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Agualva inicia comemorações dos 60 anos da paróquia e dos 25 anos da igreja
“Ser batizado é ser Cristo no mundo”
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O Cardeal-Patriarca de Lisboa agradeceu as “vidas entregues” e o “esforço empreendido” pelos cristãos de Agualva. Esta paróquia da Vigararia de Sintra iniciou, no dia 8 de setembro, as comemorações dos 60 anos da criação e também os 25 anos da igreja paroquial, com D. Manuel Clemente a sublinhar que a “vida só ganha sentido se for vivida em Cristo”.

 

O Cardeal-Patriarca de Lisboa esteve na Paróquia de Nossa Senhora da Consolação de Agualva para “celebrar uma data tão bonita como esta, os 60 anos da paróquia e os 25 anos da igreja paroquial, com tudo o que isso significa de vidas entregues, partilhadas, de esforço empreendido e de persistência cristã e católica nesta bonita povoação”. “É uma alegria estar aqui convosco e convosco dar graças a Deus. Foram tantas vidas, foi tanto trabalho, foi tanta disponibilidade apostólica também da parte dos nossos irmãos Missionários do Coração de Maria [Claretianos]… Foi tanta coisa boa que vem das mãos de Deus, que é a fonte de todo o bem”, assinalou D. Manuel Clemente, no início da sua homilia, na celebração a que presidiu na manhã do passado Domingo, 8 de setembro.

No Largo da República, em Agualva, numa Eucaristia campal que juntou centenas de fiéis, o Cardeal-Patriarca sublinhou que “todos estes dons de Deus, que se concretizaram na vida paroquial de Agualva, devem ser remetidos a Deus”. “Deus esclareceu-nos, não de uma maneira teórica, não nos mandando um livro, nem uma filosofia ou conjunto de ideias, mas uma Pessoa, a Pessoa de Jesus Cristo”, apontou. “E isso responde ao porquê de estarmos aqui. Porque se existem comunidades cristãs, como esta vossa de Agualva, se existem paróquias, se existem leigos, se existem pais e mães de família que batizam os filhos, que os acompanham na fé, se existem catequistas, se existem todas estas pessoas que ao longo de 60 anos aqui têm dado o seu melhor para que esta paróquia da Agualva exista e persista e cresça, é para isso: é para que a resposta que Deus nos dá em Jesus Cristo, na sua Palavra, nos sinais da sua presença ressuscitada, a que nós chamamos sacramentos, na vida daqueles que são batizados em Cristo, continue a acontecer”, reforçou.

 

A resposta de Deus

Nesta celebração, D. Manuel Clemente desejou ainda que “tudo aconteça a partir de Cristo, na luz de Cristo, porque esta é uma vida vencedora”. “Nós acreditamos – e nesta comunidade, como em todas as comunidades cristãs que são Corpo de Cristo no mundo acontece –, que a resposta que Deus dá é a vida, a morte e a ressurreição de Jesus Cristo”, frisou. “A resposta de Deus Pai é assim: ‘Ele está no meio de nós’. E quando dizemos isto não é só por dizer, sentimo-l’O tão perto, a Jesus Cristo Ressuscitado. É por isso que depois a nossa vida só ganha sentido se for vivida n’Ele. Não ao lado d’Ele, nem fora d’Ele, mas n’Ele”, acrescentou.

A manhã, em Agualva, era solarenga e o Cardeal-Patriarca, antes da bênção final, convidou os cristãos desta paróquia ao anúncio. “Apesar do sol, esta contribuição que demos uns aos outros, de proporcionar uma presença tão viva e tão bonita de Jesus Cristo, é uma garantia de que vai continuar a ser assim, como presença e como missão. Porque este Cristo que nos foi dado por Deus é o Cristo que nós depois temos que oferecer aos outros. Cada um de vós, nas suas casas, na sua vida do dia-a-dia, com os seus colegas, com crentes e com não crentes. Porque ser batizado é ser Cristo no mundo”, terminou D. Manuel Clemente, na celebração que marcou o início das comemorações dos 60 anos da Paróquia de Agualva e dos 25 anos da Igreja de Santa Maria.

 

Tocar em cada um

Pároco da Agualva desde 2015, o padre Domingos Ferreira Carneiro tem feito do acolhimento a sua aposta pastoral. “A primeira aposta foi abrir a comunidade, abrir as portas físicas da igreja e torná-la acolhedora, porque a Igreja é um espaço que deve acolher. Venho de um ambiente africano, em São Tomé e Príncipe, onde estive 20 anos, e onde tínhamos uma relação muito próxima com as pessoas, à maneira de Jesus, que tocava em cada um”, frisa ao Jornal VOZ DA VERDADE este sacerdote, pertencente aos Claretianos.

Nestes quatro anos em Agualva, o padre Domingos tem-se empenhado também na formação dos leigos e das crianças. “Temos apostado muito na formação. Fizemos formação bíblica, que eu próprio orientei, durante um ano, com dois grupos em dias diferentes, e temos ainda apostado muito na catequese. Criámos na comunidade o grupo da catequese para as crianças deficientes, a chamada ‘Catequese possível’, que foi bem acolhida, a catequese de adultos, a que damos grande incentivo, com grupos interessantes, onde participa muita gente”, conta este sacerdote, que foi ordenado em 1991 e completa 57 anos de idade no próximo dia 12 de outubro.

 

Muitas culturas

Agualva é uma antiga freguesia do concelho de Sintra que, em 2013, no âmbito da reforma administrativa, foi anexada à freguesia de Mira-Sintra (igualmente pertencente à cidade de Agualva-Cacém), criando a União de Freguesias de Agualva e Mira-Sintra, a terceira maior do concelho, logo após Algueirão-Mem Martins e Rio de Mouro. Segundo os Censos de 2011, Agualva tem uma população de pouco mais de 35 mil habitantes, de praticamente todos os continentes. “Temos gente sobretudo da América Latina, concretamente do Brasil, que tem muita, muita gente cá, mas também africanos, quase todos dos Palop’s, com incidência em angolanos, cabo-verdianos, guineenses e são-tomenses”, refere o pároco, sublinhando que os portugueses “são todos bastante idosos”, havendo também “muitos doentes com cancro”. “Temos poucas crianças portuguesas. A comunidade africana está a crescer de uma maneira incrível. Porque quem chega, muitas vezes vem por questões de tratamentos e depois fica por cá”, salienta. “Temos ainda pessoas da Europa, sobretudo de leste, romenos, etc. São muitas culturas e, a nível de fé, há diferentes manifestações, muito diferentes mesmo. Temos feito algumas experiências de celebrações, e as pessoas gostam, mas há muita variedade”, acrescenta o padre Domingos, que é natural de Santo Tirso, na Diocese do Porto.

 

Vida paroquial

Os jovens têm sido também uma prioridade do pároco de Agualva. “Temos um bom agrupamento de escuteiros, com 120 elementos, e três grupos dedicados à juventude: o grupo de jovens de Agualva, os Jovens Sem Fronteiras e o grupo Procura, das Missões Claretianas”, refere o sacerdote. É que esta paróquia da Vigararia de Sintra há muitos anos que está confiada aos Missionários Filhos do Imaculado Coração de Maria (Claretianos), tal como as paróquias vizinhas do Cacém e Mira-Sintra.

Em termos de caridade, a paróquia tem a Cáritas Paroquial, que auxilia quase 200 pessoas. “Penso que andarão à volta das 160 a 180 as pessoas que a nossa Cáritas ajuda”, salienta o pároco. Antigamente, a caridade em Agualva esteve muito a cargo das Conferências de São Vicente de Paulo. “Os vicentinos, por uma questão de idade dos seus membros, estão neste momento em ‘banho maria’. Não estão encerrados, mas…”, assume o padre Domingos, que conta com a colaboração do diácono permanente José Manuel da Silva, que foi ordenado em 2011, mas está presente em Agualva desde 1977.

 

Generosidade

Até há cerca de 25 anos, a Paróquia de Nossa Senhora da Consolação de Agualva tinha apenas uma pequena capela, para 100 pessoas, que servia a comunidade cristã: a Capela de Nossa Senhora da Consolação, situada na zona sul da freguesia. Por isso, desde antes dos anos 80, do século passado, que havia na comunidade o desejo de construção de uma igreja. “A comunidade de Agualva, por aquilo que me é dado a conhecer, colaborou na construção das igrejas de Mira-Sintra e do Cacém. E por fim, tratou da sua igreja. Esta é uma comunidade muito generosa, no sentido de partilhar os bens com outras comunidades próximas e só depois preocupou-se consigo. Este gesto é bonito e penso que esta igreja de Agualva marca a diferença também por isso”, salienta o pároco, recordando que a primeira pedra da nova igreja foi benzida a 21 de junho de 1987.

A Igreja de Santa Maria de Agualva foi então inaugurada a 16 de julho de 1995, numa celebração presidida pelo então Cardeal-Patriarca de Lisboa, D. António Ribeiro. “Esta é a data que queremos recordar ao longo deste ano pastoral”, frisa o pároco. As obras, contudo, não ficaram por aqui, e as salas da catequese e as restantes divisões de apoio foram construídas uns anos depois, em 1998. A terceira e última fase, com que se encerraram as obras do complexo paroquial de Agualva, terminaram em 2004, com a construção da torre da Igreja de Santa Maria de Agualva.

 

Mais vida

Neste ano pastoral, além dos 25 anos da dedicação da igreja, a Paróquia de Agualva assinala também os 60 anos da paróquia. “Agualva desanexou-se de Belas por volta de 1958, 1960”, refere o padre Domingos Carneiro, ambicionando que estas comemorações sejam de crescimento cristão. “Espero – e alimento esse sonho, até já o partilhei no conselho pastoral –, que seja um ano em que os diferentes movimentos deem mais vida. Que sintam a paróquia como a nossa segunda casa. Que se sintam bem, que estejam bem. Espero realmente que este seja um ano de crescimento humano e, sobretudo, cristão. Sermos acolhedores, porque todos juntos somos poucos e precisamos todos uns dos outros”, deseja o pároco Agualva.

 

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Igreja de Santa Maria de Agualva

Com a celebração presidida pelo Cardeal-Patriarca de Lisboa, D. Manuel Clemente, a Paróquia de Nossa Senhora da Consolação de Agualva deu início às comemorações dos 60 anos da paróquia e também dos 25 anos da Igreja de Santa Maria de Agualva. “Muito simples em termos ornamentais, mas com uma beleza que lhe dá um cunho muito próprio. De destacar que no Presbitério está presente uma imagem de Maria e que o vitral se reporta ao anúncio do Anjo Gabriel a Maria, que ia ser a Mãe de Jesus”, refere o site da paróquia (www.paroquiaagualva.pt), a propósito do templo.

texto e fotos por Diogo Paiva Brandão
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