferreira”. Este sacerdote, falecido em 2016, aos 97 anos, é considerado pelo Cardeal-Patriarca D. Manuel Clemente o “nome da renovação litúrgica” implementada no Patriarcado de Lisboa, após o Concílio Vaticano II. “Abrimos as caixas com os livros do padre Zé, que nunca tinham sido mexidas desde o seu falecimento, separámos os livros de liturgia dos de literatura e agora está a ser criada a ‘Sala Cónego José Ferreira’, porque, segundo me disseram, este sacerdote foi o pulmão da liturgia em Portugal e, daqui a uns anos, vai ser motivo de estudo e é importante ter os livros organizados. Agora, todas as obras estão arrumadas, em prateleiras. Um dia, serão catalogadas”, deseja este jovem.

No próximo ano haverá uma Missão Betânia 3? “É uma possibilidade! Vamos esperar pela avaliação, mas nós, animadores, estaremos cá, dispostos para ajudar”, assegura o animador Tiago Fonseca.

 

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Missão Betânia

https://fb.me/missaobetania2019

 

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“Que tudo possa partir da oração”

Juntamente com o serviço e a partilha/convívio, a oração é um dos pilares da Missão Betânia. “É muito importante a dimensão da oração para estes jovens. Ainda ontem lhes dizia isso: pensamos que vimos para arrumar, mas também nos vimos arrumar. À medida que vamos pondo a vida ao serviço dos outros, que vamos criando amizade, também percebemos que há a intimidade com Jesus e a possibilidade de parar para ir lá dentro. Percebemos que há coisas em nós que também precisamos de ‘arrumar’”, destaca ao Jornal VOZ DA VERDADE o cónego Nuno Amador, vice-reitor do Seminário dos Olivais que esteve a acompanhar espiritualmente os jovens em missão. Este sacerdote sublinha que tem procurado que “tudo possa partir da oração”. “Temos tido Missa diária, com oração das laudes, das vésperas e das completas, o terço diário, e tentamos fazer uma introdução aos salmos, às leituras da liturgia das horas, para que os jovens possam entrar nesta oração que, para a maioria, é uma coisa desconhecida”, frisa, apontando que “o tempo de oração é um tempo de paragem, um tempo de voltar às coisas da fé, para alguns, e para outros o continuar esse caminho”. “Sinto que o grupo tem crescido, não só nas amizades e na forma de estar, mas também naquilo que é a aproximação à oração”, acrescenta, lembrando a vigília de oração, na noite de segunda-feira, 26 de agosto, que contou com a participação dos pais e familiares dos jovens missionários. “Foi um momento muito bonito, com confissões e que permitiu também crescer espiritualmente”, refere.

Sendo um sacerdote da casa, o vice-reitor do Seminário dos Olivais diz que “é ótimo” ver “tantos jovens a dedicarem parte das suas férias à missão”. “O seminário não é uma casa só dos que cá moram, é uma casa da diocese e da Igreja. Por isso, ela é de todos e é muito bonito estes jovens poderem dar um tempo das suas férias para, com amor, dedicarem também este tempo ao seminário. Penso que para eles não será indiferente o amor que vão criando aos sacerdotes, ao seminário e, até, eles próprios colocarem as questões vocacionais”, observa o cónego Nuno Amador.

 

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No final da tarde de dia 29 de agosto, os jovens da Missão Betânia receberam a visita do Cardeal-Patriarca de Lisboa. D. Manuel Clemente celebrou a Eucaristia, jantou com os missionários e depois teve um encontro, onde respondeu às perguntas dos jovens.

texto e fotos por Diogo Paiva Brandão
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