Lisboa |
Encerramento do Ano Missionário, em Fátima
“Oração e missão andam a par”
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O presidente da Conferência Episcopal Portuguesa sublinhou a importância da oração para a missão da Igreja. Na celebração que assinalou o encerramento do Ano Missionário e os 175 anos do Apostolado da Oração, em Fátima, D. Manuel Clemente destacou a nova “geografia da missão” que exige “mais capacidade de escuta” e “disponibilidade dialogante”.

 

“Mais oração, mais missão”. Este foi o apelo deixado pelo presidente da Conferência Episcopal Portuguesa (CEP) aos mais de 100 mil peregrinos que estiveram presentes, no passado Domingo, 20 de outubro, no Santuário de Fátima. “Lembremos quem partiu e parte, hoje como outrora, para terras distantes onde o anúncio do Evangelho ainda tarda, ou é recente, e as comunidades que origina são frágeis e carentes de apoio. Agradeçamos a Deus tanta generosidade que desperta nos corações missionários – sacerdotais, consagrados e laicais. E relembremos sempre que Jesus ligou a quantidade e qualidade dos operários da sua messe à nossa oração nesse sentido”, sublinhou D. Manuel Clemente, na celebração que assinalou o encerramento do Ano Missionário em Portugal e também os 175 anos do Apostolado da Oração, atual Rede Mundial de Oração do Papa.

 

Desafio

Na esplanada do Santuário de Fátima, D. Manuel Clemente alertou para o facto de a “geografia da missão” ter, hoje, especial complexidade. “Rapidamente se vai de um lado a outro e a comunicação pode ser instantânea e contínua. Sê-lo-á cada vez mais, chegando rapidamente a qualquer ponto que ainda não atinja. A mega concentração urbana, fenómeno mundial e crescente, vai ocasioná-lo também. Podemos ser agora mesmo motivados por factos e mensagens que nos cheguem do outro lado dum mundo sem fronteiras mediáticas”, referiu o Cardeal-Patriarca de Lisboa, prevenindo que “a aglomeração quantitativa de pessoas e etnias não significa só por si o reconhecimento mútuo e a comunicação interpessoal autêntica”. “O desafio cultural da missão é hoje grande, exigindo-nos mais capacidade de escuta e mais disponibilidade dialogante, ouvindo o que nos dizem e dizendo o que nos cumpre. Por vezes, o ‘sair de casa’, em sentido missionário, pode significar virar a esquina e entrar num mundo bem diferente ali ao lado”, prosseguiu.

O desafio assinalado por D. Manuel Clemente foi precisamente o que Luís Miguel Santos destacou ao Jornal VOZ DA VERDADE. Para este leigo da Paróquia da Apelação, na Vigararia de Sacavém, que participou nesta celebração juntamente com a sua família, o apelo para “sermos Igreja enviada, sempre no anúncio do Evangelho”, é essencial para a vida das comunidades cristãs. Também o tema do 49.º Dia Mundial das Missões, ‘Batizados e enviados’, que a Igreja celebrava naquele dia, é interpelador. “Devemos levar muito a sério este lema do ano missionário. Para nós, os batizados, a nossa vocação é a de sermos enviados para nos tornarmos missionários da Boa Nova”, aponta Luís Miguel.

 

Conversão missionária

Apesar da chuva, as centenas de comunidades cristãs que se deslocaram de todo o país para assinalarem o encerramento do Ano Missionário, no Santuário de Fátima, não desanimaram. A todos os peregrinos, o presidente da CEP sublinhou a importância da missio ad gentes, que traz “para perto o que se aprendeu a fazer lá longe e projetando longe o ânimo evangelizador que despertar aqui”. Por isso, “é consolador verificar como as comunidades onde a conversão missionária está realmente em curso tanto originam experiências de missão longínqua como crescem na evangelização dos meios mais próximos. O mesmo Cristo que desenvolveu a sua ação em pouco espaço, espera-nos agora na ‘Galileia’ do mundo inteiro, geográfica e culturalmente falando”, reforçou D. Manuel Clemente.

Na homilia, o presidente da CEP lembrou também a Nota Pastoral dos Bispos Portugueses, ‘Todos, Tudo e Sempre em Missão’, para apelar ao avanço na “conversão missionária das nossas comunidades”: “«Não podemos ficar tranquilos, em espera passiva: é necessário passar de uma pastoral de mera conservação para uma pastoral decididamente missionária»”, apelou. “Façamos desta palavra de ordem o critério de avaliação permanente do estado das nossas comunidades – paróquias, movimentos e grupos”, acrescentou.

 

No silêncio

Referindo-se aos 175 anos do Apostolado da Oração, que esteve presente, neste dia, em Fátima, através de inúmeros grupos paroquiais, o presidente da CEP destacou o exemplo deste movimento para a “sobrevivência” das comunidades cristãs em Portugal, em particular no século XIX. “Terá sido o Apostolado da Oração o movimento que mais se espalhou pelas nossas paróquias portuguesas, garantindo a vida da fé em tempos particularmente difíceis para a própria sobrevivência das comunidades cristãs.  Ligando oração e apostolado, relançou a Igreja e a missão. Assim o quis recentemente o Papa Francisco, retomando-o como Rede Mundial de Oração do Papa. E os mesmos frutos reaparecerão decerto”, salientou.

Da Paróquia da Arruda dos Vinhos, na Vigararia de Alenquer, esteve presente o grupo do Apostolado da Oração. Ao Jornal VOZ DA VERDADE, o secretário, David Coelho, destaca o “trabalho pastoral” feito “no silêncio, no resguardo de cada um, no seu recato pessoal, na entrega às intenções do Santo Padre”. O grupo, que tem 150 associados, esteve presente no Santuário de Fátima, naquele que consideraram ser um “momento alto”. “Tocou-me esta chuva, a ligação ao 13 de outubro, há mais de 100 anos, este sol que seca a roupa há mais de 100 anos, esta bênção de estar aqui e esta consagração ao Sagrado Coração de Jesus”, refere David Coelho.

 

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Bispos de Portugal consagraram Igreja ao Sagrado Coração de Jesus

No final da celebração que assinalou o encerramento do Ano Missionário, os Bispos de Portugal consagraram a Igreja Católica ao Sagrado Coração de Jesus. “Coração de Jesus, Filho amado do Pai, a Igreja em Portugal Te Louva: damos-Te graças pela tua presença na história que continua a desafiar-nos ao compromisso com o Reino”, disse D. Manuel Clemente, juntamente com os 37 Bispos portugueses presentes e os milhares de peregrinos. “Que, pela oração e pela caridade, aprendamos de Ti a compaixão e a misericórdia e, atentos aos sinais dos tempos, encontremos hoje caminhos renovados de esperança para a nossa humanidade”, continuou o episcopado, diante da imagem ao Sagrado Coração de Jesus, no centro do recinto do Santuário de Fátima.

 

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‘70x7’ - um programa “pioneiro” na Evangelização

O presidente da Conferência Episcopal Portuguesa afirmou que o programa ‘70×7’, que celebrou, no passado Domingo, 20 de outubro, 40 anos de emissões na RTP, foi “pioneiro neste campo entre nós”.

Durante a homilia da Missa a que presidiu no Santuário de Fátima, D. Manuel Clemente disse que a missão hoje acontece “ficando ou partindo”, na “presença física” a que “acresce a mediática, abrindo novas possibilidades à evangelização”. “Lembro, a propósito, que foi neste dia, já lá vão quarenta anos, que começou o programa televisivo 70×7, pioneiro neste campo entre nós. Ao seu iniciador, Cónego António Rego, e a todos os seus colaboradores e continuadores até hoje, a nossa gratidão e companhia”, afirmou o presidente da CEP, aproveitando para encorajar “tudo quanto tem aparecido, entretanto, no mesmo sentido e com igual criatividade”.

A primeira emissão do programa ‘70×7’ foi no Dia Mundial das Missões de 1979, a 21 de outubro. No primeiro ano, era um programa quinzenal e, depois, passou a ser emitido todas as semanas, a partir de novembro de 1980, tal como acontece atualmente, com transmissão aos Domingos, pelas 17h30, na RTP2.

 

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Monumento à missionarão portuguesa

Por ocasião do Ano Missionário, foi inaugurada uma estátua de D. António Barroso [missionário em África, Bispo de São Tomé de Meliapor e, depois, Bispo do Porto], em Cernache do Bonjardim. O presidente da Comissão Episcopal Missão e Nova Evangelização afirmou que o monumento à missionarão portuguesa é um “dever de justiça”. “Este monumento traz-nos à memória a história tensa entre libertação, salvação e inculturação”, disse D. Manuel Linda, na tarde do passado Domingo, 20 de outubro. Para o também Bispo do Porto, o monumento a D. António Barroso deve constituir um desafio à Igreja, na “oportunidade do reforço de um anúncio de esperança”, e à sociedade civil e política, resgatando a “amnésia” em relação ao trabalho missionário, nomeadamente do voluntariado.

texto por Filipe Teixeira; fotos por João Fernandes e Santuário de Fátima
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