Lisboa |
Dia da Solicitude
“Trazer uma periferia para o centro”
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O Cardeal-Patriarca de Lisboa convidou as comunidades cristãs da diocese a “olhar à sua volta e ver qual a periferia que precisa de ser centralizada, na atenção e na ação”. D. Manuel Clemente falava no Dia da Solicitude que reuniu, no Turcifal, os agentes sociocaritativos, e onde foram apresentadas as Semanas Vicariais da Caridade e o Congresso da Pastoral Social.

 

Neste ano pastoral dedicado, no Patriarcado de Lisboa, à caridade, o Cardeal-Patriarca deseja que as paróquias escolham uma periferia e a coloquem no centro da sua ação. “Que cada comunidade, e comunitariamente, olhe à sua volta. Se reúna, na sua paróquia, no seu movimento, no seu grupo, no seu instituto e olhe à sua volta. ‘Aqui, onde estamos implantados, o que é que está mais periférico?’. É só olhar à sua volta e ver qual é a periferia que precisa de centralizar, de pôr no centro da atenção e da ação”, referiu D. Manuel Clemente, aos agentes sociocaritativos, durante o Dia da Solicitude.

No Centro Diocesano de Espiritualidade, no Turcifal, na manhã do passado dia 18 de outubro, o Cardeal-Patriarca lembrou que, “para se centralizar periferias”, as comunidades cristas têm de “pedir a inspiração de Cristo”. “Vejam com olhos de ver o que acontece e quais são as periferias que nós precisamos de atender. Escolham uma periferia, porque não se pode fazer tudo ao mesmo tempo, e ponham-na no centro da caridade, durante este ano”, reforçou.

 

“O Reino pode acontecer”

Neste encontro organizado pelo Departamento da Pastoral Sociocaritativa do Patriarcado de Lisboa, em que participou também D. Américo Aguiar, Bispo Auxiliar de Lisboa, D. Manuel Clemente recordou que, neste ano pastoral dedicado à caridade, a diocese entra “na última etapa da receção sistemática da Constituição Sinodal de Lisboa”. “Este ano, a incidência particular é ‘sair com Cristo ao encontro de todas as periferias’, onde aliás Ele nos espera”, apontou, referindo-se ao tema deste ano pastoral 2019/2020. “Nós saímos com Cristo, porque somos Cristo no mundo”, acrescentou.

Garantindo que, “nas mais diversas circunstâncias, o Reino pode acontecer”, o Cardeal-Patriarca deu testemunho do que observa em vários lugares. “Para nós, padres, a coisa mais consoladora do nosso trabalho é, nas pessoas que ouvimos, nos sítios onde vamos, naquilo que encontramos – e encontramos também muita coisa que nos entristece e amargura –, depararmo-nos com muitas coisas e muitas pessoas em que o Reino acontece mesmo. Aquelas coisas do Evangelho acontecem. São a consistência do Reino. Nós não andamos aqui à volta de fantasias. Andamos aqui à volta de uma realidade que começou na vida de Jesus, há dois mil anos, e continua na vida de todos aqueles e aquelas que, com o seu Espírito, levam o Evangelho para diante”, partilhou.

 

Idosos?

Lembrando que “o Reino de Deus é a caridade”, o Cardeal-Patriarca deixou depois vários exemplos de periferias a que as comunidades cristãs podem atender. “Por exemplo, pode ser – e nalgumas zonas da nossa cidade é, com certeza – a grande quantidade de população idosa e só. Nalguns meios da nossa diocese, esta é a grande periferia. Uma população que não só não é visitada, como muitas vezes não tem possibilidade de tratar tudo aquilo que precisava para a sua vida”, manifestou, lembrando ainda que, na diocese, “há muita gente que não participa nas celebrações paroquiais porque não tem possibilidade de se deslocar”. “Também há paróquias – e são iniciativas bonitas, que vão surgindo – com paroquianos que se organizam e vão buscar essas pessoas e as transportam à Eucaristia dominical. Às vezes, isso até se complementa com um convite para almoçar. Isto seria muito importante, até para a nossa sociedade em geral”, alertou. “Os idosos são uma periferia a que nós temos que atender verdadeiramente”, reforçou.

 

Etnias?

Noutros locais do Patriarcado de Lisboa, a periferia é a “integração e a aproximação das etnias”. “Numa cidade como Lisboa, ou neste concelho em que estamos, Torres Vedras, a população brasileira já está na ordem dos milhares. São pessoas que vêm de uma outra latitude, têm proximidade connosco, até linguística, mas muitas vezes não estão integradas. Tal como os que vêm dos PALOP [Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa], que também têm a proximidade linguística, mas há outros que vêm dos sítios de onde nunca vem ninguém. Neste momento, temos milhares de nepaleses. São milhares de quilómetros geográficos, são milhões de quilómetros culturais. Temos que olhar para isso. Não são cristãos? Está bem, mas são pessoas”, frisou D. Manuel Clemente, dando ainda como exemplo a “muita gente de etnia cigana”. Para o Cardeal-Patriarca, esta periferia “é dos melhores contributos, senão o melhor contributo, que as comunidades cristãs podem dar à sociedade em geral”. “Porque a sociedade vive muito perplexa em relação a isso, ou desistente de resolver o problema, e nós, nas nossas comunidades, nas milhares de paróquias que temos em Portugal, institutos, associações, movimentos, se fizermos coisas nesse sentido mostramos que é possível e que faz bem”, assegurou.

 

Hospitais? Prisões?

Além dos idosos e das etnias, D. Manuel Clemente salientou ainda outras periferias que podem ser olhadas pelas paróquias neste ano pastoral. “E o que se passa no mundo dos hospitais? E o que se passa no mundo das prisões? E o que não se passa no mundo da reintegração social das pessoas que cumpriram penas? Se nós começarmos a olhar, pode-se fazer e pode acontecer”, considerou.

Aos agentes da Pastoral Sociocaritativa, o Cardeal-Patriarca destacou depois o exemplo da Ajuda de Berço, associação com quem tinha estado na semana anterior. “Eles começaram com um pequeno grupo, há 20 e poucos anos, motivados para isso. O que é certo é que, neste momento, já devem ter salvo cerca de 500 crianças que não estariam cá”, lembrou, evidenciando igualmente o trabalho da Casa do Gaiato de Lisboa: “O que eles têm feito no sentido de remodelar completamente, quer o método quer a incidência da sua ação, agora com a inauguração da Casa Papa Francisco para acompanhar jovens já numa vida pré-profissional, mas que precisam de continuar a ser acompanhados”.

 

É possível

Para D. Manuel Clemente, “é possível” centralizar periferias. “Quando andamos por aí, reparamos que é possível. É possível centralizar periferias. Pega-se numa ponta. É a maneira que Deus tem de trabalhar. Não fiquem imobilizados por ser poucos. Há dois mil anos, Jesus era sozinho. E até àquele pequeno grupo que se dispôs a acompanhar, teve que estar sempre a puxar por eles. Nós temos dois mil anos de garantia – costumo eu dizer – que isto funciona. Quem realmente faz como Jesus Cristo fez, põe as periferias no centro”, incentivou o Cardeal-Patriarca de Lisboa, no Dia da Solicitude.

 

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Semanas Vicariais da Caridade

Ao longo deste ano pastoral, as 18 vigararias do Patriarcado de Lisboa estão a organizar as Semanas Vicariais da Caridade, em diferentes datas. “Tenho muitas expectativas em relação a estas Semanas Vicariais da Caridade”, começou por manifestar o Cardeal-Patriarca, aos agentes sociocaritativos, no Dia da Solicitude. “Será uma organização de cada vigararia, porque tem de atender às circunstâncias locais. Trata-se de juntar, na ocasião mais propícia, as diferentes instituições e iniciativas sociocaritativas da vigararia numa ação comum em que todos cooperem, dedicando, nessa mesma semana, algum tempo para a formação dos agentes pastorais desta área e proporcionar-lhes também um tempo de recoleção espiritual motivadora. No fundo, reproduzirmos nos nossos espaços vicariais aquilo que Jesus fazia com os seus discípulos, naquele pequeno espaço que era a Galileia da altura”, acrescentou D. Manuel Clemente.

Para Henrique Joaquim, do Departamento da Pastoral Sociocaritativa do Patriarcado de Lisboa, “a diversidade de periferias” que as Semanas Vicariais da Caridade vão procurar atender significa que “a Igreja está atenta e próxima”. Este responsável, que é também diretor geral da Comunidade Vida e Paz, sublinhou ainda “não querer ser alarmista”, mas denunciou que, “nos últimos seis meses”, tem “notado um aumento significativo de pessoas a viver na rua”, e lembrou que “há cerca de 20 por cento de jovens em risco de pobreza”.

 

Datas:

Lisboa I: 15 a 22 de março

Lisboa II: 17 a 24 de novembro

Lisboa III: 1 a 8 de março

Lisboa IV: 15 a 22 de março

Lisboa V: 9 a 16 de fevereiro

Alcobaça-Nazaré: 10 a 16 de fevereiro

Alenquer: a definir

Amadora: 19 a 26 de janeiro

Caldas da Rainha-Peniche: 23 a 29 de março

Cascais: a definir

Loures-Odivelas: 8 a 15 de março

Lourinhã: sextas-feiras da Quaresma

Mafra: 20 a 26 de abril

Oeiras: semana em fevereiro

Sacavém: 10 a 16 de fevereiro

Sintra: umas das semanas de 2 a 16 de fevereiro

Torres Vedras: 15 a 22 de março

Vila Franca de Xira-Azambuja: 8 a 14 de dezembro

 

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Congresso da Pastoral Social

O Patriarcado de Lisboa está a organizar, para os dias 15 e 16 de maio do próximo ano, o Congresso da Pastoral Social. “Será o momento de avaliar o que se conseguiu realizar e apurar critérios para o fazer, porventura, melhor no futuro”, observou o Cardeal-Patriarca de Lisboa. Manuel Girão, que faz parte da equipa que está a organizar o congresso, revelou depois que esta iniciativa vai ter lugar no Centro Pastoral de Torres Vedras. “Apelamos à participação de todos e de todas as comunidades”, convidou este leigo, que é diretor geral da Santa Casa da Misericórdia da Amadora. “O nome é pomposo [Congresso da Pastoral Social], mas não será mais do que um grande encontro que assenta em quatro pilares: partilha, reflexão, formação e convívio. Pretendemos que seja um ponto de chegada, mas que seja também um ponto de partida. Ou seja, quando os holofotes se apagarem, que não viremos costas às nossas periferias”, desejou Manuel Girão.

 

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“Olhar reforçado a quem precisa”

O diretor do Departamento da Pastoral Sociocaritativa do Patriarcado de Lisboa apelou ao “sentido de missão” e “responsabilidade ativa e partilhada” dos agentes desta pastoral. “Há que ter a capacidade de trazer ao centro da nossa ação pastoral as nossas periferias, como insistentemente nos pede o nosso Bispo”, observou o cónego Francisco Crespo, no início da Dia da Solicitude, animando depois as comunidades a “uma resposta eficaz e efetiva” no âmbito da Pastoral Sociocaritativa. “Fazer das nossas comunidades um lugar de humanidade, onde cada um conta, mas onde quem mais precisa deve ter o nosso olhar reforçado, o nosso coração mais próximo, a exemplo do nosso Mestre”, desejou este responsável. “É no meio do povo onde estamos inseridos que somos convocados a ser sinal e presença da caridade de Cristo”, acrescentou o cónego Crespo, garantindo: “Conte connosco, senhor Patriarca”.

 

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Jornal Voz da Verdade transmitiu intervenção do Cardeal-Patriarca

A página do Jornal VOZ DA VERDADE na rede social Facebook (www.facebook.com/vozdaverdade) transmitiu, em direto, a intervenção do Cardeal-Patriarca de Lisboa, D. Manuel Clemente, durante o Dia da Solicitude. O vídeo, que neste momento tem cerca de 2500 visualizações, está ainda disponível em: http://bit.ly/diadasolicitude.



texto e fotos por Diogo Paiva Brandão
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