Lisboa |
Celebração das Ordenações de Diácono, no Mosteiro dos Jerónimos
“Sinais de Advento, vivido e testemunhado”
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O Cardeal-Patriarca pediu aos novos diáconos que, através dos “carismas da virgindade e do celibato”, vivam “como Jesus ensinou a viver”. Na celebração que decorreu no Domingo I do Advento, no Mosteiro dos Jerónimos, D. Manuel Clemente desafiou os cristãos a não “perderem de vista” e a não temerem “o encontro definitivo com o Senhor que vem”.

 

A vivência de um “Advento autêntico”, que encontra a sua realização na caridade, é, segundo o Cardeal-Patriarca de Lisboa, uma missão para os que “se casam no Senhor”, constituindo família, mas também para aqueles que – tal como os cinco seminaristas que foram ordenados diáconos no passado Domingo, 1 de dezembro – vivem os “carismas da virgindade e do celibato”, “anunciando, de coração inteiro, aquele horizonte final em que todos serão como anjos no Céu. Sinais de Advento, vivido e testemunhado”. “Como aconteceu com Cristo, nada se desvaloriza do que no tempo acontece e que Ele viveu também até aos trinta anos, em Nazaré da Galileia. Mas depois inaugurou em si próprio o tempo definitivo, não constituindo uma família mais, para ser familiar de todos. Tudo referindo absolutamente a Deus Pai e convertendo o crescimento humano em filiação divina, o trabalho em caridade e os laços habituais em família de Deus. Abriu-nos o último horizonte, em que as coisas boas se tornarão excelentes”, referiu D. Manuel Clemente, na homilia da celebração.

Segundo o Cardeal-Patriarca, a presença de Jesus na terra, há mais de dois mil anos, inaugurou o “Advento do Reino dos Céus”. “O Reino em que caberemos todos, na quantidade inteira do que somos e na qualidade infinda que só Deus permite. O Reino que a Igreja há de assinalar, como sua única razão de ser, para não cair na insignificância”, prosseguiu, alertando que “perder qualquer uma destas dimensões, deixando de assinalar a última, seria truncar o Evangelho de Cristo e diluí-lo no que já existe e depois não basta”. “Creio mesmo que deixaria de ser propriamente cristão, pois em Cristo tudo assinala o fim que há de chegar, modo de dizer a finalidade certa das vidas de todos e de cada um”. “«Só Deus basta» e «o mundo sufoca porque não adora»”, reforçou D. Manuel Clemente, citando Santa Teresa de Jesus e São Pedro Julião Eymard.

 

Ambicionar o encontro com Cristo

Nesta celebração onde três seminaristas do Seminário dos Olivais e dois seminaristas do Seminário ‘Redemptoris Mater’, de Caneças, foram ordenados diáconos, com vista ao sacerdócio, o Cardeal-Patriarca de Lisboa desafiou os cristãos a irem além da preparação e lembrança da primeira vinda de Cristo. Segundo D. Manuel Clemente, é “urgente” apressar “em nós e à nossa volta” o “encontro definitivo com o Senhor que vem”. “Não nos admire esta linguagem, que é primeiríssima no cristianismo”, começou por alertar. “O cristão não teme o fim do mundo, porque sabe que esse fim acabará unicamente com o que em nós e à nossa volta não seja Cristo. Cristo, na imensidade do seu ser, onde toda a terra e todo o céu definitivamente se incluem, onde todo o bem finalmente acontece”, acrescentou. Por isso, o cristão “almeja” o encontro com Cristo, “nunca o perde de vista, não o troca por nada, nem adia por motivo algum”, garantiu. “A vida do cristão resume-se e realiza-se neste indispensável clamor: ‘Vinde, Senhor Jesus!’. E sabe também que o clamor é prático, no encontro com os outros, em quem o mesmo Cristo se apresenta, como quem pede e requer atenção, correspondência e serviço. Porque assim se começa a viver a única realidade definitiva, a caridade que nunca acabará”, reforçou D. Manuel Clemente, na tarde do primeiro Domingo do Advento.

 

Ativar o Advento

No Mosteiro dos Jerónimos, na presença dos três Bispos Auxiliares (D. Joaquim Mendes, D. Daniel Henriques e D. Américo Aguiar) e de sacerdotes e diáconos permanentes, o Cardeal-Patriarca apontou o encontro com Deus como único desejo. “Nas atuais circunstâncias, não devemos desejar outra coisa: reunião em torno do único e universal Criador de todos; mudança consequente das armas de guerra em instrumentos de paz; caminho decidido a esta luz. Começar a fazê-lo aonde estamos, das famílias às comunidades, entre vizinhos e colegas de escola ou trabalho, entre concidadãos e quem entretanto chegar, é o melhor Advento que podemos ter e, desde já, concretizar. Ativemos o Advento que nos realizará finalmente”, desejou D. Manuel Clemente.

Recordando as palavras de São Paulo que foram escutadas na segunda leitura da celebração, em que o apóstolo apelava para que o povo abandonasse “as obras das trevas” e se revestisse “das armas da luz”, o Patriarca de Lisboa afirmou que é “esta luz que queremos ver”. “Mais do que a sucessão dos dias e das noites, na rotina que os dilúvios interrompem, vale a alvorada da Páscoa de Cristo, que há dois mil anos nos aclarou a vida, na iluminação batismal que temos e no esplendor definitivo que trouxe. Apesar de tudo o que o encobre, até em nós próprios, sabemos bem que o primeiro Advento culminou em Páscoa, qual destino da criação inteira – no momento que só Deus conhece, mas que nós divisamos e apressamos em cada caridade que aconteça”, apontou.

No final da homilia, D. Manuel Clemente desafiou os cinco novos diáconos a tomarem, nas suas vidas, o “carisma celibatário” e a “vocação ministerial” como “Advento de Cristo”. “Vivei em ação de graças, ensaiando já o que eternamente sereis – e definitivamente nós todos”.

 

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No passado Domingo, 1 de dezembro, no Mosteiro dos Jerónimos, o Cardeal-Patriarca de Lisboa, D. Manuel Clemente, ordenou diácono cinco seminaristas dos seminários diocesanos.

 

Mendo Saraiva de Refóios Paes de Ataíde

Batizado na Paróquia de São Sebastião da Pedreira (Seminário dos Olivais)

 

Eduardo Alfredo Abril López

Batizado na Paróquia da Sagrada Família, Arquidiocese de Santiago de Guatemala, Guatemala (Seminário ‘Redemptoris Mater’ de Lisboa)

 

Gonzalo Girón Palácios

Batizado na Paróquia de Nuestro Padre Jesús de la Pasión, Arquidiocese de Sevilha, Espanha (Seminário ‘Redemptoris Mater’ de Lisboa)

 

Tomás de Albuquerque Emiliano Castel-Branco

Batizado na Paróquia de Santo Condestável (Seminário dos Olivais)

 

Artur Luís Delgado Farinha Alves

Batizado na Paróquia de São José do Lubango, Diocese de Lubango, Angola (Seminário dos Olivais)

 

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Transmissão vídeo

As páginas do Jornal VOZ DA VERDADE e do Patriarcado de Lisboa na rede social Facebook transmitiram, em direto, as Ordenações de Diáconos, no passado dia 1 de dezembro, no Mosteiro dos Jerónimos. A celebração pode ser vista no canal do Patriarcado no YouTube (www.youtube.com/patriarcadolx).


 

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Fotografias

As fotos da celebração estão disponíveis na página do Patriarcado de Lisboa no Flickr (http://bit.ly/orden_dez19).

texto e fotos por Filipe Teixeira
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