Missão |
Jessica Sousa, Jovens Sem Fronteiras
“Vi Deus em todo o lado!”
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Jessica Carpinteiro de Sousa nasceu a 17 de novembro de 1992, em Leiria. É licenciada em Educação Social e membro dos Jovens Sem Fronteiras desde os 14 anos. Este ano, esteve em missão de curta duração na Guiné-Bissau, com o projeto ‘Aprender vivendo’.

 

“Descobri uma área que me deixa concretizada”

O seu percurso na fé foi um percurso normal “como qualquer criança que nasce numa família católica”. Quando se preparava para receber o Sacramento do Crisma, conheceu o movimento dos Jovens Sem Fronteiras (JSF) “e foi ali que surgiu pela primeira vez a palavra missão”. “Aquela palavra despertou algo em mim e que me fez questionar e saber mais e após isso, nesse mesmo ano, outubro 2007, entrei no grupo de jovens com 14 anos e onde permaneço até hoje.”

As suas escolhas académicas devem-se muito à caminhada missionária com os JSF, pois “foi onde descobri que o meu serviço passa por estar, trabalhar com e para pessoas”. “Estudei na Escola Secundária Rodrigues Lobo, em Leiria, frequentei o curso tecnológico de Ação Social, onde descobri que era com adolescentes e jovens que queria trabalhar no futuro e ingressei no ensino superior de Educação Social na Escola Superior de Educação e Ciências Sociais em Leiria. Durante a licenciatura fiz o estágio curricular no núcleo distrital de Leiria da Rede Europeia Anti-Pobreza, ali, trabalhei num projeto de intervenção escolar, através do qual dei formação para a sensibilização sobre a pobreza, a exclusão social e os valores. Esta experiência profissional alimentou ainda mais a vontade de trabalhar na área social. É esta intervenção comunitária que me realiza.” O seu ingresso no mundo profissional iniciou-se quando era muito nova “para conseguir alguma independência financeira”. “Após ter tirado a licenciatura fiz um estágio profissional na minha área, contudo após isso tive que procurar trabalho e após algumas tentativas fracassadas, arregacei as mangas e surgiu-me a oportunidade de trabalhar numa clínica dentária, onde estou atualmente e, por incrível que pareça, está a cativar-me dia para dia. Não coloco a minha área académica totalmente de parte, mas descobri uma área que me deixa concretizada, pois acabou também por utilizar os conhecimentos adquiridos da licenciatura nos meus projetos pessoais”, partilha.

 

Colocar os seus dons ao serviço do movimento dos JSF

Ao longo dos anos como JSF, partilha que foi colocando os seus dons “ao serviço do movimento, fazendo parte da Coordenação Regional do Centro e Coordenação Nacional, sem deixar de crescer e aprofundar a minha fé e o serviço missionários. Desta maneira, em 2008 fiz a primeira experiencia missionária ‘ad-intra’ em Reboreda, Vila Nova de Cerveira e em 2013 volto a repetir missão ‘ad-intra’ em São Teotónio, Odemira. Em 2015, faço o passo mais arriscado e embarco numa missão ‘ad gentes’ em Queimados, Brasil, uma experiência que só veio a reforçar a minha vocação missionária. Saio da Coordenação Nacional em 2017, e após a minha saída é-me feito o convite para entrar para a Direção Social da Sol Sem Fronteiras, inicialmente como suplente, mas depois, em 2018, foi necessário preencher o lugar como secretária da direção social e acabei por ficar também responsável pelo pelouro do Voluntariado Internacional, onde ainda continuo a exercer essa função atualmente. Ao mesmo tempo que exerço funções na direção social, fui convidada a acompanhar um projeto de voluntariado internacional, tendo o nome de ‘Aprender Vivendo’ com parceria entre a SOLSEF, o Agrupamento de Escolas de Peniche, o Agrupamento de Escolas da Atouguia da Baleia e a Escola Secundária de Peniche. Um projeto que me proporcionou a ir de 31 julho a 24 agosto deste ano à comunidade missionária católica de Contuboel, Guiné-Bissau.”

 

“Viver em Contuboel é uma aventura”

Sobre a sua experiência na Guiné-Bissau, partilha na primeira pessoa: “Durante o mês de missão, o grupo ‘Aprender Vivendo’ atuou em quatro áreas: Educação, Cooperação, Pastoral e Cidadania, realizando várias atividades, tais como a pintura da sala de aula para o pré-escolar, organização da biblioteca escolar, a delimitação do espaço de recreio, apoio escolar às disciplinas de matemática e português, realização de um workshop em inglês, formação de pedagogia a professores, formação em saúde e cuidados de higiene em contexto escolar, encontros com o grupo de jovens católicos, encontro de acólitos e atividades de tempos livres. Além destas atividades planeadas, o grupo participou ativamente no quotidiano da comunidade, visitando as tabancas de Contuboel, assim como tivemos oportunidade de conhecer o trabalho de medicina natural que um grupo de mulheres confeciona, participámos ainda nas festividades culturais da comunidade e nas celebrações religiosas da comunidade católica. Contuboel tem uma percentagem muito elevada de pessoas que professam a religião islâmica e nós tivemos a oportunidade de criar vários diálogos inter-religiosos, proporcionando momentos de partilha recheados de alegria, paz e amor. Foi sem dúvida que viver em Contuboel é uma aventura, todos os dias são desafios novos! Absorver esta cultura que é tão diferente da nossa, observar tudo atentamente para guardar bem dentro da nossa memória. A cada dia que passei lá, só dava vontade de saber mais para dar mais. Este mês de missão tornou-se numa experiência intensa, com momentos que marcarão a minha vida para sempre. Lembro-me que quando saímos da missão e pisámos aquela longa estrada, tudo fez sentido! Tudo se tornou real e só me dava vontade de absorver mais para dar mais. Nunca na vida senti tão presente Deus, como em Contuboel. Vi Deus em todo o lado, na comunidade, na natureza, nas músicas… A cada dia que passava mais tinha a certeza de que estava no sítio certo! Esta aventura missionária fez como que (re)descobrisse o meu papel, os meus dons, o meu serviço, reacendeu a minha chama missionária e ficou o desejo de voltar por mais tempo.”

texto por Catarina António, FEC | Fundação Fé e Cooperação
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