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“Mártires são homens e mulheres fiéis à mansa força do amor”
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O Papa Francisco alertou contra os “falsos testemunhos”. Na semana em que recebeu os responsáveis da Secretaria para a Comunicação, o Papa pediu “vontade política” para assumir medidas na Cimeira da Ação Climática, sublinhou que “as pessoas valem mais do que as coisas” e visitou a Diocese de Albano.

 

1. O Papa Francisco reforçou as críticas ao “cancro diabólico” da maledicência, recordando que muitos cristãos foram martirizados por causa de “falsos testemunhos”. “Sabemos que a calúnia mata sempre. Esse ‘cancro diabólico’, que surge do desejo de destruir a reputação de uma pessoa, também ataca o resto do corpo eclesial e danifica-o seriamente quando, por interesses mesquinhos ou para encobrir os seus próprios falhanços, há uma maquinação para difamar alguém”, declarou, perante milhares de pessoas reunidas na Praça de São Pedro para audiência-geral de quarta-feira, 25 de setembro.

Falando de improviso, o Papa sustentou que o “pior joio” é o da “intriga e do mexerico”, e evocou a história de Santo Estêvão, considerado como o primeiro mártir da Igreja Católica, vítima da “calúnia”, sublinhando que ainda hoje “a Igreja é rica de mártires”, que “estão em todo o lado”. “Queridos irmãos e irmãs, os mártires são homens e mulheres fiéis à mansa força do amor, à voz do Espírito Santo, que na vida quotidiana procuram ajudar os irmãos e amar a Deus sem reservas; eles ensinam-nos que, com o poder do amor, com mansidão, podemos lutar contra a prepotência, a violência, a guerra e a paz pode ser alcançada com paciência”, referiu.

 

2. O Papa Francisco sustentou que a comunicação é uma “missão” para a Igreja, que exige investimento e “coragem”. “Para a Igreja, a comunicação é uma missão. Nenhum investimento é demasiado alto para espalhar a Palavra de Deus. Ao mesmo tempo, todo o talento deve ser bem empregue, feito para dar frutos”, referiu, no discurso que entregou aos responsáveis da Secretaria para a Comunicação, da Santa Sé, incluindo D. Nuno Brás, atual Bispo do Funchal e antigo Bispo Auxiliar de Lisboa, no passado dia 23 de setembro.

Francisco deixou de lado o texto que tinha preparado, confiando-o a Paolo Ruffini, o primeiro leigo a desempenhar o papel de prefeito de um dicastério da Santa Sé, e, na sua intervenção improvisada, pediu uma comunicação “austera, mas bonita”, que transmita a mensagem como “testemunho” e através de “substantivos”, sem adjetivar as pessoas. “Comunicação como mártires, isto é, como testemunhas de Cristo: como mártires”, precisou. O Papa observou que, na Igreja, comunicar não é um trabalho de “publicidade”, mas uma imitação do “ser de Deus”, que não pode ficar sozinho, pelo que se deve transmitir “o verdadeiro, o certo, o bom e o belo”.

A intervenção alertou ainda para a tentação de “resignação” perante a falta de meios, observando que os “poucos” têm a missão de ser como o “fermento, como o sal”.

Ainda neste dia, o Papa recebeu uma delegação da União Católica de Imprensa Italiana, a quem pediu que sejam “a voz da consciência de um jornalismo capaz de distinguir o bem do mal, as escolhas humanas das desumanas”. “O jornalista – que é o cronista da história – é chamado a reconstruir a memória dos factos, a trabalhar pela coesão social, a dizer a verdade a todo o custo: também há uma parrésia, isto é, uma coragem do jornalista, mas sempre respeitoso, nunca arrogante”, apontou. Em conclusão, o Papa desafiou os jornalistas a “inverter a ordem das notícias” para “dar voz àqueles que não as têm”.

 

3. O Papa apelou à “vontade política” dos responsáveis internacionais para assumir medidas na Cimeira da Ação Climática que decorreu dia 23, em Nova Iorque, por iniciativa da ONU. “Os Governos deverão mostrar vontade política de acelerar, drasticamente, as medidas para se alcançar o mais rápido possível o nível zero de emissões de gases com efeito estufa e conter o aumento médio da temperatura global em 1,5°C relativamente aos níveis pré-industriais, em consonância com os objetivos do Acordo de Paris”, apontou Francisco, na vídeo-mensagem divulgada pelo V Dia Mundial de Oração pela Criação, no início de setembro.

O Papa sublinhou ainda que a sua encíclica Laudato si’ “não é uma encíclica ecológica, mas social, e promove um novo modelo de desenvolvimento humano integral”.

 

4. Perante milhares de pessoas reunidas na Praça de São Pedro, o Papa Francisco lembrou que os católicos devem “transformar bens e riquezas em relacionamentos”, seguindo os ensinamentos de Jesus Cristo, que rejeitava a idolatria do dinheiro. “As pessoas valem mais do que as coisas e contam mais do que a riqueza que possuem”, declarou, a partir da janela do apartamento pontifício, antes da recitação do Angelus, no passado Domingo, 22 de setembro. Francisco observou que a riqueza pode levar a “erguer muros, criar divisões e discriminar”, e que Jesus, pelo contrário, convida os seus discípulos a “mudar de rumo”.

 

5. O Papa visitou a Diocese de Albano, nos arredores de Roma, tendo apelado aos cristãos para serem promotores do bem e não “inspetores”. “Não sejamos inspetores, mas promotores do bem de todos”, afirmou, durante a homilia na celebração da Eucaristia, ao ar livre. Francisco pediu ainda para não terem medo de ir à procura dos mais esquecidos, “escondidos sobre o sicómoro da vergonha, do medo, da solidão, para lhes dizer que Deus não se esquece deles”. “Não somos autossuficientes; devemos superar os nossos fechamentos, voltar à simplicidade de uma criança, ser felizes por encontrar o amor de Deus e ao próximo”, afirmou. Aludindo ainda ao episódio de Zaqueu, que convidou Jesus para ficar em sua casa, o Papa afirmou a vontade de fazer da Igreja “casa das casas, uma tenda para hospedar o nosso próximo, os nossos irmãos”.

A visita à Diocese de Albano acontece 11 anos depois da passagem pela cidade do agora Papa emérito, Bento XVI, que celebrou na Catedral e dedicou o novo altar-mor, que tinha sido restaurado. “Obrigado pelo acolhimento caloroso. Vamos preparar-nos para a Missa: rezo por vós e vós por mim. Obrigado”, disse.

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