Domingo |
À procura da Palavra
Sete potes de moedas
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DOMINGO XXV COMUM Ano C

“Não podeis servir a Deus e ao dinheiro.”

Lc 16, 13

 

Não sei onde li a história do sapateiro que encontrou enterrados sete potes cheios de moedas de ouro. Incapaz de saber o que fazer com tal riqueza, ainda que vivesse com a sua família muito pobremente, ficou intrigado com o sétimo pote que só tinha moedas pela metade. E esquecido do bem que podia fazer com tal riqueza inesperada, pôs-se a trabalhar loucamente para encher o sétimo pote. Tornou-se irascível, sempre azedo, sem tempo nem paciência para a mulher e os filhos. Salvou-o um amigo que lhe disse: “Esquece e enterra noutro lugar esses potes, pois estão amaldiçoados. Por mais que tentes nunca encherás o sétimo pote!”


Porque é que a riqueza cega? Conhecem alguém rico que não queira ser ainda mais? O que provoca essa insaciabilidade de “ter”, que se transforma em ganância e transforma o dinheiro e os bens materiais em fins, esquecendo que são meios? É talvez a ilusão de nos julgarmos donos. Ilusão que Anthony de Mello denunciava assim: “Não procures possuir coisas, porque as coisas não podem ser possuídas. Limita-te a certificar-te que elas não te possuam a ti e serás soberano da criação.” Quando percebemos a riqueza de ser administradores, alegra-nos colocar tudo ao serviço de muitos e não de poucos, ajudar a multiplicar para partilhar, orientar para o bem de todos o que não pode ser posse de ninguém. “Não é o nosso dinheiro mas a capacidade de o utilizar que nos faz ricos ou pobres. Afadigar-se pela riqueza e não ser capaz de disfrutar é o mesmo que ser careca e colecionar pentes”, dizia A. de Mello.


As palavras do profeta Amós hoje escutadas lembram “a economia que mata”, tantas vezes denunciada pelo Papa Francisco: “Compraremos os necessitados por dinheiro e os indigentes por um par de sandálias” (Am 8, 6). E como entender a “esperteza” do administrador desonesto do evangelho, senão pela capacidade de renunciar ao lucro das suas comissões, para “arranjar amigos com o vil dinheiro”? Não sei quão profunda será essa amizade pois lembro o que dizia Saint-Exupéry: “Os homens compram tudo pronto nas lojas... Mas como não há lojas de amigos, os homens não têm amigos”. Mas o importante é a transformação do dinheiro num “meio”, em algo que se utiliza para um bem maior. Quando ele é um “fim”, torna-se “senhor”, “endeusa-se” e exige fidelidade total. Temos fé e confiança em quem?


A prontidão e inteligência com que o administrador decide despojar-se dos bens imediatos convida-nos a escolher o essencial. É preciso estabelecer as prioridades da vida e colocar as nossas forças em ser fiel ao mais importante. O que significa o dinheiro para nós e qual o lugar que lhe damos? Para que é que ele serve? Como investimos as energias, o tempo, os dons e qualidades que, no fundo, são as nossas riquezas? Se amamos a Deus, o que fazemos com o nosso dinheiro?

P. Vítor Gonçalves (ilustração por Tomás Reis)
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