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Papa visita África com “a paz e a reconciliação” como fio condutor
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Pela segunda vez, o Papa Francisco está de visita a África, mais concretamente a Moçambique, Madagáscar e Maurícias. Na semana em que o secretário-geral da ONU elogiou o exemplo de Francisco, o Papa convidou à oração pelos mares e os oceanos. Em agosto, o Santo Padre escreveu aos padres.

 

1. O Papa Francisco partiu na quarta-feira, dia 4 de setembro, para a 31.ª viagem do seu pontificado, com o tema da “paz e reconciliação” como fio condutor. É uma intensa visita de sete dias, até 10 de setembro, que inclui 15 discursos em três países, Moçambique, Madagáscar e Maurícias. É a segunda vez que Francisco visita África. A primeira foi em 2015, ao Quénia, Uganda e República Centro Africana. Desta vez, o Papa visita três países da periferia, a braços com a consolidação da paz, do encontro de culturas, do diálogo inter-religioso e com problemas que resultam de catástrofes naturais e inundações.

Moçambique e Madagáscar estão na lista dos dez mais pobres do mundo, dependem de ajuda externa e têm graves problemas de corrupção. Quanto às Maurícias, apesar da estabilidade política e melhores condições económicas, sofre de tensões étnicas e religiosas (sobretudo entre muçulmanos e hindus) e uma forte secularização entre cristãos.

 

2. O Papa enviou uma mensagem em português ao povo de Moçambique, antecipando a viagem que iria fazer ao país lusófono, de 4 a 6 de setembro, para sublinhar a importância da “reconciliação”. “Que o Deus e Pai de todos consolide a reconciliação, reconciliação fraterna em Moçambique e na África inteira, única esperança para uma paz firme e duradoura”, desejou Francisco, numa intervenção, em vídeo, divulgada pelo Vaticano.

O Papa dirige-se ao “querido povo de Moçambique”, sublinhando que, apesar de não se deslocar a outras cidades além da capital, deseja dirigir-se a toda a população, em particular os que vivem momentos mais difíceis. “O meu coração alcança e abraça a todos vós, com um lugar especial para quantos vivem atribulados. Desde já vos queria deixar esta certeza: estais todos na minha oração. Anseio pelo momento de vos encontrar”, referiu.

Francisco convida todos a rezar pela paz, evocando a vista de São João Paulo II a Moçambique, até hoje o único Papa a visitar o país lusófono – de 16 a 19 de setembro de 1988, no contexto de uma viagem alargada a África.

 

3. O secretário-geral da ONU usou o Twitter para elogiar publicamente o exemplo do Papa Francisco, que no último Domingo lembrou que é urgente “refletir sobre os nossos estilos de vida”, e apelou ao envolvimento de políticos, cientistas e economistas na proteção dos oceanos. “Obrigado, Sua Santidade, Papa Francisco, pelo seu apelo à ação climática (#climate action). Precisamos de ações mais ousadas e de uma mais forte vontade política para vencer a batalha contra a emergência climática”, escreveu esta terça-feira, dia 3, António Guterres, na sua conta nesta rede social.

O elogio do secretário-geral da Nações Unidas surge depois de o Papa ter assinalado o Dia Mundial de Oração pelo Cuidado da Criação, a 1 de setembro, com uma mensagem em que lembra que “este é o tempo para nos voltarmos a habituar a rezar imersos na natureza”, e para “refletir sobre os nossos estilos de vida”. “Criámos uma emergência climática, que ameaça gravemente a natureza e a vida, inclusive a nossa”, afirma Francisco, lembrando que “a degradação aumentou nas últimas décadas: a poluição constante, o uso incessante de combustíveis fósseis, a exploração agrícola intensiva, a prática de abater as florestas estão a elevar as temperaturas globais para níveis preocupantes”.

“A dissolução dos glaciares, a escassez de água, o menosprezo das bacias hidrográficas e a considerável presença de plástico e microplástico nos oceanos são factos igualmente preocupantes, que confirmam a urgência de intervenções não mais adiáveis”, sublinha a mensagem.

 

4. Os mares e os oceanos, que albergam “a maior parte da água do planeta e também a maior variedade de seres vivos”, são uma prioridade para o Papa. “A Criação é um projeto do amor de Deus pela humanidade”, sublinha Francisco, na edição de setembro de ‘O Vídeo do Papa’, recordando que o dever solidário dos católicos com a ‘Casa Comum’ “nasce da nossa fé”. O Santo Padre chama a atenção de todos os católicos para que rezem com ele e ajam, pedindo para que os políticos, cientistas e economistas trabalhem juntos para alcançar medidas de proteção dos oceanos.

O Vídeo do Papa marcou, também, o início do ‘Tempo da Criação’, que se iniciou com o Dia Mundial de Oração pelo Cuidado da Criação, a 1 de setembro, e se prolonga até 4 de outubro, dia de São Francisco de Assis.

 

5. O Papa Francisco enviou uma carta aos padres de todo o mundo a propósito do momento de tribulação que estão a viver “nos últimos tempos” e que “não deixa indiferentes os presbíteros”. “Nos últimos tempos, pudemos ouvir mais claramente o clamor – muitas vezes silencioso e silenciado – de irmãos nossos, vítimas de abusos de poder, de consciência e sexuais por parte de ministros ordenados. Sem dúvida, é um período de sofrimento na vida das vítimas, que padeceram diferentes formas de abuso, e também para as suas famílias e para todo o Povo de Deus”, escreve o Papa, num texto divulgado pela Sala de Imprensa da Santa Sé, no passado dia 4 de agosto.

No âmbito do 160.º aniversário da morte do Santo Cura d’Ars, padroeiro dos párocos católicos, e num momento de crise provocado pelos sucessivos casos de abusos, Francisco dirige-se a todos quantos, “tantas vezes de forma impercetível e sacrificada, no cansaço ou na fadiga, na doença ou na desolação, assumem a missão como um serviço a Deus e ao seu povo e, mesmo com todas as dificuldades do caminho, escreveis as páginas mais belas da vida sacerdotal”. “Há algum tempo, manifestava aos bispos italianos a preocupação de que, em várias regiões, os nossos sacerdotes se sentem achincalhados e ‘culpabilizados’ por causa de crimes que não cometeram; dizia-lhes que eles precisam de encontrar no seu bispo a figura do irmão mais velho e o pai que os encoraje nestes tempos difíceis, os estimule e apoie no caminho”, recorda. “Como irmão mais velho e pai, também eu quero estar perto, em primeiro lugar para vos agradecer em nome do santo Povo fiel de Deus tudo o que ele recebe de vós e, por minha vez, encorajar-vos a relembrar as palavras que o Senhor pronunciou com tanta ternura no dia da nossa Ordenação e que constituem a fonte da nossa alegria: ‘Já não vos chamo servos, (...) a vós chamei-vos amigos’”, prossegue.

Aura Miguel, jornalista da Renascença, à conversa com Diogo Paiva Brandão
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