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“É possível olhar a realidade de modo diferente”
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O Papa Francisco convidou a acolher a realidade “de mãos abertas”, como “uma dádiva”. Na semana em que terminou o Sínodo dos Bispos para a Amazónia, o Arquivo da Santa Sé mudou de nome e as religiões juntaram-se para condenar a eutanásia.

 

1. O Papa Francisco lamentou que o homem continue a prejudicar os outros e o meio ambiente em lugares como a Amazónia, através da exploração e da opressão. “Quanta superioridade presumida, que se transforma em opressão e exploração, mesmo hoje! Os erros do passado não foram suficientes para deixarmos de saquear os outros e causar ferimentos aos nossos irmãos e à nossa irmã terra: vimo-lo no rosto dilaniado da Amazónia”, alertou Francisco, na homilia da Missa que encerrou o Sínodo dos Bispos para a Amazónia. Na Basílica de São Pedro, na manhã do passado Domingo, 27 de outubro, o Papa elogiou e agradeceu a todos os participantes, em especial o facto de terem tido a oportunidade de escutar “as vozes dos pobres e refletir sobre a precariedade das suas vidas, ameaçadas por modelos de progresso predatórios”. “No entanto, precisamente nesta situação, muitos nos testemunharam que é possível olhar a realidade de modo diferente, acolhendo-a de mãos abertas como uma dádiva, habitando na criação, não como meio a ser explorado, mas como casa a ser guardada, confiando em Deus”, frisou.

Na oração do Angelus, o Papa voltou a falar no tema, dizendo que “mais tarde pode ser tarde de mais”. “O grito dos pobres, bem como o da terra, chegou-nos da Amazónia. Depois de três semanas não podemos fingir que não o sentimos. As vozes dos pobres juntam-se aos de tantos outros dentro e fora da Assembleia Sinodal – pastores, jovens e cientistas – e empurram-nos para não nos sentirmos indiferentes. Ouvimos frequentemente a frase ‘mais tarde é tarde de mais’, e isso não pode continuar a ser apenas um slogan”, manifestou.

 

2. O Papa prometeu uma exortação pós-sinodal que dê sequência às conclusões do Sínodo dos Bispos para a Amazónia. “A exortação pós-sinodal não é obrigatória. O mais fácil seria acatar o documento. Todavia, uma palavra do Papa sobre o que se viveu no Sínodo pode ser útil. Quero fazê-la antes do fim do ano de forma a que não passe muito tempo... mas tudo depende do tempo que tenha para pensar”, afirmou Francisco, num discurso em castelhano, no encerramento dos trabalhos do Sínodo, no passado dia 26 de outubro. O Papa falou longamente sobre o documento que tinha acabado de ser votado e que faz um diagnóstico preocupante da Amazónia, colocando a Igreja ao lado da defesa da vida e dos povos amazónicos e propondo várias opções pastorais, como a ordenação sacerdotal de diáconos casados que garantam a celebração da Missa dominical nas regiões mais recônditas. “Alguns acham que a tradição é um museu de coisas velhas”, lembrou Francisco, para quem a tradição tem de ser “a salvaguarda do futuro e não a custódia das cinzas”. O Papa disse que a dimensão pastoral do documento é a principal e que é urgente que “o anúncio do Evangelho seja assimilado por estas culturas”. Por isso, nos debates do Sínodo e no documento final se fala em “novo ministérios”, um termo que já o Papa Paulo VI tinha usado, e se pede criatividade. Sem se pronunciar sobre a ordenação de homens casados, Francisco defendeu a criação de “seminários indígenas” porque “é uma verdadeira injustiça social que não se permita aos indígenas o caminho do seminário e do sacerdócio”. Quanto a novos ministérios, o Papa anunciou a reabertura com novos membros da comissão sobre o diaconado feminino e defendeu que o papel das mulheres na Igreja vai muito além das funções que desempenham na transmissão da fé e na preservação da cultura.

Em termos organizacionais, Francisco mostrou-se favorável à criação de “semi-conferências episcopais”, ou seja, conferências de bispos de determinadas regiões, como aliás existe em Itália, e anunciou que vai propor ao dicastério para o desenvolvimento humano, liderado pelo cardeal Turkson, uma seção própria para a Amazónia. O Papa também aproveitou para fazer um desafio aos padres jovens para que passem algum tempo em terras de missão, “mas não na nunciatura”, avisou, gerando risos na sala.

Já na parte final do discurso, o Papa Francisco pediu aos meios de comunicação social que não se fiquem pelas “questões disciplinares” do documento votado este sábado, mas também se foquem nos diagnósticos cultural, social, ecológico e pastoral que esse documento transmite. “Há o perigo de se entreterem nas questões disciplinares, em ver quem ganhou e quem perdeu”, disse o Papa. “Há sempre um grupo de cristãos elitistas que se entretém com questões disciplinar intraeclesiásticas”, referiu.

 

3. O Papa Francisco alterou o nome oficial do Arquivo Secreto da Santa Sé, instituição dirigida pelo cardeal português D. José Tolentino Mendonça, que, a partir de agora, se passa a chamar Arquivo Apostólico do Vaticano. Segundo uma Carta Apostólica, publicada dia 28 de outubro, “nada muda na sua identidade, na sua estrutura e na sua missão”. Com as progressivas mudanças nas línguas modernas, nas culturas e “sensibilidades sociais de diferentes nações”, o Papa considera que “o termo Secretum, vinculado ao Arquivo do Vaticano, começou a ser mal compreendido”. Assim, para evitar preconceitos ou interpretações ambíguas ou negativas, Francisco tira-lhe esta designação e a instituição passa a chamar-se somente Arquivo Apostólico do Vaticano, seguindo a mesma linha utilizada na Biblioteca.

 

4. Representantes das três principais religiões abraâmicas (cristianismo, judaísmo e islamismo), juntaram-se, em Roma, para assinar uma declaração conjunta sobre os cuidados em fim de vida, que inclui uma condenação à eutanásia. No documento final é referido que a eutanásia e o suicídio assistido são “inerentemente, e por consequência moral e religiosamente errados e devem ser proibidos sem exceção”. Os signatários rejeitam ainda “categoricamente, qualquer pressão sobre doentes em final de vida no sentido de tomarem medidas ativas e deliberadas para por fim à sua vida”.

A Igreja Católica foi representada pelo presidente da Academia Pontifícia para a Vida, D. Vincenzo Paglia, tendo o grupo sido recebido pelo Papa Francisco, em audiência.

Aura Miguel, jornalista da Renascença, à conversa com Diogo Paiva Brandão
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