Lisboa |
Investigadora que se destacou pelos estudos sobre a pobreza
Morreu a economista Manuela Silva
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A economista Manuela Silva, que ao longo da sua vida dinamizou estudos sobre a realidade da pobreza em Portugal, morreu no passado dia 7 de outubro, aos 87 anos.

Licenciada em Economia pelo Instituto Superior de Economia e Gestão/Universidade Técnica de Lisboa, foi professora catedrática convidada daquele instituto, onde, além do ensino, desenvolveu investigação em domínios-chave na relação da economia com a sociedade. Manuela Silva foi ainda secretária de Estado para o Planeamento no I Governo Constitucional (1976-77) e trabalhou em vários grupos de trabalho no âmbito da Comissão Europeia e do Conselho da Europa, tendo ainda presidido à assembleia geral do Cesis - Centro de Estudos para a Intervenção Social.

Em 1990, criou a Fundação Betânia, um centro apostólico de acolhimento e formação, sendo presidente vitalícia. Foi também membro do Graal, movimento internacional de mulheres católicas, na década de 70, e presidente do Movimento Internacional dos Intelectuais Católicos/Pax Romana (1983-1987), da Juventude Universitária Católica Feminina (1954-1957) e da Comissão Nacional Justiça e Paz (CNJP), da Igreja Católica (2006-2008). “Ficará para sempre em nós marcado o seu testemunho de dedicação constante e incansável às causas da Justiça e da Paz, inspirada no Evangelho e da doutrina social da Igreja. Essa dedicação abarcou os âmbitos académico, social, político e eclesial. Sempre teve uma atenção especial à causa do combate à pobreza como violação dos direitos humanos”, recordou a CNJP, em comunicado.

Manuela Silva foi ainda sócia fundadora do CRC - Centro de Reflexão Cristã que, em comunicado, lamentou a morte da antiga presidente: “Manuela Silva promoveu estudos sobre a pobreza, a igualdade salarial entre homens e mulheres, o combate às desigualdades e o desenvolvimento, sendo considerada o rosto português de combate à pobreza. Manuela Silva foi uma ativa militante católica, tendo-se batido por uma participação ativa das mulheres na vida da Igreja”. Também a Cáritas Portuguesa recordou que, “em termos sociais, Manuela Silva, com Alfredo Bruto da Costa, foi a mentora do primeiro estudo, devidamente organizado e sustentado, da pobreza em Portugal”. “Quis que fosse, nesse tempo, a Cáritas a editar esse estudo que ainda hoje é procurado por muitos estudantes universitários”, salienta a nota.

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