Doutrina social |
Entre 6 e 27 de Outubro, no Vaticano
O Sínodo para a Amazónia entre o fogo da floresta e o fogo das polémicas
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Como companhia de verão tivemos incêndios fustigando a natureza e as populações, vimos imagens de desastres ambientais, ouvimos alertas dos cientistas sobre a última hora para travar uma catástrofe sem retorno, tivemos há dias a Mobilização Global pelo Clima e agora começa a Cimeira para a Ação Climática. Tudo nos diz respeito e responsabiliza.

 

O pulmão do mundo

Tornou-se rotina ver e escutar notícias sobre os incêndios na Amazónia. E pelas piores razões. Não tanto pelos fogos em si, que sempre aconteceram, mas mais pelo sua intensidade, em relação à qual o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) afirma que a desflorestação da Amazónia aumentou 88% em Junho e 278% em Julho, comparando com o mesmo período do ano passado; mas sobretudo porque este fenómeno, para além das alterações climáticas e da intervenção humana, tem por detrás uma visão sobre o clima e sobre o desenvolvimento baseada na recusa da ciência e ancorada no lucro fácil e imediato de grandes grupos ligados à agricultura intensiva, à agropecuária, ao comércio internacional de madeiras e à mineração. O bem-estar e os direitos dos povos indígenas e das populações empobrecidas, o cuidado pela natureza e a responsabilidade pelo futuro diluem-se perante esse objetivo.

Por isso, a Rede Eclesial Pan-Amazónica da Igreja, que inclui representantes de comunidades católicas de nove países, alertou para a extrema gravidade que se vive na região – não só no Brasil – onde a intervenção humana está a conduzir a Amazónia para um ponto de não retorno. Numa região disputada por várias frentes, a Igreja, inserida no meio, vai repetindo o duelo entre David e Golias, iniciado há muito por lutadores e mártires assim reconhecidos pelo povo.

 

O pseudodesenvolvimento

As políticas governamentais abertas a um pseudodesenvolvimento, e fazendo ouvidos moucos aos avisos dos cientistas, estão apostadas em dificultar e neutralizar a ação dos mecanismos de controle que já existem, apesar de pouco eficazes perante a ingente tarefa que têm pela frente. Tentam domesticar o povo com palavras de um populismo rudimentar, com meias verdades e algumas mentiras à mistura para inventarem algum presumível bode expiatório, a quem podem chamar ONG’s com fome de subsídios ou criminosos e inimigos da pátria como bispos, padres, freiras e leigos, alguns já eliminados numa total impunidade.

Ainda nestes dias, num testemunho de quem vive no terreno, isto se confirmava: “fui visitar a comunidade, em plena estrada transamazónica. Percorridos 308 quilómetros… uma surpresa: em cima da ponte estava ardendo um montão de pneus velhos e uma nuvem negra se elevava para os céus. Parei e indaguei: os trabalhadores das diversas serrarias clandestinas da cidade tinham ateado fogo na ponte protestando contra a ação do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente, que havia multado todas as serrarias”. Terminava dizendo: “O problema não é fácil e o atual governo brasileiro está desmantelando todos os órgãos ligados à política ambiental”. E continuava referindo-se ao “dia do fogo” decretado em protesto pela presença do IBAMA: “10 de Agosto foi o dia escolhido e nesse dia foram registados em Novo Progresso 327 focos de incêndio e, no município ao lado, em Altamira, 431 focos de incêndio.”

 

O Sínodo para a Amazónia

Aproxima-se o Sínodo da Amazónia a realizar entre 6 e 27 de Outubro e que é expressão da Igreja que se quer incarnar na vida dos povos dessa imensa região, com a suas caraterísticas muito diversificadas, mas todas a serem respeitadas, criando comunhão e não deixando ninguém de fora: indígenas, quilombolas, populações ribeirinhas e aquelas que vivem em áreas urbanas; muito menos arrumando para o lado os que são um “estorvo” para o lucro. Novos caminhos para a Igreja e por uma ecologia integral constitui o objetivo dessa Assembleia. É incómodo para uns, visto com desconfiança por outros. Lamentável que dentro da Igreja e por parte de figuras relevantes na instituição, se olhe para esta oportunidade com desconfiança, por vezes com desprezo, obcecados por papões do passado e paralisados pelo medo de que alguma coisa mude no status quo. Como na parábola do samaritano, evitam sujar as mãos, esquecendo que Deus só se deixa encontrar no “próximo”.

texto pelo P. Valentim Gonçalves, CJP-CIRP
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