Missão |
Gonçalo Miguel Nunes Domingos, do projeto ‘Aprender Vivendo’
O sonho de ser missionário
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Gonçalo Miguel Nunes Domingos é natural de Peniche e nasceu a 10 de fevereiro de 1982. É casado, tem dois filhos e é professor de Educação Moral e Religiosa Católica. Este ano, esteve em missão de curta duração na Guiné-Bissau com o projeto ‘Aprender Vivendo’.

 

EMRC: uma marca importante no percurso

O seu percurso académico iniciou-se na sua terra natal, onde permaneceu até ao 9º ano de escolaridade. Depois disso, tirou o curso de Turismo Hotelaria Receção e Atendimento na Escola Técnica Empresarial do Oeste, nas Caldas da Rainha. Em 2001, trabalhou por um ano numa empresa de distribuição de água e café na zona Oeste. “Foi o meu primeiro emprego”, partilha. No ano seguinte, regressou à escola para frequentar o curso de Gestão Turística Hoteleira na Escola Superior de Tecnologia do Mar. “Entre 2004 e 2015, trabalhei na secretaria paroquial de Peniche, como administrativo e secretário-geral. Ainda em 2004 e desafiado pela família, iniciei a licenciatura em Ciências Religiosas na Universidade Católica Portuguesa, em Lisboa. Aqui, começou a nascer o gosto e desejo de ser professor de Educação Moral e Religiosa Católica (EMRC). Foi em 2009, no Agrupamento de Escolas de Peniche que comecei a lecionar EMRC e a seguir as ‘pisadas’ do meu pai, que durante 38 anos foi professor de EMRC na Escola Secundária de Peniche”, partilha. Em 2010, voltou à Universidade Católica para completar os estudos com o Mestrado em Ciências Religiosas (especialização em ensino de Educação Moral e Religiosa Católica- EMRC). Lecionou na Escola Secundária de Peniche e, mais recentemente, no Agrupamento de Escola de Atouguia da Baleia (concelho de Peniche).

Sobre o seu percurso de fé, partilha que aprendeu, viveu e cresceu “no seio de uma família cristã”. “O meu avô paterno dedicou toda a sua vida à Paróquia de Peniche, onde serviu a Igreja como sacristão e toda a minha família servia e se disponibilizava em múltiplos serviços paroquiais. Após fazer a primeira comunhão, e ao ver o meu pai, a minha irmã e a minha prima de túnica branca a servir o altar, nasceu e cresceu também em mim o desejo de pertencer à Associação de Acólitos. Movimento onde acabaria por entrar aos 8 anos, e, ao qual ainda hoje pertenço. Sem dúvida alguma, um movimento que muito me ajudou a crescer e a viver como cristão ‘sempre vivo e presente’ no caminho da vida e no servir ao altar da Eucaristia”, conta. Participou ainda no grupo de teatro paroquial ‘O Nazareno’ e refere que as aulas de EMRC foram uma marca importante no percurso da sua vida.

 

Viver a missão em Contuboel

Sobre a missão em Contuboel, conta-nos na primeira pessoa: “Chegámos! Foi um passo de cada vez, lento, observador. Um ar quente e húmido, aguardava-nos no aeroporto da Guiné-Bissau. Agora é a sério! Começou a aventura e a partilha de ser missionário… missionário numa terra desconhecida… um povo maioritariamente muçulmano, perdidos no meio de ‘estranhos’ que, um segundo depois, eram nossos companheiros e amigos. Eram a nossa família em Contuboel. Fomos recebidos pela Irmã Ana Lúcia, na Missão Católica Irmã Valdelícia, de braços abertos, numa ‘hospitalidade real’ (Papa Francisco). Sentimo-nos verdadeiramente em casa. E que bom é sentirmo-nos em casa. E foi em “casa” que desenvolvemos este projeto de amor e com amor. Nas atividades de tempos livres com os mais novitos. Na cooperação com os jovens na delimitação do recreio da escola. Na formação de pedagogia aos professores… na formação de liturgia a acólitos e catequistas, nos encontros juvenis, nos momentos de oração ao rezar o terço e vésperas, e, sobretudo na celebração da Eucaristia com a comunidade. Uma comunidade cristã muito jovem, que bonito, sublime… uma lição para toda a nossa missão! Foi nestes encontros, ao viver assim a missão, partilhando o dia-a-dia com as crianças, com os jovens, as famílias e as Irmãs, descobrindo os costumes, a cultura e a vida deste povo, que percebi que era importante estar de coração aberto e disponível não só para fazer, mas essencialmente para estar, acolher e escutar. Era preciso aproximar-me, fazer-me presente… pediam simplesmente um pouco de amor, de carinho, da nossa atenção, para escutarmos os seus corações, as suas histórias bem escondidas e protegidas, para conhecermos alguns projetos de vida, os seus sonhos…Partilhar a vida, o dia-a-dia com a minha família missionária não foi fácil, mas ‘quando enfrentamos juntos os desafios, então somos mais fortes’ (Papa Francisco) e torna-se tão simples a nossa missão – vivê-la em comunhão com o grupo, com os missionários mais novos, partilhar sorrisos, abraços, alegrias, dores, lágrimas… partilhar o amor e a vida! Foi uma partilha de aprendizagens. Desde o cozinhar, o lavar a roupa à mão, as limpezas, a partilha de dinâmicas na preparação dos encontros, das aulas de apoio, das formações, depois os momentos de oração individual e em grupo, as reflexões e avaliações diárias e a partilha nos momentos mais descontraídos, de fortalecer a amizade e o grupo. Ser missionário com alunos, foi aprender. E como se aprende tanto com os jovens! Este partilhar e viver juntos ‘da criatividade e da alegria que os caracterizam’ (Papa Francisco) e que nos fazem também sonhar por um mundo novo, por uma vida diferente. Eu confio nestes alunos, nas crianças e fica o desafio de todos juntos continuarmos este caminho de missionários, agora na partilha e testemunho com as comunidades e também com os milhares de alunos das nossas escolas de Peniche que levámos no nosso coração neste belo projeto ‘Aprender Vivendo’. Obrigado aos sete missionários que comigo viveram e me fizeram viver este ‘sonho missionário de chegar a todos’ (Evangelii Gaudi, nº 31), a Alícia, a Andresa, a Cristina, a Jessica, a Mariana, o David e o João. Bem hajam!”.

texto por Catarina António, FEC | Fundação Fé e Cooperação
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